Marcas e Selvageria

Esta semana aconteceu, mais uma vez, cenas lamentáveis no futebol brasileiro.  A briga das torcidas de Atlético Paranaense e Vasco ganhou repercussão mundial e foi mais longe do que noticiários esportivos e policiais. Esta semana, a Nissan decidiu rescindir seu contrato com o time carioca, de forma unilateral. Veja abaixo o comunicado oficial da marca japonesa sobre o assunto:

Com isso, o Vasco deixará de receber R$ 21 milhões do patrocínio Master. Um grande baque para o já combalido clube.

Deixando de lado informações sobre uma parceria já desgastada e também sobre justiça de uma decisão dessas, cabe uma reflexão de marketing. O interessado nessa história é o Vasco da Gama, que teve sua imagem muito arranhada nesta história. A sua associação impensada (que não é uma coisa que, aparentemente, acontece em TODOS os grandes clubes do país) com as briguentas torcidas organizadas fez com que o clube perdesse um investidor. Em outras palavras, seu produto não é confiável.

Para uma marca como o Vasco, ter um produto ruim já é difícil de se gerenciar. Agora, um produto ruim e pouco confiável é muito pior. Agora será muito trabalho para achar uma marca que queira se associar com um clube nesta situação. Grandes marcas tem muita noção do que uma associação ruim pode fazer ao seu brand equity. Não será fácil!

Anúncios

A Real Maldição dos Pôneis

Mais uma vez, os “Pôneis Malditos” venceram um prêmio, desta vez o “Melhor Comercial do Brasil”, oferecido pelo SBT. A campanha, criada pela Lew’Lara\TBWA, confirmou seu sucesso e bateu concorrentes como o “Gigante Keep Walking” (Johnny Walker) e o “Eu voltei” (SKY), entre outros (veja o vídeo da premiação, feito pela TV Meio e Mensagem, abaixo). Tava fácil, né?

Assim como a maioria dos brasileiros, gostei muito desta propaganda. Alguns pontos para nossa consideração:

– Ativação da Marca: Se a NISSAN ainda carecia de conhecimento do consumidor brasileiro (principalmente da Classe Trabalhadora Alta), os pôneis alavancaram e muito este conhecimento. É inegável.

– Share de Lembrança: Altíssimo. Ainda não apareceram pesquisas com este tema, mas acredito que tenha sido um sucesso neste quesito. Fazia tempo que o mercado publicitário brasileiro não alcançava um sucesso retumbante de lembrança. O interessante é que estamos no mundo do compartilhamento virtual, o que facilitaria aparecerem comerciais como o hors-concours “Mamíferos”, da Parmalat. Mas, pelo contrário, pouquíssimos comerciais conseguiram criar esta vontade no internauta em repassar à frente. Os pôneis foram muito bem sucedidos, e ficaram na cabeça de crianças até os vovós.

O CARRO: Faria bem a NISSAN, além dos tradicionais indicadores métricos de sucesso de uma campanha (alavancagem de vendas, principalmente), identificar se o conhecimento da marca foi transferido para o carro, no caso a pickup Frontier. Meios de comunicação celebraram o aumento do número de vendas do carro, mas há entrelinhas que devem ser vistos:

a) De acordo com a FENABRAVE, houve sim aumento de vendas da Frontier. O detalhe é que este segmento foi aquecido como um todo. Houve aumento significativo em todos os concorrentes da Frontier. Alguns, como a Volkswagem Amarok, tiveram aumento substancialmente maiores em vendas do que a Frontier, no mesmo período.

b) A Frontier, no fringir dos ovos, perdeu a quinta posição no ranking das pickups mais vendidas para a Amarok. Pode se considerar que o carro da NISSAN era o último colocado entre os modelos mais populares, poucos meses após o lançamento da campanha. Hoje ainda está nesta mesma posição (dados acumulados de emplacamentos até abril).

c) Este mês, a Frontier é a terceira colocada em vendas de pickup’s, com 12,41% do mercado, dados de emplacamentos até a primeira quinzena de abril. Justamente na época em que havia arrefecido completamente o impacto dos pôneis anteriores e, então, a empresa mandou para o ar uma nova versão, que você relembra abaixo. Olha aí os pôneis fazendo a diferença!

Qual foi então o real impacto, em se tratando de resultados de marketing, dos pôneis? Teimo a dizer que foi “só” a ativação da marca. Não que seja pouca coisa, muitos “matariam” para ter este nível de share de lembrança e share of heart. Mas que não se traduziram em vendas perenes. No mesmo período, a S10, a Hilux e a L200 cresceram até mais em vendas que a Frontier, sem gastos tão grandes em promoção. O mais interessante é ver que os bolsões de vendas consideráveis da Frontier foram exatamente no pós-lançamento da campanha, em 2011, e um pouco mais agora, com a campanha nova.

Taí um problema pra NISSAN resolver. Será que a Frontier ficou refém dos pôneis? Será que pro carro alcançar níveis interessantes de vendas, vai precisar toda vez jogar os pôneis no ar? Vimos algo parecido com uns tais mamíferos. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos…