A força da união que está transformando o municipalismo em Minas Gerais

Com mais de 100 municípios integrados, o CONSORMULTI se consolida como o quarto maior consórcio público de Minas Gerais em número de prefeituras e desponta como o que mais cresce no estado

Durante décadas, as prefeituras brasileiras trataram de forma isolada desafios que são de todas: manter equipes técnicas especializadas, executar obras estruturantes, captar investimentos. Cada cidade buscava soluções por conta própria, e a fragmentação limitava o alcance de todas elas.

Foi para romper essa lógica que nasceu o Consórcio Multifinalitário Interfederativo de Cooperação e Desenvolvimento Integrado, o CONSORMULTI. Criado por prefeitos que apostam no associativismo, o consórcio tem desenho interfederativo e vocação nacional: unir entes públicos, compartilhar soluções e construir uma agenda de desenvolvimento baseada em cooperação, inovação e gestão compartilhada.

A resposta foi rápida. Em pouco mais de três meses de atuação, o CONSORMULTI reuniu mais de 100 municípios integrados ou em processo de adesão, tornando-se o quarto maior consórcio público de Minas Gerais em número de prefeituras e o que mais cresce no estado, com presença em todas as regiões mineiras.

Para o presidente do consórcio e prefeito de Poté, Mário Sergio Santos, o Serginho, o avanço reflete uma mudança de mentalidade na gestão pública. “Nenhum município enfrenta sozinho todos os desafios da gestão pública moderna. Quando trabalham juntos, ganham escala, capacidade técnica e força política para transformar a realidade das pessoas”.

O consórcio foi desenhado para atuar em várias frentes, entre elas saúde, educação, infraestrutura, compras compartilhadas, desenvolvimento econômico, assistência técnica, agricultura, meio ambiente, cultura, turismo, tecnologia e capacitação de servidores. A proposta, porém, vai além da prestação de serviços: o objetivo é funcionar como um centro permanente de inteligência para os municípios, com apoio técnico especializado e planejamento integrado.

O Diretor Executivo do CONSORMULTI, Professor Tony Alves (Antonio Carlos Alves dos Santos), jornalista com mais de três décadas de trajetória em comunicação e responsável pela coordenação administrativa e pela articulação com os prefeitos, resume a ambição da instituição. “Estamos construindo uma instituição preparada para o futuro. O consórcio foi criado para antecipar soluções, desenvolver inteligência institucional e gerar oportunidades permanentes para os municípios”, afirma.

A solidez institucional é tratada como um dos pilares do modelo. Procurador jurídico do CONSORMULTI e especialista em direito público, o advogado Alan Toledo, que assessora quase uma centena de prefeituras em Minas Gerais, destaca a segurança do formato. “O consórcio público é um instrumento previsto em lei, com governança definida e segurança jurídica para os entes consorciados. Cada adesão e cada projeto passam por esse crivo, o que protege os municípios e dá solidez ao crescimento”, afirma.

O fortalecimento do movimento passa pela integração entre as cidades. O prefeito de Timóteo, Capitão Vitor, destaca esse ponto. “O desenvolvimento regional depende da nossa capacidade de trabalhar juntos. O consórcio cria um ambiente de cooperação que fortalece cada prefeitura e beneficia toda a região”.

A diversidade de regiões representadas ajuda a mostrar o alcance do projeto. Para o prefeito de Brumadinho, Gabriel Parreiras, o consórcio aponta um novo modelo de cooperação entre cidades mineiras. “O municipalismo moderno exige integração. O CONSORMULTI mostra que municípios de diferentes regiões podem compartilhar experiências e construir soluções que beneficiem toda Minas Gerais”.

Hoje integram o projeto cidades de todas as regiões de Minas: dos Vales do Rio Doce, Mucuri e Jequitinhonha ao Vale do Aço, ao Sul de Minas e à Região Metropolitana. Essa capilaridade amplia a troca de experiências e dá a cada município acesso a projetos e estruturas que, isoladamente, seriam inviáveis.

O crescimento acelerado sugere que a cooperação entre municípios deixou de ser uma alternativa para se tornar uma estratégia concreta de fortalecimento da administração pública. Resta a pergunta que o próprio consórcio ajuda a colocar no centro do debate: em um país de milhares de municípios, quanto do desenvolvimento depende, daqui para frente, da capacidade de agir em conjunto?

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