Magalu Nerd?

A compra do site e plataforma Jovem Nerd anunciada hoje pela Magazine Luíza, a Magalu, nos traz algumas dúvidas quanto ao impacto de uma aquisição tão longe do core business da empresa.

Está perceptível que a empresa de Luíza Trajano está diversificando seus negócios e se transformando numa espécie de holding. A aquisição é a forma mais comum de diversificar em outro setor, pois você quebra barreiras de entrada que teria se tivesse que montar um novo negócio do zero neste novo setor.

No entanto, há algumas armadilhas neste meio que faz a gente imaginar como será o futuro do Jovem Nerd, um grupo tão amado pelos seus fãs, agora sob a batuta de um grupo que tem no varejo de bens de consumo o seu principal negócio.

A primeira delas é tentar refazer tudo através de uma nova diretoria para o negócio. O Jovem Nerd e o Azaghal são a cara do seu produto. Se forem substituídos, tanto como mente criativa quanto como apresentadores, dificilmente o seu público ficará no novo Jovem Nerd (eles disseram no anúncio que não vão sair, o que já é ótimo, mas e a liberdade criativa?). Talvez uma liderança sênior que pense em novidades para o grupo Jovem Nerd como um todo seja muito bem vinda, deixando os protagonistas apenas pensando criativamente. E, claro, ganhando dinheiro.

A outra armadilha é se haverá potencial para criação real de uma vantagem competitiva para a Magazine Luíza. Como dizem Gamble e Thompson Jr., “sem o potencial das adequações estratégicas para a vantagem competitiva, o desempenho consolidado de um grupo de negócios não relacionados não é melhor do que a soma que poderia ser obtida pelas unidades de negócios consideradas isoladamente”.

Abaixo o vídeo de anúncio por eles:

Abraços!

Bombril voltando aos trilhos?

texto publicado na Revista Exame, em 2 de Agosto de 2017 – Autoria: Estadão Conteúdo


Quase dois anos após atingir o fundo do poço, com falta de produtos nas gôndolas de supermercados e alto endividamento, a Bombril começa a dar os primeiros sinais de reação. Depois de fechar o ano passado no azul, após quatro anos seguidos de prejuízo, a expectativa é de que a companhia famosa pela esponja de aço comece também a gerar caixa a partir de novembro – até o momento, todo o dinheiro que entra na empresa é destinado apenas ao abatimento de sua pesada dívida.

À frente da companhia desde dezembro de 2015, o executivo Luiz Gustavo Silva disse ao Estado que teve de fazer um profundo processo de reestruturação, que incluiu cortes pesados de custos, redução e venda de marcas consideradas pouco estratégicas ao negócio, demissão de 400 pessoas (hoje tem 2.400 funcionários), além de revisão da distribuição de seus produtos, que passou a ser feita por meio de uma empresa própria.

Depois de três meses na Bombril como executivo da RK Partners, especializada em reestruturação de empresas em dificuldades financeiras, Silva foi contratado em março do ano passado pelos controladores da companhia e agora, passada a fase mais crítica da Bombril, que chegou a correr risco de entrar com pedido de recuperação judicial em 2015, volta a fazer planos para o grupo reaparecer na mídia em 2018.

Nos últimos meses, a empresa enxugou seu portfólio e vendeu marcas, como a linha Lysoform, por R$ 47,6 milhões, para engordar seu caixa. Silva contou que o grupo quer focar em categorias com potencial de crescimento, como a tradicional esponja de aço, marca líder, e outros rótulos de presença relevante, como o detergente Limpol, o desinfetante Pinho Bril e amaciante Mon Bijou.

No primeiro trimestre desde ano, a companhia registrou lucro de R$ 34,7 milhões, revertendo prejuízo de R$ 23,8 milhões do mesmo período de 2016. O endividamento encerrou em cerca de R$ 520 milhões.

Dívidas
No auge da crise, em 2015, as dívidas do grupo chegaram a quase R$ 900 milhões. Deste total, boa parte, de cerca de R$ 570 milhões, de débitos fiscais que já foi renegociada. As obrigações com fornecedores, de R$ 140 milhões, foram parceladas em 36 vezes. Houve também revisão de custos financeiros com os bancos.

A empresa, que por anos teve como garoto-propaganda o ator Carlos Moreno e investia milhões de reais por ano em mídia, adotou estratégias mais tímidas de marketing. Segundo Mark Krause, diretor de marketing da companhia, o foco este ano será em campanhas em pontos de venda. A agência Africa ganhou a concorrência para pensar em estratégias de marketing mais criativas em períodos de vacas magras, com foco em mídias digitais, segundo o executivo. Em 2018, se os planos de recuperação da companhia forem bem-sucedidos, a Bombril poderá voltar à televisão, mas em condições mais modestas.

Consumidor
Segundo Marcos Gouvêa de Souza, sócio da consultoria GS&MD, o consumidor não tem noção da crise pela qual a Bombril vem passando. A perda de participação da companhia em determinadas categorias não está associada às turbulências financeiras e societárias pelas quais passou, mas sim ao fator preço. “A fidelidade à marca é menor em períodos de recessão. O consumidor não está preocupado com uma briga societária ou dificuldade de uma empresa, mas com o bolso.”

Com três fábricas no País, a Bombril quer alcançar o equilíbrio financeiro. Silva disse que a chance de a companhia entrar em recuperação judicial é zero, passado o período mais turbulento, no fim de 2015. “Durante a crise mais aguda da empresa, o consumidor foi para o produto concorrente porque não encontrava os produtos da Bombril nas gôndolas”, destacou. Essa fase, segundo o diretor de marketing da empresa, passou. Ele disse que a companhia tem conseguido aumentar sua participação de mercado nos últimos meses.


Não concordo com Marcos Gouvea, no que tange à fidelidade da marca é menor em períodos de recessão. Entendo esta crise de consumo do Bombril como o afastamento do consumidor do produto. Enxergando menos a necessidade do mesmo para o seu dia-a-dia e não tendo desejo por ele. 

Faltou à marca uma maior aproximação do novo público que estava “nascendo”, enquanto o seu público maduro (e leal) está sumindo. Uma empresa que não vende produtos é uma coisa… Uma marca que para de manter lealdade, é outra bem mais complexa!

Drones e robôs: novo canal de distribuição?

A Domino’s Pizza inovou. Fez uma coisa que estava na cabeça do povo, mas que nunca tinha saído do mundo das ideias ainda: entregar um produto via drone. Veja a história, que aconteceu na Nova Zelândia (veiculada na revista Exame):

A primeira entrega de pizza com drone do mundo foi reivindicada nesta quarta-feira pela divisão neozelandesa da gigante de fast food Domino’s, que parece conquistar uma fatia de um mercado futuro potencialmente próspero.

A Domino’s informou ter usado um veículo aéreo não tripulado para entregar duas pizzas a um cliente em Whangaparaoa, ao norte de Auckland.

O diretor da empresa, Don Meij, disse que os drones estavam prontos para se tornarem parte essencial das entregas de pizza.

“Eles podem evitar engarrafamentos e semáforos, e reduzir com segurança a distância e o tempo de entrega, viajando diretamente para as casas dos clientes”, disse Meij.

“Este é o futuro. A entrega bem-sucedida de hoje foi uma prova importante desse conceito”, acrescentou.

Meij afirmou que mais testes serão realizados em Whangaparaoa esta semana, com vistas a expandir a área de entrega no próximo ano.

A Domino’s informou que também está estudando a possibilidade de usar drones na Austrália, Bélgica, França, Holanda, Japão e Alemanha.

Em março, a empresa revelou que estava testando na Nova Zelândia um robô que, anunciou, seria o primeiro veículo de entrega de pizzas sem motorista do mundo.

A empresa já havia dado a dica que estaria, em breve, usando drones para entregas. Óbvio que se imaginava na época que era uma brincadeira distante. O vídeo a seguir foi lançado pela subsidiária britânica da empresa em 2013. Era o “Domicóptero”:

Em março desse ano, a empresa também mostrou o DRU, o robô de entrega da empresa, criado pela subsidiária australiana. Robô este que entregaria sozinho! Veja o vídeo:


Já já essa novidade vai chegar a outros países do mundo e poderemos ver pessoas como a Emma e o Johnny, consumidores aparentemente “felizes”, que receberam a primeira encomenda!

A pergunta que não quer calar: Será que veríamos cenas como esta no Brasil? Creio que nosso zeitgeist cultural não permitiria isto acontecer. Já vejo pedras sendo lançadas tentando derrubar o pobre drone ou assaltos aos robôzinhos. Prejuízo na certa!

Mas há também um ponto importante a ser considerado: será que não apenas uma ação de marketing para valorizar a marca? Será que será um ponto a ser massificado pela empresa, do jeito que ela anuncia? Será que é um novo canal de distribuição que está nascendo? Dúvidas pairam no ar… Qual a sua opinião?

Se Ligaê

Alma e Coração. No mês de julho de 2016, os cantores Thiaguinho e Projota lançaram a canção com este nome. Com pompa e circunstância, foi apresentada aquela que seria a música oficial dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Seria… mas não foi. Pelo menos no Brasil.

