Se Ligaê

Alma e Coração. No mês de julho de 2016, os cantores Thiaguinho e Projota lançaram a canção com este nome. Com pompa e circunstância, foi apresentada aquela que seria a música oficial dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Seria… mas não foi. Pelo menos no Brasil.

Duvido que alguém que viveu no Brasil e acompanhou os jogos pelo menos durante alguns minutos, em alguma mídia, não tenha ouvido esta música. E, ligado imediatamente a tal canção às Olimpíadas e à torcida brasileira. Claro que estamos falando de “Se Ligaê”. Se você não ligou o nome à música, ouça e relembre:

 

Sergio Mendes, Baby do Brasil e Rogério Flausino: os intérpretes de “Se Ligaê”

A música é a trilha sonora da campanha “Agora é BRA”, do banco Bradesco. O comercial criado pela WMcCann, do mago Washington Olivetto, “pegou”. Uma parceria fenomenal entre Rogério Flausino (do JotaQuest), Baby do Brasil e o grande e premiadíssimo Sergio Mendes. Aliás, Sergio Mendes já tem alguma experiência com músicas olímpicas. Nos jogos de 1984, em Los Angeles, ele foi o compositor e produtor da canção-tema, Olympia (clique aqui pra ver). E ainda conta com a voz de Seu Jorge no final, assinando o comercial com a marca.

“Se Ligaê” embalou o Brasil. E com isso levou a marca Bradesco ao status de queridinha do Brasil nas olimpíadas: pesquisas mostram que a marca está entre as mais lembradas pelo público, entre as ligadas aos jogos.

Algo semelhante aconteceu durante a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Mesmo com o grande sucesso da música oficial do torneio, “Waka Waka” cantada pela colombiana Shakira, a música mais lembrada daquela época foi a canção “Wavin’ Your Flag”, gravada pelo cantor K’Naan e impulsionada pela Coca-Cola, que chamou sua versão de “Celebration Mix”. A estratégia da Coca-Cola foi arrojada: fazer ‘duetos’ da canção com cantores de diferentes nações, fazendo o lançamento da música em diversos países. Na época, “Wavin’ Your Flag” foi uma das músicas mais pedidas nas rádios do país, que teve Samuel Rosa, do Skank. Lembre essa canção-chiclete:

 

No caso da Coca-Cola, o impacto de “Wavin’ Your Flag” na comunicação da marca foi tão intenso, que as notas iniciais da música se tornaram o jingle de assinatura das campanhas da marca até hoje. A marca até tentou fazer a mesma coisa com os jogos olímpicos, da qual também é um dos patrocinadores oficiais, mas, pelo menos no Brasil, a canção “Gold Feelings” não teve tanta repercussão (clique aqui para ver).

O Bradesco bolou uma estratégia grande em torno de “Se Ligaê” e da campanha “Agora é BRA”. Além da maior ação, que foi o patrocínio oficial dos Jogos Olímpicos e patrocinar a Tocha Olímpica e seu tour pelo país, o Bradesco utilizou-se da rede de rádios no qual já é patrocinadora também, que são as rádios da rede Bandeirantes: Band FM, BandNews FM, Nativa FM e, claro, a rádio que leva seu próprio nome e é focada em esportes: Bradesco Esportes FM, que tocavam a música incessantemente (no caso da última, a música era tocada em todo momento de transmissão de alguma partida ou ato olímpico). Além disso, Bradesco comprou espaços em todas as emissoras que tinham direitos de transmissão dos Jogos, se tornando o maior anunciante dos jogos olímpicos (491 inserções). Que spot veicularam? Obviamente, o clipe de “Se Ligaê”. Sem falar que todas as postagens em todas as redes sociais da marca giraram em torno da hashtag #AgoraéBRA, que remetia diretamente o leitor à sua canção-tema.

wzap

O impacto da canção foi muito grande. O Bradesco está surfando o máximo no sucesso da canção e ainda está utilizando a melodia nos spots de TV e Rádio da campanha #AgoraéBRA na internet. E faz certo. Não é todo dia que um jingle ganha o Brasil e faz com que a audiência a ame/odeie. Sim, odeie também. Ao meu ver, ter pessoas que fazem questão de dizer que não suportam mais a tal música é sinal do sucesso da mesma. E este é um exemplo, um case de sucesso. Sem dúvida, o Bradesco foi um dos grandes campeões desta olimpíada!

