Superbowl XLIX Promete

O SuperBowl é, sem dúvida, o maior frenesi publicitário do mundo. A final do futebol americano movimento centenas de milhões de dólares, no que são os 30″ mais caros em propaganda no mundo. Este ano, o canal responsável pela transmissão é a NBC, que ocorrerá em 1º de fevereiro de 2015. Ainda há espaço para compras, que este ano tem ocorrido em ritmo lento, mas a grande maioria já foi vendida.

A Advertising Age fez um raio-x dos anunciantes que já compraram espaço, nos dando uma prévia do que veremos neste momento criativo e que é uma ode à comunicação de marketing. Confira:

Anheuser-Busch InBev
Repetindo o ano passado, onde comprou espaço para três anúncios, a empresa deve focar em campanhas para a Budweiser e a Bud Light, cervejas preferidas dos americanos e símbolo de curtição em momento esportivo. É praticamente impossível pensar em publicidade no SuperBowl e não ter nenhum spot destas marcas.

PepsiCo.
Comprou dois espaços de 30 segundos, onde vai focar na marca Doritos. Provavelmente deve trazer a campanha “Crash the SuperBowl”, um concurso onde os consumidores interagem com as propagandas. A empresa faz parte do rol de anunciantes pelo seu nono ano consecutivo.

Loctite
A empresa investirá quase todo o seu orçamento anual de propaganda numa série de anúncios da Super Bonder no Superbowl, que estará ligada à campanha #WinAtGlue.

McDonald’s
Depois de alguns anos fora, a marca volta ao rol de anunciantes do SuperBowl. Mas ainda não deu indicações sobre o tema da campanha. Especula-se algo com o “Amo Muito Tudo Isso” (campanha institucional).

Mercedes-Benz
Ainda não confirmado o tema, mas a marca, que volta depois de um ano fora, comprou um espaço de 60 segundos.

Mophie
É uma debutante no SuperBowl. O foco será o aumento do reconhecimento e ressonância da marca de aparelhos para carregamento de smartphones.

Pepsi-Cola
Será o patrocinador do halftime. Este ano, ainda a confirmar, a Kate Perry.

Skittles
Outra empresa que fará sua estreia no SuperBowl. Também não se sabe qual será o tema da comunicação.

Toyota
A empresa se recusou a dizer qual o tema, classificando-o com “estratégico”.

Wix.com
Comprou um spot de 30″. Também é caloura no SuperBowl. A empresa tem investido pesadamente em TV nos EUA, América Latina e Europa e o SuperBowl será uma espécie de ápice deste investimento.


 

Qual será a melhor delas? Já se iniciam as apostas!

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Marketing em Angola #1 – Ambiente de Marketing

Quem me acompanha além do blog, principalmente pelas mídias sociais, sabe que este mês tenho tido a grata satisfação de conhecer um novo continente (África) e um novo país. Desembarquei em Angola numa missão de “espalhar o marketing”, através de aulas para o curso de Mestrado em Gestão da Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto, maior instituição universitária do país, numa parceria com o Núcleo de Pós-Graduação em Administração da UFBA. Assim, tenho passado essas semanas conhecendo o país de uma forma mais imersa na realidade cultural e social, não fazendo os célebres passeios turísticos que a gente encontra nos roteiros oficiais. O que tem me dado subsídios para uma boa análise da economia, do comércio e dos serviços do país, bem como também para as aulas e pesquisas que realizamos na universidade.


Neste primeiro post, gostaria de compartilhar um pouco do que tenho visto no país, enfatizando as diferenças para o Brasil, nestes cenários citados.

Generalidades

Baía de Luanda, Avenida Marginal. E, ao fundo, as inúmeras gruas.

Angola é um país que está em construção. Luanda e cidades circunvizinhas são um canteiro de obras. Fiquei impressionado com a quantidade de gruas de construção civil espalhadas pela cidade. Isso indica o porque que grandes empreiteiras brasileiras atuando no país, com destaque para a Odebrecht, com mais de 30 anos no país. A empresa baiana agora diversifica seus negócios em Angola, investindo também em agroindústria, petróleo, gás e mineração. De longe, é a empresa que mais emprega no país, com mais de 24 mil empregados, perdendo apenas para os cargos públicos. Fica clara a importância da Odebrecht para Angola e ela não se cansa de demonstrar isso, através de campanha publicitária enfatizando a ligação emocional entre o povo angolano e a empresa.

