Desafios para 2016

A eMarketer publicou hoje resultados de pesquisa com gestores de marketing nos EUA, indicando quais seriam suas maiores prioridades (preocupações e investimentos) neste ano. O resultado está no gráfico abaixo:

cdgwelcw4aak4rf

Com 56% dos votos, tecnologia de marketing aparece como grande surpresa em relação ao ano anterior. Que tecnologias seriam essas? Vejamos no próximo gráfico:

206196


Fico feliz e empolgado em perceber que há cada vez mais vontade de colocar estratégias voltadas à uma orientação para o cliente e também para uma perspectiva mais relacional com o cliente. Só comprova que o Marketing de Relacionamento continua sendo a filosofia ideal de marketing para os dias atuais.


Para ver a matéria original: www.emarketer.com/Article/Whats-Topping-Marketing-Managers-2016-Wish-Lists/1013696?ecid=SOC1001

Anúncios

Cervejas do Mundo: as mais populares do mais popular

A The Economist publicou essa semana um mapa-mundi, feito pela VinePair, com as marcas de cerveja mais consumidas em cada país. Mesmo que você não goste de cerveja, a curiosidade em torno das marcas é mais forte!rs

Abaixo o mapa:

Clique para Ampliar

Como é evidenciado, cerveja talvez seja o produto onde há uma reminiscência de segmentação geográfica intocável. Parece que ela se torna a identidade de uma localidade/região/país. E isso se torna um ponto crucial para todo: relacionamento com o público; acerto no apelo e nas campanhas; construção de brand equity feita com o mínimo de imperfeições…

Enfim, as cervejarias são sempre ótimos cases de marketing, qualquer que seja o lugar do mundo onde estejam!


Quero aqui ressaltar o meu descontentamento com a falta do logo da Cerveja Cuca, em nome dos meus amigos angolanos!

“Tudo com a Paçoca”

O amor é uma coisa difícil de explicar. E quando nós vemos o “amor” que determinadas pessoas tem por marcas, parece ainda mais difícil explicar. Não para o marketing…

A Paçoquita, marca da empresa Santa Helena, líder do mercado nacional de doces e confeitos à base de amendoim, também é a mais antiga e mais lembrada marca de paçoca do país. Possui legiões de fãs e virou até sinônimo de coisa barata mas que cumpre seu papel. Tem presença em quase todo território nacional e conseguiu a proeza de ser conhecida e admirada por pessoas de todas as idades. Acabou se tornando uma espécie de “BomBril” ou “Friboi” dos doces de amendoim, um sinônimo de produto de alto padrão dentro de um mercado commoditizado.

Só por tal cenário, já poderíamos incluir a Paçoquita como um case de sucesso brazuca, na questão de comprometimento emocional dos consumidores para com uma marca relevante. Mas a Santa Helena foi adiante. Muito provavelmente percebendo o nível de atitude positiva para com a sua marca de paçocas, “leu” o seu mercado consumidor e criou um produto, acima de tudo, empolgante: a Paçoquita Cremosa.

Vídeos pululavam na internet sobre como fazer uma espécie de “Peanut Butter” de paçoca, com as mais diversas receitas, mas sempre usando a Paçoquita como ingrediente principal. E não é que a Santa Helena captou a mensagem? Com o apelo quase sem intenção do público, a marca fez o dever de casa de todo profissional de marketing que tem um produto estabelecido na área de maturidade no seu ciclo de vida: criou uma outra forma de utilização do mesmo.

Unindo isso a um brand equity mais que favorável, só restava para a marca montar uma estratégia que valorizasse os aspectos de um bom relacionamento de marketing: qualidade percebida, confiança do consumidor, comprometimento afetivo e emocional, além de uma comunicação efetiva. O resultado não poderia ser mais perfeito: a Paçoquita Cremosa se tornou um fenômeno em seu lançamento na primeira semana de julho de 2014. O que motivou a campanha “Caça ao Tesouro”, dando um ar de lenda urbana para o produto, incitando ainda mais o público a tentar encontrar o danado. Até um fã fez um site onde, dentro de uma janela do Google Maps, se indicava os locais onde o produto foi visto sendo vendido. Que loucura!

A inundação que rolou sobre o tema nas mídias sociais nas semanas seguintes foi estarrecedora. Era muita gente mesmo falando sobre o produto. Digo que vi poucas coisas parecidas, em se tratando de um bem de consumo, com o burburinho que gerou o produto desde o seu lançamento. Foi muito legal de se ver. Em tempo: diferente do que se pode pensar, ao indicar que paçoca é um doce para gente mais velha, o maior engajamento nas mídias sociais da Paçoquita é do público entre 13 e 17 anos. Ponto pra ela!

A Paçoquita ganhou o rótulo de “Nutella Brasileiro”, numa clara menção ao doce de avelã que é sinônimo de iguaria superior. Não tenho dúvida de que a Santa Helena vai continuar surfando nesta nova onda e não deixará a peteca cair, em se tratando de valorizar ainda mais o vínculo emocional do público com seu produto. Podemos dizer que a Paçoquita está seguindo os passos das grandes marcas ao tratar o consumidor mais como um parceiro do que um simples cliente.