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Samarco e o “timing”

Timing é o desafio do profissional de marketing e comunicação de unir de forma certeira proposta e tema de campanha, apelo e, acima de tudo, o tempo certo de colocar a campanha no ar. Algumas campanhas se valem de temas políticos, quando em períodos de eleição. Outras utilizam-se de grandes eventos, como Olimpíadas e Copa do Mundo, por exemplo. Uma campanha com um bom timing é melhor assimilada pelo consumidor, pois este está imerso dentro do tema.

Não foi isso que vemos com a recente campanha de comunicação de marketing da Samarco Mineradora. Responsável direta pela maior catástrofe ambiental da história do Brasil, o desafio de melhorar a imagem institucional depois da destruição do povoado de Barra Longa, em Mariana-MG, é gigantesco para as equipes que comandam o branding da organização. Mas a necessidade de dar uma resposta ao público fez com que a organização trocasse as “mãos pelos pés”.

Veiculada inicialmente no horário nobre do domingo na TV Globo, a campanha que já tinha saído no YouTube, tentava trazer um apelo emocional, onde afligidos pela tragédia, funcionários da empresa e líderes públicos pareciam ser parceiros no evento. O tom de emoção em dizer que a empresa estava fazendo a parte dela, ajudando os desabrigados e as famílias da região soaria bem em qualquer circunstância, exceto pelo erro do “timing”.

Em nota, a Samarco afirmou que a campanha publicitária “tem o objetivo de prestação de contas à sociedade das ações que a empresa vem realizando para a mitigação das consequências socioeconômicas e ambientais do acidente com a barragem de Fundão”. Ótima ideia. O problema é que faltou falar com a sociedade em geral. Depois de um “acidente” desses, que tão profunda chaga deixou na sociedade brasileira, comunicar de forma a mostrar a Samarco como amiga que prima pelo afeto e cuidado com as pessoas atingidas não era o que se esperava.

A Samarco, com esta campanha, tratou o desastre das barragens de rejeitos que soterraram Barra Longa como uma coisa comum, remediável. Em certa altura, parecia que estávamos assistindo a uma propaganda política, com um candidato mostrando o seu passado ilibado e como ele prioriza o povo em primeiro lugar. O povo brasileiro, a quem se destinava a comunicação, reagiu bem diferente do que eles esperavam. As mídias sociais foram inundadas com mensagens de repúdio ao comercial. A desaprovação foi em massa, coisa rara nessa época das mídias sociais que polarizam pensamentos.

samarcolamaNão, Samarco, não é o tempo para emoção, e sim para razão! Primeiro lugar, anunciar no horário mais caro da TV brasileira (entre outros)? Por que não só internet? Imagem arranhada pelo que pareceu desperdício de recursos. Segundo lugar: não é hora de colocar pessoas emocionadas pelo seu trabalho nas diversas telas. Os anúncios deveriam ser estritamente informativos daquilo que a Samarco, por obrigação tem que fazer. Mostrar os alvos alcançados. Direto, rápido, sem profundidade emocional. A ferida ainda é recente para a sociedade brasileira. Não se pode vacilar! Pura razão, Samarco… razão e não emoção!

O erro principal da Samarco foi o timing. Acharam que era a hora certa mas não era. Erraram por muito, na verdade. Como disse, a ferida ainda está recente. O comercial não é ruim, longe disso. Tecnicamente muito bem feito. Mas o erro de timing pode ter transformado a comunicação de marketing de uma empresa que necessita mais do que nunca de melhorar sua imagem,  numa lama ainda maior. Lama essa que, desse jeito, vai ser difícil de sair.

Cannes Lions 2015 – Highlights

O maior evento mundial da publicidade está acontecendo. O Cannes Lions este ano está recheado de campanhas muito legais (e outras surreais), debates bem interessantes, entre outras coisas.

Mais pra frente, como em todos os anos, farei uma análise das campanhas premiadas e apresentarei aqui para vocês. Por hora, confira os highlights do evento, vendo o que aconteceu de mais legal em cada um dos dias.

DIA 1 – Fundador do Tinder, SY Lau, a artista Emilie Baltz and BrandOpus.

DIA 2 – Marilyn Manson, Evan Spiegel, Jessica Walsh and Syl Saller

DIA 3 – Clipes do Pharrell Williams, Jamie Oliver, Tim Berners-Lee and Sir David Brailsford

DIA 4 – Sir Martin Sorrell, R/GA, Julia Louis-Dreyfus and Kim Kardashian West

Evento de altíssimo nível. Vai muito além do que a premiação. As discussões sempre muito bons! Enjoy it!

As propagandas do Super Bowl XLIX

University of Phoenix Stadium, palco do Super Bowl XLIX. Na foto, o Show do Intervalo, patrocinado pela Pepsi.

Último domingo (01/02/2015) foi dia do SuperBowl XLIX, a final do campeonato de Futebol Americano. Claro, lá estava eu assistindo, mais um ano grudado na ESPN, com os craques Everaldo Marques e Paulo Antunes. Foi um jogaço, sem dúvida. O evento, um espetáculo que é difícil de descrever em palavras.

Mas, obviamente, como profissional de marketing, o SuperBowl tem pra mim uma outra face tão empolgante quanto o jogo em si. Sem dúvida, esta é a maior vitrine publicitária do mundo. As empresas se esmeram em criar os mais empolgantes spots, na certeza que milhões de pessoas verão, julgarão, se emocionarão (ou não) com a sua marca. Este ano, a NBC foi o canal de televisão que transmitiu a partida. Cada spot de 30″ teve um custo na casa de US$ 4,5 milhões. Já adiantei aqui no blog como estava o cenário para os intervalos do programa (clique aqui e veja o post).

Como o evento transmitido pela ESPN Brasil não mostra os comerciais originais (que lástima!), o jeito é correr pro YouTube para ver os comerciais. Assisti algumas vezes todas os quase 70 comerciais transmitidos no SuperBowl e posso dizer que a grande maioria é muito legal de ver e tem um bom gosto e bom humor interessantíssimos.

Como é muito difícil eleger as melhores (como disse, são muito boas), elegi as cinco melhores e faço uma análise destas campanhas que, na minha opinião, foram campeãs. Ou seja, conseguem transmitir bem o posicionamento de marca, tem uma mensagem de fácil assimilação, passam emoção (seja ela qual for) à audiência e se vinculam com o padrão de comunicação da marca. Eis elas:

– Real Life PacMan – Bud Light

Já poderia ser o vencedor na categoria Storytelling. A Bud Light criou um tabuleiro gigante que reproduzia exatamente o arcade “Pac Man” (ou come-come, como chamávamos no Brasil). O vídeo mostra um consumidor aleatoriamente escolhido para viver o bichinho no jogo real, com direito a plateia e muita música. A campanha foi um sucesso e teve mais de 100 milhões de visualizações e um monte de gente pedindo para a marca fazer o arcade gigante em mais cidades.

– #LikeaGirl – Always

A marca brincou com o estereótipo “mulherzinha” e conseguiu um recall fantástico. Entrou pro time de marcas como a Dove, que consegue conversar com o público feminino através de campanhas cada vez mais emocionais.

– #RealStrenght – Dove Men+Care

Essa tocou meu coração…(risos). Dove sendo Dove. E conseguiu levar a sempre tão enfatizada Vida Real para o público masculino também. Show em vínculo com público e posicionamento de marca.

– Pay With Lovin’ – McDonald’s

Foi um vídeo para divulgar alguns primeiros resultados da campanha “Pay With Lovin'”, onde o sistema POS do restaurante escolhe aleatoriamente um consumidor que, se fizer alguma coisa amorosa previamente escolhida, não pagará nada pelo seu pedido. O vídeo, em si, não é um primor da cinematografia, mas é o que mais motiva à ação entre todos o veiculados no SuperBowl (que faz o consumidor querer imediatamente ir à loja), o que é extremamente importante. Em um próximo post, conversarei mais sobre esta fantástica campanha.

Menções Honrosas: Invisible Mindy Kaling, da NationWide / Because Burrito, da GrubHub / Big Game, da Coca-Cola / Lost Dog, da Budweiser / Revenge, do Clash of Clans

Bola Dentro Total: Pepsi e o patrocínio ao estupendo show da Kate Perry no interval.

Troféu Peba: Sprint. O pior comercial que vi nos últimos tempos.

Outros Pontos interessantes:
– Quatro spots tiveram o mesmo tema: Relacionamento com o Pai (dad).
– Foi o SuperBowl das empresas de pedido de comida pela internet. GrubHub e Eat24 apareceram pela primeira vez. O Vix.Com fez um comercial enfocando empresas que vendem comida pela internet também.
– Os comerciais de automóveis foram decepcionantes.
– Me surpreendeu a quantidade de seguradoras que anunciaram este ano.

Para você que está ansioso para ver os comerciais, é só assistir na Playlist abaixo, que botou os spots na ordem em que foram veiculados. Enjoy it!

Superbowl XLIX Promete

O SuperBowl é, sem dúvida, o maior frenesi publicitário do mundo. A final do futebol americano movimento centenas de milhões de dólares, no que são os 30″ mais caros em propaganda no mundo. Este ano, o canal responsável pela transmissão é a NBC, que ocorrerá em 1º de fevereiro de 2015. Ainda há espaço para compras, que este ano tem ocorrido em ritmo lento, mas a grande maioria já foi vendida.

A Advertising Age fez um raio-x dos anunciantes que já compraram espaço, nos dando uma prévia do que veremos neste momento criativo e que é uma ode à comunicação de marketing. Confira:

Anheuser-Busch InBev
Repetindo o ano passado, onde comprou espaço para três anúncios, a empresa deve focar em campanhas para a Budweiser e a Bud Light, cervejas preferidas dos americanos e símbolo de curtição em momento esportivo. É praticamente impossível pensar em publicidade no SuperBowl e não ter nenhum spot destas marcas.

PepsiCo.
Comprou dois espaços de 30 segundos, onde vai focar na marca Doritos. Provavelmente deve trazer a campanha “Crash the SuperBowl”, um concurso onde os consumidores interagem com as propagandas. A empresa faz parte do rol de anunciantes pelo seu nono ano consecutivo.

Loctite
A empresa investirá quase todo o seu orçamento anual de propaganda numa série de anúncios da Super Bonder no Superbowl, que estará ligada à campanha #WinAtGlue.

McDonald’s
Depois de alguns anos fora, a marca volta ao rol de anunciantes do SuperBowl. Mas ainda não deu indicações sobre o tema da campanha. Especula-se algo com o “Amo Muito Tudo Isso” (campanha institucional).

Mercedes-Benz
Ainda não confirmado o tema, mas a marca, que volta depois de um ano fora, comprou um espaço de 60 segundos.

Mophie
É uma debutante no SuperBowl. O foco será o aumento do reconhecimento e ressonância da marca de aparelhos para carregamento de smartphones.

Pepsi-Cola
Será o patrocinador do halftime. Este ano, ainda a confirmar, a Kate Perry.

Skittles
Outra empresa que fará sua estreia no SuperBowl. Também não se sabe qual será o tema da comunicação.

Toyota
A empresa se recusou a dizer qual o tema, classificando-o com “estratégico”.

Wix.com
Comprou um spot de 30″. Também é caloura no SuperBowl. A empresa tem investido pesadamente em TV nos EUA, América Latina e Europa e o SuperBowl será uma espécie de ápice deste investimento.


 

Qual será a melhor delas? Já se iniciam as apostas!