Magalu Nerd?

A compra do site e plataforma Jovem Nerd anunciada hoje pela Magazine Luíza, a Magalu, nos traz algumas dúvidas quanto ao impacto de uma aquisição tão longe do core business da empresa.

Está perceptível que a empresa de Luíza Trajano está diversificando seus negócios e se transformando numa espécie de holding. A aquisição é a forma mais comum de diversificar em outro setor, pois você quebra barreiras de entrada que teria se tivesse que montar um novo negócio do zero neste novo setor.

No entanto, há algumas armadilhas neste meio que faz a gente imaginar como será o futuro do Jovem Nerd, um grupo tão amado pelos seus fãs, agora sob a batuta de um grupo que tem no varejo de bens de consumo o seu principal negócio.

A primeira delas é tentar refazer tudo através de uma nova diretoria para o negócio. O Jovem Nerd e o Azaghal são a cara do seu produto. Se forem substituídos, tanto como mente criativa quanto como apresentadores, dificilmente o seu público ficará no novo Jovem Nerd (eles disseram no anúncio que não vão sair, o que já é ótimo, mas e a liberdade criativa?). Talvez uma liderança sênior que pense em novidades para o grupo Jovem Nerd como um todo seja muito bem vinda, deixando os protagonistas apenas pensando criativamente. E, claro, ganhando dinheiro.

A outra armadilha é se haverá potencial para criação real de uma vantagem competitiva para a Magazine Luíza. Como dizem Gamble e Thompson Jr., “sem o potencial das adequações estratégicas para a vantagem competitiva, o desempenho consolidado de um grupo de negócios não relacionados não é melhor do que a soma que poderia ser obtida pelas unidades de negócios consideradas isoladamente”.

Abaixo o vídeo de anúncio por eles:

Abraços!

Encontro de Marketing da ANPAD – Dia 2

O segundo dia do EMA (16/05) começou com as apresentações de trabalhos. Dou destaque para alguns dos trabalhos na área de Tecnologias e Interatividade (Tema 10):

Você pode clicar aqui para ver o resumo feito pelo Prof. Vinicius Brei, coordenador da área de marketing da ANPAD, sobre os dados principais do EMA 2016.

 

Lojas Renner: Aula de Marketing

Recentemente, o jornalista Geraldo Samor, de Veja Mercados, fez uma entrevista interessante com José Galló, CEO das Lojas Renner. Galló fala um pouco de assuntos diversos, entre eles Crises econômica e política, o mercado do fast fashion, expansão… Uma verdadeira aula de marketing com um dos principais CEOs do varejo brasileiro. Confira o áudio da entrevista:

Roteiro:

Kotler e os novos desafios do Marketing

Neste post temos o privilégio de ler um texto escrito pelo Prof. Dr. Antônio Carlos Giuliani, grande mestre e amigo, meu orientador do mestrado em Marketing e Estratégia na UNIMEP-SP. Reproduzido com autorização (agradeço muito, mestre!), o texto versa sobre a participação do Dr. Giuliani no HSM New Leaders realizado em São Paulo, mais particularmente numa palestra do “papa do marketing”, amado por uns, odiado por outros, Philip Kotler.

Originalmente publicado no Jornal de Piracicaba, em 06/09/2014


Tive o prazer de participar essa semana, do maior evento de marketing do ano realizado pela HSM New Leaders, no World Trade Center, com a autoridade mundial em Marketing, professor Philip Kotler, possui mais de 50 livros lançados sobre o tema e suas variações. Enumero alguns pontos importantes abordados como contribuição.

A gestão do novo marketing exige dos profissionais, compreender como enfrentar os desafios globais a hipercompetição entre China e Índia, construir sua organização voltada para o marketing, consiste em saber definir o diretor de marketing ou o seu CMO – Chief Marketing Officer, adequado para dialogar com ciclos de vida mais curtos de produtos e empresas, ter clareza de que seu papel concentra-se na elaboração do plano de crescimento futuro da empresa, passar do marketing tradicional para o digital; adotar o marketing 3.0 e a responsabilidade socioambiental empresarial. O poder está passando para os compradores, 58% dos consumidores hoje, pesquisa produtos online antes de comprar, 79% dos consumidores afirmam usar um smartphone para ajudar nas compras, atenção para uso do mobile marketing, os compradores do mercado B2B business to business já não querem nem mais ver vendedores pela frente.

O mercado hoje, exige um processo de gestão de marketing pautado em planejar investimentos de marketing, criação de modelos de demanda, gerenciar os recursos de marketing, executar a gestão de campanhas, de leads, de eventos, da fidelidade, de mídias e mensurar o retorno sobre os investimentos em marketing. A marca precisa tocar o sentimento das pessoas, causar boa impressão, utilizar os canais tradicionais e digitais, para ressaltar o motivo que faz de seu produto melhor que os da concorrência. Cada vez mais sua empresa, marca, será avaliada pela responsabilidade socioambiental empresarial, certifique-se do cumprimento da legislação ambiental, da produção de produtos melhores, com menos impacto no meio ambiente, focar todas as fases do desenvolvimento de produtos, desde a pesquisa e desenvolvimento, até marketing e vendas . Toda empresa deve estabelecer uma relação com a sociedade, pautada, no que é bom para a sociedade é bom para as empresas, ou seja, deve descobrir como melhorar não só sua produção, mas também seus resultados.

