Chocolate e América Latina

Seguindo o post “Cervejas Mais Consumidas“, onde mostramos as marcas mais fortes no mercado cervejeiro em todo o mundo, vamos agora para outro objeto alimentício que está no conjunto de consideração de 9 em cada 10 pessoas: chocolate.

A revista América Economia, baseada em pesquisa feita pelo Instituto Euromonitor, listou as marcas de chocolate mais consumidas nos países da América Latina. Veja o mapa:

Vemos uma tendência da preferência nos países por marcas locais. Por isso, mesmo algumas empresas, como a Nestlé, que são donas das marcas regionais, as mantém. Aliás, a marca suíça é dona de 4 das 13 marcas mais consumidas nos países listados. Vale ressaltar que no Paraguai e Uruguai, não vistos no mapa, a Garoto e a argentina BonBon disputam palmo a palmo o mercado.

A seguir, no próximo gráfico, há o consumo per capita de chocolate por país. Surpreso por encontrar o Chile e o Uruguai como os maiores consumidores, com 2,1 kg e 1,8 kg por ano, respectivamente! Achei impressionante. O Brasil aparece apenas em terceiro. A Venezuela, por causa da crise bolivariana, deve ter reduzido drasticamente este número:

Os dados da AmericaEconomia/EuroMonitor mostram que ainda há muito espaço para crescimento neste setor. A despeito da possível falta de chocolate no mundo em um futuro próximo, eu vislumbro uma saída para a concorrência neste setor: a segmentação. Chocolates Premium, sabores exóticos, tipos diferentes, recheios variados… Este deverá ser o investimento das empresas que estão no páreo ou daquelas que desejam entrar neste valoroso mercado.

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Marketing em Angola #2 – Brasil Além-Mar

Continuando a série “Marketing em Angola”, onde falo das minhas impressões sobre o lugar onde passei o mês de setembro/2014. Este post fala sobre como o angolano enxerga o Brasil e como as empresas brasileiras aproveitam isto.


Sede da Record Angola, no bairro da Talatona

Sede da Record Angola, no bairro da Talatona

Definitivamente, Angola ama o Brasil. Somos realmente irmãos de colonização desses africanos. Várias coisas fazem com que eles tenham este carinho para conosco, a começar pelo consumo de cultura nacional. E o principal ponto é a televisão.

Angola não possui TV aberta, como no Brasil. A TV a Cabo tem o mercado disputado pela DSTV e pela ZAP. Em ambas, os canais brasileiros internacionais estão entre os mais assistidos. Em destaque Globo, Record, Band e alguns programas do SBT que são transmitidos por outros canais. Então, tudo é visto por lá! Novelas, jornais, programas de auditório… Angola já teve o maior mercado a céu-aberto do mundo (desativado fazem vários anos), chamado “Roque Santeiro”, tamanho o sucesso da novela global por lá.

Mas em Angola a Globo não é mais soberana. Pelo contrário: a Record está mais no coração do angolano. Rodrigo Faro, Ana Hickman, são muito conhecidos, queridos e respeitados em Angola. Até as novelas da Record estão sendo vistas como mais empolgantes do que as da Globo. Este cenário faz entender o investimento da Record no país, onde eles têm uma sub-sede e diversas propagandas espalhadas por Luanda.


Cultura Brasileira

Enfim, a TV levou a cultura brasileira para Angola. Eles sabem tudo sobre o país luso-irmão. Alguns pontos:

1. O angolano enxerga o Brasil como país violento (potencializado pelos programas policiais). A morte de uma universitária angolana no Rio de Janeiro teve repercussão nacional por lá.
2. Música brasileira é uma das líderes de “audiência”. As rádios tocam demais a música nacional. Destacam-se: Banda Calypso, tida como a “banda brasileira mais querida dos angolanos”, Ivete Sangalo, Michel Telo (assim mesmo, sem acento). Mas ouvi de tudo, desde Roberto Carlos à Roberta Miranda. Afinal, todos os cantores famosos do país estão nos programas muito assistidos.
3. Fiquei impressionado com o tanto de torcedores do Flamengo (pelo menos usando a camisa do time) em Luanda! Praticamente vi uma camisa por dia durante a minha estadia por lá.

Marcas Brasileiras

Muitas são as empresas brasileiras que estão em Angola. Como disse num post anterior, nenhuma se compara à Odebrecht, que tem mais de 30 mil funcionários e é o maior empregador privado do país. A empresa comemorou recentemente 30 anos de Angola, com ampla comunicação. Outras construtoras e incorporadoras, como a Queiroz Galvão, estão presentes e muito bem divulgadas no país.

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Loja das Havaianas no Belas Shopping

Passeando por Luanda, você percebe claramente uma das marcas brasileiras famosas no mundo todo. As “legítimas” Havaianas estão por toda a parte. Como indicador do sucesso, já há as “piratas” também.

Restaurante Bob's Burger no Belas Shopping

Restaurante Bob’s Burger no Belas Shopping

Aí entra em ação várias franquias de marcas brasileiras. Num país com poucas empresas de fast food (o KFC é uma das poucas marcas que estão no país), é interessante ter uma marca brasileira tão destacada. No principal shopping do país, o Bob’s reina soberano nos burgers e nos sorvetes e similares.

Quiosque de "O Boticário" no Belas Shopping

Quiosque de “O Boticário” no Belas Shopping

A rede FISK, escola de idiomas, tem uma operação legal também em Angola. Já estão por lá fazem alguns anos e o franqueador é brasileiro. O Boticário também está presente, com cinco lojas e uma perspectiva de crescimento muito grande, segundo o gestor internacional da marca. Outras empresas atuam por lá, como por exemplo Mundo Verde, Sapataria do Futuro, Mister Sheik, Green Moda Infantil e Livraria Nobel.


O potencial do mercado angolano deve ser olhado com muito carinho por gestores que desejam internacionalizar operações de empresas do Brasil. É um país que ama o nosso e que vê com muito carinho aquilo que temos aqui. Vale a pena pensar com carinho esta possibilidade.