Facebook e WhatsApp – Reflexões Mercadológicas

Foi com alguma surpresa que o mundo recebeu a confirmação da compra do WhatsApp, o fenômeno da mensagem instantânea, pelo gigante Facebook. O anúncio veio direto do próprio Mark Zuckerberg, na sua própria conta na rede social. O preço? 16 bilhões de dólares. Muita grana para um serviço que não gera tanto retorno assim, pensou a maioria. O que essa aquisição vai representar, em termos de estratégia e marketing?

A aquisição de uma empresa com competência e know-how, fortemente posicionada, vale muito a pena. Aí está o primeiro ponto importante para se analisar: o Facebook manda mensagens para seus acionistas, ao indicar que está adquirindo um negócio de ponta, querido e bem posicionado.

Outra reflexão parte daquela máxima que estamos ouvindo constantemente: o Facebook está perdendo usuários e sumirá em breve. Realmente tem gente que gosta de eventos cataclísmicos e apocalípticos. Se nem o Orkut sumiu, o Facebook sumirá? A questão em voga não é número de seguidores ou de usuários, mas sim a relevância do serviço. O Facebook, por mais que tenha perdido o mojo inicial, ainda tem uma relevância assustadora e, consequentemente, fortíssima. É um recurso inigualável e de difícil cópia. A ascensão de outras redes, como o Instagram, Pinterest e o próprio WhatsApp, não fez a relevância do Facebook diminuir, pelo contrário. E a compra desta última, bem como o do Instagram, trouxe confluências interessantes, que fez com que a relevância da rede do Mark se mantenha no topo até hoje, perante seus usuários. A resposta dada pelo Facebook, advinda do analista de dados do Facebook Mike Devlin, a um “estudo” do pessoal de Princeton foi certeira, irônica e hilária. Se usarem o mesmo método de estudos, Princeton simplesmente sumiria do mapa também (veja aqui a nota).

Já vi, nesses últimos dias, analistas dizerem que pode ter sido uma cartada ruim para os dois negócios. O motivo: sinergia dos negócios. Bem, o próprio Mark indica, no seu comunicado, que os negócios continuarão independentes, do mesmo jeito que aconteceu com o Instagram. Ou seja, a sinergia dos negócios não é um aspecto a ser considerado em um primeiro momento. O que vale a pena ressaltar é que Jan Koum, CEO do WhatsApp, se une agora ao Conselho Diretor do Facebook. Aí sim vai oxigenar um pouco as ideias da rede social. Na minha visão, altamente positivo pro Facebook, o que já dá pontos positivos para a aquisição.

Outro ponto positivo da aquisição é: Por US$ 16 bi, o Facebook ganhou acesso irrestrito a uma base de usuários de mais de 450 milhões de pessoas. O gráfico abaixo mostra o impressionante crescimento desta base, superior a qualquer outra mídia social na história. A previsão de crescimento é a chegada a um número de 1 bilhão de pessoas em pouco tempo. É óbvio que uma base de clientes sólida (o WhatsApp tem uma média de 70% dos seus usuários altamente engajados, a maior média entre todos as mídias sociais) é um ativo que não pode ser desconsiderado. É um dos pontos fortes na construção de Vantagens Competitivas Sustentáveis. Olhando através de uma lente de Marketing de Relacionamento, esse valor será até pequeno com o passar dos anos.

Claro que tudo que colocarmos sobre o tema ainda é especulação. Mas uma coisa é certa. Com o acesso aos milhões de usuários, não só do WhatsApp, mas do Instagram também, o Facebook necessita apenas de criatividade, para saber como utilizar esse acesso ao seu favor. É um problema deles. Mas, assim como um técnico de seleção de alto nível, onde o problema é qual craque colocar pra jogar, este é um problema interessante de se viver.

TOP 10 – Resoluções de Marketing para 2014

Vamos conferir as 10 resoluções de marketing eleitas para 2014, segundo o CMO.com:

RESOLUÇÃO 1: Produzir mais conteúdo em Vídeo
O consumo de vídeo online subiu mais de 30%. Muito do Marketing de Conteúdo ainda está em formato texto e precisa da convergência em vídeo. O relatório Adobe Digital Index’s Video indica que os vídeos, embora muito mais envolventes, são subutilizados. Crie mais vídeos de anúncios e storytelling, adaptando-os para suas mídias sociais.