Uma coisa que ainda também está “em construção” é a própria vida urbana. Fiquei espantado com a quantidade de lixo nas ruas, principalmente nos bairros mais populares, em localidades como Benfica, Samba e outros pontos famosos de Luanda. As autoridades estão preocupadas, pois vejo uma campanha social forte sobre o tema, tanto nas ruas, quanto no rádio. Mas ainda é uma questão cultural e vejo que será um trabalho de geração(ões).

Os “Candongueiros”

Os engarrafamentos são gigantescos e, na hora do rush, pioram consideravelmente. Estou hospedado na Cidade do Kilamba, distante 40km do centro de Luanda. Num dia ruim, levo 1h40 para chegar ao destino. É interessante que há diversos motivos para o trânsito parar, num ar de civilidade urbana que não vemos no Brasil. Uma pessoa atravessando uma passadeira (faixa de pedestres) pode parar o tráfego inclusive da via expressa. O entrar e saltar de passageiros das incontáveis “candongas” (o transporte público todo é realizado por essas vans, normalmente da Toyota, pintadas de azul e branco), também prejudica muito a fluidez do trânsito.

A comida é ótima. Achei muito parecida com a comida do norte do Brasil. Os pratos típicos como o Funge e a Muamba, me lembraram dos tucupis e tacacás da vida. Os angolanos poderiam trabalhar melhor com isso, pois tais comidas típicas não são tão facilmente encontradas por um turista, por exemplo, a não ser que seja em locais onde paira a dúvida sobre a higiene.

Falando nisso, creio que há de se fazer um trabalho muito grande sobre a questão do turismo, principalmente para o estrangeiro. Vejo um potencial tremendo para o turismo a nível internacional. Angola ainda é um “gigante adormecido” nesse ponto, e creio que, mesmo sendo um destino conhecido, pode-se fazer muito mais. Exemplos africanos, como o da vizinha Namíbia e da África do Sul, podem ser usados como benchmarking.

Povo

O povo angolano é demais. Povo legal, hospitaleiro, que adora cumprimentar e bater um bom papo. Sentem-se muito próximos aos brasileiros, o que fez eu ser mais bem tratado ainda! Fazem você se sentir em casa.

Adoram futebol. Além dos times locais (destaque para o Petro de Luanda e o 1º de Agosto), acompanham MUITO o futebol europeu. Sabem tudo da galera de lá. Do Brasil, não acompanham muito, mas fiquei impressionado com o número de camisas do Flamengo que vi aqui! Disparadamente maior do que qualquer outro time (com exceção do 1º de Agosto), inclusive da Europa!

Angolanas e seus lindos cabelos

O povo é muito estiloso! Adoram se vestir bem e de forma bem singular, única. As mulheres são um caso a parte. Como são estilosas! Em tudo! Dou destaque para os cabelos das mulheres. Diferente do que vejo no Brasil, as mulheres aqui tem infinitos (infinitos mesmo!) modelos de cortes, penteados, cores, jeitos. É simplesmente lindo e sensacional! E a roupa é relativamente barata (falo disso num próximo post).

Gostam muito de festas. Nisso se parecem bem com o povo da Bahia! No horário nobre da televisão, os comerciais são quase que na sua totalidade, de eventos sociais, festas, baladas ou produtos ligados a isto. Realmente são apaixonados pela diversão, e diversão em conjunto.

Sociedade

É fácil perceber que há um gap de classes sociais em Angola. Há localidades e pessoas muito pobres e gente muito (mas muito mesmo!) rica. É perceptível isso ao passar por bairros diversos. Andar por Talatona é como andar em qualquer cidade moderna do mundo, com prédios e casas de alto padrão e de muito bom gosto (lá se encontra o Belas Shopping, grande shopping da capital). Já em outras localidades, vê-se os ambulantes aos montes (falarei deles em outro post), casas de baixa qualidade e dezenas de ruas sem asfalto, fazendo com que a poeira amarelada impere sobre boa parte da cidade.

Há um ranço com os portugueses, chamados “carinhosamente” de portugas. E estes andam sempre meio prepotentes pela rua. Vi muito pouco portugueses e angolanos em momentos de descontração. Há uma desconfiança também com os chineses, que tem invadido o país para gerenciar grandes projetos de construção civil, como a Cidade do Kilamba.

Numa aula onde apresentava os dados de classes sociais brasileiras, meus alunos falaram que o que ganha um cidadão de classe A2 no Brasil (acima de R$ 10 mil/mês) é classe B em Angola (não vi dados oficiais de Angola). Entendi a fama de Luanda ser uma cidade cara.

Carros

Trânsito em Luanda. Me impressionou a quantidade de carros que no Brasil são de alto padrão.

