Vem pra Rua

Quando a FIAT lançou esse comercial, pensei comigo mesmo: mais uma propaganda querendo pongar na copa. Logo, pela qualidade da produção e, principalmente, da canção entoada pelo Falcão, do Rappa, mudei minha opinião. Claro, não tinha de forma nenhuma alcançado o status de “Wavin’ Your Flag”, musicaço da Coca-Cola que acabou virando tema da Copa de 2010, mas estava na boca do povo. O pessoal cantava a música chiclete, que pegou por ser, acima de tudo, boa e também veiculada em um comercial de uma empresa séria e respeitada.

A FIAT nunca imaginaria que seu comercial, e sua música, se tornariam o Hino dos protestos brasileiros. A juventude, revoltada, cantava em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, em Brasília, em Belém, no twitter, no facebook… a “todo pulmão”. Todo publicitário busca o alcance popular de sua produção. Toda marca quer que seu produto “grude” no seu segmento. Conseguiram… Não com o objetivo específico certo, mas com o geral alcançado (metáfora de produção científica…rsrsrs).

Pensando mais macro, temos o #vemprarua como um movimento intenso, que nos mostra como o mundo mudou. A primavera árabe e o movimento em Istambul parecia tão longe, mas o que vemos é o poder da cibercultura e das mídias sociais para esta nova geração, os chamados “Nativos Digitais”. É insano! O poder de engajamento e mobilização nas redes, estudado com afinco pelos atuais profissionais de marketing (e por aqueles que sempre correm atrás de receita de bolo), mostrou sua verdadeira cara, sua verdadeira resposta: de nada adianta uma ótima campanha digital, um produto legal, um design premiado. Tem que ter “causa”! Eles (os nativos digitais) querem uma causa pra defender. Se rolar essa causa, e eles “comprarem”… o céu é o limite!

#VempraRua virou causa… E a FIAT foi a cara dela!


O blog “Marketing em Foco” apoia a manifestação nacional pacífica em busca de dias melhores para o nosso país. Agora é a hora!  Deixo-vos o texto de Cornelius Castoriadis, no livro “A Instituição Imaginária da Sociedade”: “Não estamos no mundo para olhá-lo ou para suportá-lo, nosso destino não é o da servidão, há uma ação que pode apoiar-se sobre o que existe para fazer existir o que queremos ser”. #vemprarua #ogiganteacordou