Drones e robôs: novo canal de distribuição?

A Domino’s Pizza inovou. Fez uma coisa que estava na cabeça do povo, mas que nunca tinha saído do mundo das ideias ainda: entregar um produto via drone. Veja a história, que aconteceu na Nova Zelândia (veiculada na revista Exame):

A primeira entrega de pizza com drone do mundo foi reivindicada nesta quarta-feira pela divisão neozelandesa da gigante de fast food Domino’s, que parece conquistar uma fatia de um mercado futuro potencialmente próspero.

A Domino’s informou ter usado um veículo aéreo não tripulado para entregar duas pizzas a um cliente em Whangaparaoa, ao norte de Auckland.

O diretor da empresa, Don Meij, disse que os drones estavam prontos para se tornarem parte essencial das entregas de pizza.

“Eles podem evitar engarrafamentos e semáforos, e reduzir com segurança a distância e o tempo de entrega, viajando diretamente para as casas dos clientes”, disse Meij.

“Este é o futuro. A entrega bem-sucedida de hoje foi uma prova importante desse conceito”, acrescentou.

Meij afirmou que mais testes serão realizados em Whangaparaoa esta semana, com vistas a expandir a área de entrega no próximo ano.

A Domino’s informou que também está estudando a possibilidade de usar drones na Austrália, Bélgica, França, Holanda, Japão e Alemanha.

Em março, a empresa revelou que estava testando na Nova Zelândia um robô que, anunciou, seria o primeiro veículo de entrega de pizzas sem motorista do mundo.

A empresa já havia dado a dica que estaria, em breve, usando drones para entregas. Óbvio que se imaginava na época que era uma brincadeira distante. O vídeo a seguir foi lançado pela subsidiária britânica da empresa em 2013. Era o “Domicóptero”:

Em março desse ano, a empresa também mostrou o DRU, o robô de entrega da empresa, criado pela subsidiária australiana. Robô este que entregaria sozinho! Veja o vídeo:


Já já essa novidade vai chegar a outros países do mundo e poderemos ver pessoas como a Emma e o Johnny, consumidores aparentemente “felizes”, que receberam a primeira encomenda!

A pergunta que não quer calar: Será que veríamos cenas como esta no Brasil? Creio que nosso zeitgeist cultural não permitiria isto acontecer. Já vejo pedras sendo lançadas tentando derrubar o pobre drone ou assaltos aos robôzinhos. Prejuízo na certa!

Mas há também um ponto importante a ser considerado: será que não apenas uma ação de marketing para valorizar a marca? Será que será um ponto a ser massificado pela empresa, do jeito que ela anuncia? Será que é um novo canal de distribuição que está nascendo? Dúvidas pairam no ar… Qual a sua opinião?

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Um Jardim (nada) Secreto

“Faz alguns dias que está esgotado. Nosso último pedido foi de 400 exemplares. Não durou nem dois dias. E agora o fornecedor não consegue entregar no prazo normal. Então, o jeito é a senhora encomendar o pedido e nós entraremos em contato avisando que ele chegou. É o popular ‘tem mas acabou'”.

A frase acima foi ouvida pela minha esposa e tantas outras pessoas que estão indo às livrarias aos borbotões em busca do atual santo graal do mercado editorial: o livro de pintura “Jardim Secreto”. Verdadeira febre, principalmente entre o público feminino, o produto vem categoricamente sumindo das prateleiras, principalmente dos centros mais distantes dos fornecedores e atravessadores. Como é o caso de Salvador-BA, cidade onde aconteceu o diálogo de onde foi retirado o excerto que iniciou este texto.

“Jardim Secreto: livro de colorir e caça ao tesouro antiestresse”, é uma obra criada pela ilustradora escocesa Johanna Basford, autodenominada “Evangelista da Tinta”. A autora diz que o livro é uma espécie de detox. Esta atividade “analógica” transformou o livro num dos maiores sucessos de venda dos últimos tempos no Brasil, gerando até um novo volume, o “Floresta Encantada”.

O produto, que começou claramente voltado para um nicho de mercado, se massificou e conquistou consumidores entre os mais variados públicos. Entrou em estágio de crescimento e abriu os olhos de concorrentes, que estão pululando aos montes. Uns são cópias baratas dos originais, quase que uma pirataria mesmo. Outros buscaram diferenciação, principalmente, na temática. Cenários urbanos, pessoas e até com conotação sexual podem ser achados nas livrarias. Um verdadeiro sucesso que fez a editora que trouxe o livro ao Brasil, a Sextante, rir à toa com um produto inicialmente de composição de portfólio se transformasse numa estrela.