A gerente de marketing da marca, Luciana Persoli, indica que o objetivo do produto é de estar cada vez mais presente na vida do brasileiro. Não tenho dúvidas de que vai conseguir. Paçoquita Cremosa está estabelecendo uma lovemark no Brasil. Acredito que, assim como diz o nome das contas oficiais da marca no Twitter e no YouTube (Amo Paçoquita), vamos continuar amando a Paçoquita! E não estou falando simplesmente do produto…


Algumas menções na mídia:

FOLHA DE S.PAULO – Paçoquita Cremosa vira febre nas redes sociais e gera filas
EXAME – Por que você não acha Paçoquita Cremosa no seu supermercado
EXTRA – Busca por Paçoquita Cremosa vira ‘caça ao tesouro’
BUZFEED – Tudo que você quer saber sobre Paçoquita Cremosa / Homem consegue comprar Paçoquita Cremosa e faz unboxing no Twitter (ESTE EU RECOMENDO DEMAIS)


Ainda não experimentei a Paçoquita Cremosa… alguma dúvida de que aguardo ansiosamente?rs… Chega logo na Bahia!!!!

Marcas e Selvageria

Esta semana aconteceu, mais uma vez, cenas lamentáveis no futebol brasileiro.  A briga das torcidas de Atlético Paranaense e Vasco ganhou repercussão mundial e foi mais longe do que noticiários esportivos e policiais. Esta semana, a Nissan decidiu rescindir seu contrato com o time carioca, de forma unilateral. Veja abaixo o comunicado oficial da marca japonesa sobre o assunto:

Com isso, o Vasco deixará de receber R$ 21 milhões do patrocínio Master. Um grande baque para o já combalido clube.

Deixando de lado informações sobre uma parceria já desgastada e também sobre justiça de uma decisão dessas, cabe uma reflexão de marketing. O interessado nessa história é o Vasco da Gama, que teve sua imagem muito arranhada nesta história. A sua associação impensada (que não é uma coisa que, aparentemente, acontece em TODOS os grandes clubes do país) com as briguentas torcidas organizadas fez com que o clube perdesse um investidor. Em outras palavras, seu produto não é confiável.

Para uma marca como o Vasco, ter um produto ruim já é difícil de se gerenciar. Agora, um produto ruim e pouco confiável é muito pior. Agora será muito trabalho para achar uma marca que queira se associar com um clube nesta situação. Grandes marcas tem muita noção do que uma associação ruim pode fazer ao seu brand equity. Não será fácil!

O Verdadeiro Sucesso

Foi com um misto de espanto e curiosidade que vi, nas mídias sociais, o buzz sobre um comercial da Mercedes que usava a famosa “canção” Lek, Lek, Lek. Mesmo estando no ocaso d0s memes da internet, a performance do “Passinho do Volante”, do Mc Federado (que chegou a 32 milhões de visualizações no YouTube) ainda era muito conhecida e estava na boca do povo.

Aí veio a ideia mágica, sensacional, de um esperto publicitário, responsável pela campanha do Mercedes Classe A. “Por que não colocamos o Passinho do Volante para apresentar o comercial?”, deve ter pensado ele. O resultado iria ser interessante: iria virar um viral, o pessoal ia achar engraçado, milhares de compartilhamentos no Facebook e menções no Twitter. E, realmente, foi o que houve. Uma versão apenas para internet foi lançada tendo a inimaginável junção de um Mercedes com um funk popularesco.  Pra quem não viu, veja abaixo:


Infelizmente, para a Mercedes, o público não é tão cognitivamente fraco quanto se imaginava. Rapidamente comentários duvidando do bom gosto da marca, bem como da qualidade do comercial e da sua trilha sonora, outrora campeã, pulularam na internet com tamanha força que a versão televisiva da campanha foi irrisória. É fato que a vinculação da marca foi uma decisão errada.

No meio deste processo, achei que estaríamos em um sombrio tempo onde se pensaria mais no fácil do que no criativo. Até que um lampejo apareceu. E na mesma categoria de negócios. Este lampejo foi a campanha “Corrida Maluca”, do novo Peugeout 208. Apelando  exatamente para um desenho que fez sucesso na infância e juventude do público-alvo da marca, foi instantânea a sua repercussão positiva. Mais uma vez, pra quem não viu, olha aí:


Difícil achar quem não ficou empolgado em ver, “em carne e osso”, a Quadrilha de Morte, Dick Vigarista e Mutley, Barão Vermelho, entre outros, (além da linda Penélope Charmosa). Uma ótima associação.

Aliás, associação de marca é o tema que rege este estudo de caso. Toda marca deve ser bem associada com atributos que sejam verdadeiras extensões do seu posicionamento e daquilo que a marca representa. David A. Aaker, um dos mais aclamados experts em Branding nos indica, no seu livro “Brand Equity”, que as decisões de associação de marca “determinarão não só o sucesso de curto prazo mas também a viabilidade de longo prazo, porque as associações precisam dar apoio às vantagens competitivas que sejam sustentáveis e CONVINCENTES” (pág. 164). Percebe-se que uma destas campanhas se encaixa perfeitamente neste ponto, enquanto outra deixa a desejar.

A Mercedes-Benz ignorou o seu belo e eficaz posicionamento de carro de luxo, voltado para um público diferenciado e colocou um tosco funk para representar sua marca. Do outro lado, a Peugeot se uniu à um dos desenhos de maior sucesso da história, trazendo uma cultura de amizade e diversão para o seu produto. Deixo vocês decidirem qual é o VERDADEIRO SUCESSO: O caminho mais fácil ou o caminho da criatividade e da decisão estratégica feliz.