Alpargatas em Dobro

Saiu hoje um comunicado feito pela Alpargatas, dona da marca Havaianas, de que vem aí uma estratégia arrojada. Segundo a informação dada pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), até 2016 a empresa quer levar sua receita do patamar atual de R$ 2,6 bilhões para algo entre R$ 5 ou 6 bilhões. Ou seja, o dobro das vendas atuais.

Um salto e tanto, não acham? O rumo estratégico traçado pela Alpargatas tem quatro pilares, como indicado no comunicado à CVM. Abaixo apresento tais pilares e algumas considerações do que acho que será importante para a empresa pensar, em se tratando de marketing, para que os objetivos sejam alcançados. Ei-los:

  1. Aumento significativo de venda das Havaianas no mercado nacional – Talvez este seja o objetivo mais “fácil” de se alcançar. Com a inegável fome de consumo que estamos vivendo com a chegada forte das classes C e D (quase metade da população nacional), este aumento não deverá ser um desafio tão grande. A linha de posicionamento de marca que as Havaianas possuem hoje, chega ao coração desta faixa de consumidores. Uma preocupação são os preços dos produtos. Talvez uma estratégia a ser realizada é uma baixa de preço entre 10% a 20%, para alcançar este público e/ou adaptar produtos pra este público. Com isso, a marca combateria as talibãs, fazendo com que o público de mais baixa renda tivesse acesso ao produto;
  2. Expansão da presença da marca Havaianas no mercado internacional – Hoje as Havaianas já são vendidas em 81 países. Esta expansão não vai ser tão simples assim. E a política de um preço premium para o exterior não deve ser abandonada, na minha opinião. O desafio é gerar mais vendas em países um pouco diferentes, culturalmente, do Brasil, como países asiáticos e boa parte da Europa. Aliás, a crise nesta região vai transformar o bem em ainda mais supérfluo. Uma ideia é voltar as origens da internacionalização da marca, entrando em projetos conjuntos com empresas e eventos locais. Outra ideia é o pensamento de expansão das lojas, em formato grife, em alguns pontos importantes emergentes, como Moscou, Xangai, África do Sul e, principalmente, América Latina;
  3. Fortalecer a Topper e a Mizuno na América do Sul – A América Latina não foi (ainda) tão atingida pela crise internacional. Acaba sendo óbvio o investimento voltado para estes países. A Topper já vem bem, com presença se massificando no mercado argentino. Mas o mercado esportivo latinoamericano é muito grande e tem espaço. Países como o México, Chile, Peru e Colômbia, por exemplo, tem bons e receptivos mercados. O desafio maior será a Mizuno, marca forte no sentido de qualidade, mas ainda longe dos esportes mais populares da região, exceto no Baseball, vender um posicionamento diferente das gigantes, como Nike, Adidas e Reebok, entre outras;
  4. Aumentar o número e penetração geográfica das lojas próprias – A empresa já tem mais de 300 lojas espalhadas pelo mundo, sendo a grande maioria ainda em solo brasileiro (Lojas Havaianas e Timbaland). Este é um desafio não muito grande, mas há uma colocação: talvez sortir mais lojas fora de grandes centros comerciais e trazer as lojas da marca para comércios mais populares;

Pra terminar, deixo-vos o recém-lançado vídeo das Havaianas sobre como são feitas as artes publicitárias, sem base de Photoshop, mas com contratação de artistas, como Pirecco, que assinou a última arte-base da campanha:

Anúncios

Participe com sua opinião!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s