A autora Johanna Basford

Mas o impressionante do sucesso repentino de um produto, até então inexistente (ou não-procurado), é o que ele fez com toda a supply chain envolvida. O caso mais claro é o do produto inseparável do livro de pintura: o lápis de cor. Os produtos de melhor qualidade (únicos que “aguentam o tranco” da pintura detalhista que o Jardim exige) estão, literalmente, sumidos das lojas, grandes e pequenas! A Faber-Castell está num dilema tremendo, onde nunca teria imaginado que o seu produto mais premium (caixas com maior variedade de cores) seria tão procurado quanto os mais simples que fazem parte das listas de material escolar país afora. A subsidiária da empresa alemã está vibrando, pois conseguiu entrar em um mercado sonhado e nunca antes alcançado: o de adultos. Você pode ver mais detalhes na reportagem da Exame, clicando aqui.

O papel pólen, que é um tipo mais agradável à vista e ideal para o trabalho de pintura também tem tirado o fôlego dos fornecedores. Com a febre dos livros para colorir, a fabricação tem sido acelerada para dar conta da demanda das editoras que se amplia cada vez mais. Antes, este tipo de papel, na gramatura que o livro para colorir exige, tinha uma saída muito restrita.

Mamíferos Parmalat: Campanha de sucesso acabou sendo prejudicial à empresa, que teve sérios problemas de distribuição dos bichinhos

Este cenário deve fomentar uma delícia de papo entre profissionais e estudantes da área de logística, supply chain, marketing e gestão. É um baita de um estudo de caso acontecendo embaixo do nosso nariz. Por mais que hajam “fórmulas” as mais diversas, ferramentas e estratégias que podem antever cenários como estes, obvio que tudo o que se fala é especulação. Quem, em sã consciência, acreditaria num boom de vendas de livros de colorir para adultos? Estaria nos planos das empresas de lápis, das editoras, das fábricas de papel a previsão para este cenário. Obviamente que não.

Em muitos casos similares, o sucesso foi uma verdadeira desgraça para empresas. Não conseguiram entregar seus produtos e foram engolidas pelos concorrentes que apareceram já cauterizados das lições que o mercado mostrou. Parmalat, Tampico, só pra citar algumas, sofreu muito com isso.

Este caso mostra que um problema de marketing deve ser solucionado com parcerias internas estratégicas importantes de diversas áreas. Até quando vai se manter esta demanda latente de livros e lápis de cor? Ninguém sabe, mas um bom sistema de inteligência vai ajudar nesta resposta. E o sucesso dessas organizações depende disso. Vale o investimento para que o Jardim Secreto, continue cada vez menos secreto!

Vai de Buzão

Fazem algumas semanas e fomos surpreendidos na TV por uma “nostálgica” campanha que nos diz como é bom viajar… de ônibus. A campanha institucional foi promovida pela ABRATI, Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros. Se você ainda não viu, confira:


Parece estranho que, em pleno século XXI, ainda existam pessoas viajando distâncias tão gigantescas de ônibus. Faz alguns anos, o mercado da aviação civil, com a entrada da Gol (pertencente ao grupo Áurea), a mudança estratégica da TAM e a posterior entrada da Azul, foi chacoalhado, com redução drástica de preços. Ir de ônibus parecia um sinônimo de evento muito especial, como carregamento de mudança e distâncias curtas.

Mas a ABRATI, que reúne as principais empresas do setor, soube explorar o problema gerado pelo cenário acima. A grande demanda reprimida. Depois da inserção do termo “caos aéreo” no vocabulário brasileiro, muitos estão se voltando ao bom e velho ônibus como participante do seu conjunto de consideração, como produto substituto. A última pesquisa da ABRATI sobre o transporte rodoviário indica que a maioria das pessoas que usam o transporte, de forma interestadual, é para passeio e férias (você pode ver a pesquisa, realizada trienalmente, clicando aqui).

A campanha é muito boa mas, ao meu ver, poderia ser mais intensa e contemplar mais mídias (incluindo internet). O apelo ainda funciona, pois temos uma boa camada da população que já viveu bons momentos nas cadeiras dos ônibus, viajando Brasil afora. Principalmente os de mais idade. Valeria a pena um pouco mais de investimento, pois o apelo nostálgico foi primoroso para mostrar a relação familiar de uma viagem rodoviária, ampliado pela sensação gostosa da descoberta de novos lugares e aliado ao conforto dos ônibus de hoje em dia. Conforto este que tem ficado em falta nas filas de espera nos aeroportos brasileiros.