As estratégias tradicionais de marketing, proporcionam retorno cada vez menores, buscar a inovação, torna-se vital para o sucesso com mais concorrentes, surgem dificuldades para capturar um volume elevado do mercado, de modo que um novo participante tende a se mover para um nicho de mercado, sua empresa precisa conciliar marketing e inovação, ambos produzem resultados. A inovação não é natural numa empresa, é mais natural continuar fazendo a mesma coisa, ou tentar aumentar a eficiência, em vez de buscar coisas novas para fazer. Parafraseando Kotler, muitas inovações falham, mas companhias que não inovam morrem. Não crie vendas, procure estabelecer relações com seus consumidores, é preciso mudar do marketing de transação para o de relacionamento, as empresas precisam focar em fazer mais pelo consumidor.

Repensar a distribuição de verbas nas mídias e aumentar sua presença online é imprescindível. Para Kotler, num futuro próximo, as verbas de mídias ficarão divididas entre, 50% para mídias digitais e 50% nas chamadas velhas mídias. As lojas terão de repensar sua razão de ser, o varejo se transforma rapidamente se possui uma loja física, é preciso alinhar sua logística com compras online, é afirmativo que as lojas físicas não desaparecerão, mas precisam ser reinventadas para se tornarem atrativas, para justificar o tempo e a preferência de comprar em uma loja física, em detrimento da comodidade em comprar online.

Kotler ressalta também a importância do Brasil para os negócios da América Latina, a globalização afeta o Brasil, pois, muitos produtos estão vindo de fora com preços mais baixos e competindo com os nacionais. Para contornar isso, é preciso que o Brasil trabalhe com seus vizinhos, ele deve ser o líder da América Latina, o professor afirma que nosso país precisa ter mais responsabilidades do que ser um país bem sucedido. O Brasil deve ajudar outros países, e expandir suas marcas para toda a América Latina. Aponta que podemos vender nossos produtos para Europa e na Ásia, mas, o nosso consumidor natural está mais próximo, e são nossos vizinhos.

Sua exposição convidou a todos os participantes à um repensar do verdadeiro conceito de marketing, das novas tarefas e desafios de um diretor de marketing, e do papel de focar no marketing holístico interno, integrado relacionamento e socialmente responsável, não podendo ser apenas um departamento, cujos recursos são utilizados por Vendas e por outros departamentos, conforme necessários e de forma desordenada. Encerra sua brilhante exposição com a seguinte frase para reflexão: “Se, daqui a cinco anos, você estiver no mesmo ramo em que está hoje, seu negócio não existirá mais”.

Antonio Carlos Giuliani é professor e coordenador dos cursos de Mestrado Profissional e Doutorado em Administração e MBA em Marketing e Negociação da UNIMEP-SP. Site: Conversando sobre Marketing – http://giulianimarketing.blogspot.com

Início do Fim

Esta semana conheci um novo produto que me empolgou como há muito tempo não havia ficado. Achei até que valeria mais do que eu citar apenas na minha série #ProdutosPerfeitos no Twitter.

Sem mais delongas, o produto é o HelpOuts, do Google. Um ambiente virtual onde você, como um possível prestador de serviços, pode dar uma “ajuda” a alguém, em formato de teleaula. A grande sacada do HelpOuts, diferente de uma teleaula comum, é o AO VIVO. Nada pré-gravado. Tudo feito de acordo com a necessidade do cliente, aquele que procura a “aula” para resolver um problema, que pode ser pequeno, como uma receita de bolo, ou um maior, como um plano de marketing.

Veja o vídeo oficial do produto:

Vejo neste produto um importante passo para o futuro do Marketing e também em direção ao rumo de dois dos pontos críticos da Sociedade em Rede e da Cibercultura: o colaboracionismo e o crowdsourcing. Imagine só o mundo onde todos podem ser, além de consumidores, geradores de produtos para consumo? Qualquer pessoa, com acesso a internet, pode ensinar aquilo que sabe para outros, sendo paga por isso (ou não, se a pessoa decidir fazer isso de forma solidária). Pra qualquer público! Um adolescente pode ensinar origami. Uma senhora pode ensinar a fazer quitutes. Um empresário pode ensinar a fazer um orçamento para pequena empresa. Não há preconceito com nenhum tipo de segmento e tipo de serviço.

Outro ponto: não há fronteiras! Uma pessoa do Quênia pode dar uma aula sobre cultura local para alguém no Japão. A barreira da língua está a ponto de ser transposta também. Com as ferramentas que estão cada vez mais modernas geradas pelo próprio Google e outras empresas, a possibilidade de se fazer legendas automáticas está aí às portas. Sem falar do Google Translator.

E agora? Se este produto “pegar”, muitos serviços e produtos existentes podem, simplesmente, sumir. Para que pagar aulas de instrumentos? Para que comprar manuais de qualquer gênero?

Amigos, creio que estamos vendo a história do Marketing sendo escrita. Um paradigma diferente, que pode resultar em uma “antiguização” da forma de se fazer marketing. O mundo colaborativo, clássica base da cibercultura, tem trazidos inúmeros desafios para toda a gestão. Cabe a nós nos adaptarmos a isso.

E aí pergunto: Como se adaptar? E vou além: Será o início do fim do mainstream de se fazer marketing?