Aqui tem muitos carros. Angolanos adoram carros, talvez num nível maior do que o brasileiro. Adoram mexer nos carros (e que carrões!), deixá-los sempre brilhando e tinindo (o que é um desafio enorme, pelo tamanho de poeira que existe aqui). Mas pela intensa falta de água, lavam os carros sempre com um baldezinho de água (precisamos aprender com eles).

E, diferente do Brasil, o mercado angolano é dominado pela Hyundai. O que mais se vê aqui é Elantra (inclusive inúmeros taxis), carro considerado caro no Brasil. Além disso, a montadora coreana tem modelos não existentes no Brasil, como o i10, i20 e Accent, além do i30, Tucson (o nosso ix35), Sonata, Azera, SantaFé, VeraCruz e Veloster. Também se vê muitos carros da Kia (Rio e  Sportage se vê aos montes). Renault também tem uma parcela importante do mercado (Logan merece destaque, além da grande presença do Sandero e do Duster). Suzuki se especializou em carros populares, por isso também é vista aos montes. Nissan também. Toyota, só para carros grandes como Hilux, Fortuner (a nossa SW4) e Land Cruiser (inexistente no Brasil). Ford, só pickups grandes. Fiat, não vi nenhum. Volkswagen, só vi Touareg. Chevrolet só carros mais baratos (com exceção da Captiva), como Sonic. Além de ver de forma muito mais presente aqui do que no Brasil, marcas como Jeep (Grand Cherokee), Lexus, Porsche e Jaguar, por exemplo.

Os carros são mais baratos, relativamente, do que no Brasil. Um Kia Sportage 0km é facilmente comprado em Angola, à vista, por US$ 35mil. Elantra, US$ 26mil. Logan (fabricado no Brasil), US$ 18mil. Isso tudo em um país que não tem nenhuma fábrica de automóveis. A grande maioria dos carros são provenientes de importações via Dubai, localidade com vôos diretos de Luanda por mais de uma empresa aérea, e que tem se tornado um ponto de visita grande para os angolanos, inclusive de classe média.

Outros pontos

Para as empresas e para o povo comum, Angola conseguiu um limiar entre a burocracia e o “deixa pra lá”. Para algumas coisas, como abertura de empresas, há burocracias extremas, o que faz com que muita gente tenha negócios não regulares ou não registrados. E que também não tem grande fiscalização. Questões relativas à receita e arrecadação de impostos também são aparentemente maleáveis (segundo meus alunos, é para manter as possibilidades de corrupção mais tranquilas). Mas se você é pego, há complicações muito fortes.

Similar ao Brasil, as filas são homéricas. Testemunhei algumas bem grandes por aqui.

Nunca vi um lugar com tantos bancos! É impressionante o número de marcas e o número de agências. Falarei disso, com mais detalhes, em um próximo post.


Enfim, estas são as primeiras impressões do Ambiente de Marketing angolano. Qualquer empresa que aqui quiser se instalar, tem que passar por estas questões culturais e sociais, base do estudo ambiental de Marketing em qualquer localidade. Claro que vai muito além do que coloquei. Mas como disse, estes são meus destaques.

Tenho cada vez mais me impressionado positivamente com o país. Clima agradável e pessoas maravilhosas. Mas as questões de marketing, bem como de administração como um todo, ainda são bem incidentais e precárias. Há de se fazer um enorme trabalho por aqui e fico feliz de estar presente neste momento.

No próximo post, falo um pouco sobre a relação Brasil x Angola, incluindo as questões comerciais e de marketing.

Mulheres x Carros – Pilotos ou Marias-Gasolina?

Quando vou começar o tema de “Comportamento do Consumidor”, nos meus cursos de marketing, sempre pergunto pros meus alunos como eles enxergam a relação entre Mulheres e Carros. Sempre aparece algum engraçadinho relembrando o tema das “Maria-Gasolinas”, dizendo que mulher não sabe nada de técnico dos carros. É sempre interessante ver como o pessoal recebe as informações que repasso sobre pesquisas que mostram o quanto as mulheres estão envolvidas com a compra de Carros e estão cada vez mais interessadas no tema e comprando mais e mais.

Recentemente, o instituto de pesquisas de mercado Sophia Mind anunciou os resultados de uma pesquisa feita sobre esta que é uma das relações que vem esquentando e amadurecendo, quando o assunto é consumo. A pesquisa feita no Brasil tentou destrinchar o “Mercado Feminino de Automóveis” e mostrou dados interessantes. Vamos conhecê-los e comentá-los.

Decisão de Compra
Embora os homens ainda reinem absolutos, quando o assunto é poder na hora da decisão de compra e de manutenção de carros, as mulheres tem um desempenho considerável. Segundo a pesquisa, 43% dos gastos com compras de carros são controlados essencialmente pelas mulheres (unindo consumo direto e influência de compra). É um número um pouco abaixo do que é conhecido em mercados mais maduros, alvos de pesquisas similares (no mercado americano, por exemplo, há pesquisas que mostram até 57% de controle e influência de compra das mulheres). As montadoras já perceberam isso faz algum tempo. E isto é perceptível na comunicação de marketing, onde cada vez mais mulheres tem a posição principal com relação ao automóvel.

Marcas
O tema da preferência de marca nos revela muita coisa. Quando vemos a realidade, os carros atuais da mulher brasileira, temos um espelho daquilo que é o mercado de automóveis do Brasil: 27% usam carros da FIAT (12& – Palio e 8% – Uno), 24% tem carros Volkswagen (13% – Gol), 19%, Chevrolet, 13% carros da Ford, 6%, Renault, tendo empate entre Honda e Peugeot, 4%. Até aí, nada de novo, apenas um reflexo da sociedade de consumo brasileira, que tem nos carros populares uma passagem quase obrigatória.

Quando olhamos, porém, a preferência ou a vontade de ter uma determinada marca, aí a coisa altera um pouquinho. Não levando em conta a variável “preço”, as mulheres mantiveram as mesmas marcas no TOP4, mas apareceram outras com bons escores. Além de FIAT (19%), Volks (14%), Chevrolet (10%) e Ford (9%), a Honda (8%), Citroen, Hyundai e Peugeot (6%), e Toyota (5%) aparecem bem no imaginário feminino como desejo de compra. Destaque para os carros da Honda (Civic, Fit e Hilux) que se colocam de igual pra igual na briga com os carros populares de entrada.

Isto nos mostra que a perspectiva de produto de algumas montadoras tem sido mais relevantes para o público feminino. Além do design, alguns carros, como os citados acima e outros como o C4, Tucson, Soul, Corolla, EcoSport, 206, entre outros, parecem agradar esse público. Talvez uma pesquisa mais intensa em cima de marcas e modelos possa nos tirar as dúvidas de porque há tantos bons olhos femininos para estes. A resposta, na minha opinião, pode ser a variável “estilo”, que vai além da simples questão de gênero, mas apela psicograficamente para uma mulher mais urbana e cosmopolita.

Atributos Avaliados pelas Mulheres
Aqui está as surpresas, na minha opinião, da pesquisa. Se você imaginava que beleza era fundamental, desfaça seus “princípios”. Disparadamente, o item de maior relevância é o “Preço” – 64%, seguido por “Confiança na Marca” – 44% e “Condições de Pagamento (variável vinculada também ao fator preço)” – 34%. O item “Aparência” aparece apenas na 4ª posição, com 23% de relevância.

Outro ponto interessante e surpreendente é que “Características Técnicas do Carro” (20%), “Potência do Motor” (15%) e “Itens de Segurança” (13%), aspectos relativamente técnicos, tem mais importância para as mulheres do que “Acessórios Internos”, “Espaço Interno”, “Cor” e “Status”, por exemplo.

Dicas
A pesquisa da Sophia Mind foi muito feliz ao inserir pontos onde as mulheres não estão plenamente satisfeitas. Aliás, 10% das entrevistadas afirmam que não existe um carro que atenda todas as necessidades femininas, o que mostra que talvez as montadoras estejam no caminho certo, mas ainda há o que percorrer.

No quesito “Itens Essenciais”: Direção Hidráulica (76%), Trava Elétrica (70%), Vidro Elétrico (65%), Ar Condicionado (60%). No quesito “Acessórios”: Regulagem de altura do banco e volante (57%), Desembaçador do Vidro Traseiro (56%), Ar Condicionado Digital (51%), Rádio com MP3 (43%) e Abertura Elétrica de Mala e Tampa do Combustível (37%).

As “dicas” mais importantes com relação aos serviços prestados são: Redução de Preços das Concessionárias (57%), Entrega do Carro em casa após serviços de oficina e Certificação de Segurança (37%), Certificação de Segurança das Oficinas das Concessionárias (22%), Oficina com Atendimento Feminino (13%).

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Isto mostra o quanto estamos longe, quando imaginamos apenas o que as mulheres desejam nos automóveis. Se você é daqueles que acham quem a relação entre Mulher e Carro é só a da tal “Maria Gasolina”? Elas estão muito mais pra “Pilotos”! Sabem direitinho o que quer, e o que elas querem é qualidade, confiabilidade, potência e conforto! Mas claro, beleza, aparência e estilo também não podem faltar. Afinal, o toque feminino é fundamental!