Duvido que alguém que viveu no Brasil e acompanhou os jogos pelo menos durante alguns minutos, em alguma mídia, não tenha ouvido esta música. E, ligado imediatamente a tal canção às Olimpíadas e à torcida brasileira. Claro que estamos falando de “Se Ligaê”. Se você não ligou o nome à música, ouça e relembre:

 

Sergio Mendes, Baby do Brasil e Rogério Flausino: os intérpretes de “Se Ligaê”

A música é a trilha sonora da campanha “Agora é BRA”, do banco Bradesco. O comercial criado pela WMcCann, do mago Washington Olivetto, “pegou”. Uma parceria fenomenal entre Rogério Flausino (do JotaQuest), Baby do Brasil e o grande e premiadíssimo Sergio Mendes. Aliás, Sergio Mendes já tem alguma experiência com músicas olímpicas. Nos jogos de 1984, em Los Angeles, ele foi o compositor e produtor da canção-tema, Olympia (clique aqui pra ver). E ainda conta com a voz de Seu Jorge no final, assinando o comercial com a marca.

“Se Ligaê” embalou o Brasil. E com isso levou a marca Bradesco ao status de queridinha do Brasil nas olimpíadas: pesquisas mostram que a marca está entre as mais lembradas pelo público, entre as ligadas aos jogos.

Algo semelhante aconteceu durante a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Mesmo com o grande sucesso da música oficial do torneio, “Waka Waka” cantada pela colombiana Shakira, a música mais lembrada daquela época foi a canção “Wavin’ Your Flag”, gravada pelo cantor K’Naan e impulsionada pela Coca-Cola, que chamou sua versão de “Celebration Mix”. A estratégia da Coca-Cola foi arrojada: fazer ‘duetos’ da canção com cantores de diferentes nações, fazendo o lançamento da música em diversos países. Na época, “Wavin’ Your Flag” foi uma das músicas mais pedidas nas rádios do país, que teve Samuel Rosa, do Skank. Lembre essa canção-chiclete:

 

No caso da Coca-Cola, o impacto de “Wavin’ Your Flag” na comunicação da marca foi tão intenso, que as notas iniciais da música se tornaram o jingle de assinatura das campanhas da marca até hoje. A marca até tentou fazer a mesma coisa com os jogos olímpicos, da qual também é um dos patrocinadores oficiais, mas, pelo menos no Brasil, a canção “Gold Feelings” não teve tanta repercussão (clique aqui para ver).

O Bradesco bolou uma estratégia grande em torno de “Se Ligaê” e da campanha “Agora é BRA”. Além da maior ação, que foi o patrocínio oficial dos Jogos Olímpicos e patrocinar a Tocha Olímpica e seu tour pelo país, o Bradesco utilizou-se da rede de rádios no qual já é patrocinadora também, que são as rádios da rede Bandeirantes: Band FM, BandNews FM, Nativa FM e, claro, a rádio que leva seu próprio nome e é focada em esportes: Bradesco Esportes FM, que tocavam a música incessantemente (no caso da última, a música era tocada em todo momento de transmissão de alguma partida ou ato olímpico). Além disso, Bradesco comprou espaços em todas as emissoras que tinham direitos de transmissão dos Jogos, se tornando o maior anunciante dos jogos olímpicos (491 inserções). Que spot veicularam? Obviamente, o clipe de “Se Ligaê”. Sem falar que todas as postagens em todas as redes sociais da marca giraram em torno da hashtag #AgoraéBRA, que remetia diretamente o leitor à sua canção-tema.

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O impacto da canção foi muito grande. O Bradesco está surfando o máximo no sucesso da canção e ainda está utilizando a melodia nos spots de TV e Rádio da campanha #AgoraéBRA na internet. E faz certo. Não é todo dia que um jingle ganha o Brasil e faz com que a audiência a ame/odeie. Sim, odeie também. Ao meu ver, ter pessoas que fazem questão de dizer que não suportam mais a tal música é sinal do sucesso da mesma. E este é um exemplo, um case de sucesso. Sem dúvida, o Bradesco foi um dos grandes campeões desta olimpíada!

Encontro de Marketing da ANPAD – Dia 2

O segundo dia do EMA (16/05) começou com as apresentações de trabalhos. Dou destaque para alguns dos trabalhos na área de Tecnologias e Interatividade (Tema 10):

Você pode clicar aqui para ver o resumo feito pelo Prof. Vinicius Brei, coordenador da área de marketing da ANPAD, sobre os dados principais do EMA 2016.