RESOLUÇÃO 2: Implante uma Gestão de Audiência
A Gestão de Audiência permite entregar conteúdo personalizado para os seus visitantes com base em quem eles são, e não de onde vieram. Os profissionais de marketing têm contado com informações de referência para entregar seu conteúdo personalizado, mas os dados estão se tornando menos confiáveis. As alterações feitas pelo Google têm mascarado os dados, o que resultou em um caso grave de apagão (mais da metade do tráfego de buscas do Google agora é “dark”, ou criptografado). A personalização baseada em audiência é o melhor caminho.

RESOLUÇÃO 3: Aproveite melhor as vantagens do Mobile
Na última Black Friday americana, 1 em cada 4 dólares gastos online veio de um dispositivo móvel. Muito vem do avanço dos tablets, mas os smartphones estão crescendo também. Além de simplesmente criar uma tela responsiva, os dispositivos precisam “entender” como interagir dentro das diferentes localizações físicas.

RESOLUÇÃO 4: Acompanhe o Social Sentiment e o Buzz
As menções em mídias sociais como Facebook, Twitter e outras redes (também chamada de Buzz) e o Social Sentiment (o quão feliz/irritada/animada/negativa a audiência esteja com sua presença na rede) são a chave para o sucesso. Saber como o público está se portando ante a sua marca (monitoramento) é essencial e pode ajudar muito a empresa. Além disso, rastrear outra empresa também é uma ótima forma de se aumentar a inteligência competitiva.

RESOLUÇÃO 5: Crie o cargo de Gestão de Ativos Digitais
Você vai ter mais conteúdos, mais gráficos, mais imagens e mais vídeos esse ano. Vai ter mais devices para alcançar, com diferentes versões. A coisa será cada vez mais complexa. Se você não usar a tecnologia para resolver os seus ativos digitais, então você não será capaz de manter-se.

RESOLUÇÃO 6: Investir mais em Publicidade Social
Publicidade no Facebook e no Twitter já foi uma bagunça absoluta, mas está ficando cada vez melhor e com mais acurácia. Os anunciantes que estão usando a tecnologia para otimizar a exibição de publicidade estão começando a obter grandes resultados a partir das mídias sociais. Os custos ainda são relativamente baixos e os resultados estão ficando muito melhor. No mínimo, você precisa testá-lo e começar a aprender a incorporá-lo em seu mix de mídia. O ROI da publicidade no Facebook foi de quase 60% esse ano!

RESOLUÇÃO 7: Pare de usar tanto Excel
Dashboards semanais e estatísticas estáticas, por exemplo, estão obsoletas. Profissionais de marketing tem que gerar resultados quase em tempo real. Com todo o respeito ao seu belo painel de planilhas, jogue-o fora! Implementar detecção de anomalias e a visualização de dados em tempo real é muito necessário para você ter controle sobre tudo.

RESOLUÇÃO 8: Repense a utilização de Modelagem de Atribuição
73% dos jovens de 18-34 anos dizem que as mídias sociais influenciam suas decisões de compra. Ou seja: não dá para continuar com processos de decisão lineares. Todos sabemos que os consumidores digitais são imprevisíveis na hora de comprar. A maioria dos profissionais de marketing não têm idéia de que tipo de viagem que o cliente tomou antes de chegar ao seu site, e eles estão perdendo oportunidades, especialmente nos novos meios de comunicação social, que desempenha um papel enorme em influenciar os consumidores.

RESOLUÇÃO 9: Vá à Guerrilha com Publicidade Local e em Mobile
2014 vai ser uma mina de ouro em eventos esportivos. Entre a Copa do Mundo, as Olimpíadas de Inverno, entre outros grandes eventos rotineiros, os profissionais de marketing terão mais chances do que nunca de gastar rios de dinheiro na TV. Mas a visualização móvel vai crescer muito durante esses grandes eventos esportivos, e mídia local está em ascensão total. A expectativa é que a visualização móvel cresça em 2x durante estes eventos.

RESOLUÇÃO 10: Tenha uma Personalidade
Os profissionais de marketing com melhor desempenho são transparentes com os consumidores e falar com seus corações. Na mídia social, por exemplo, o conteúdo que é engraçado ou tocante tende a se tornar viral, mas o conteúdo “corporativo” que apenas está lá. Os consumidores não têm motivos para lembrar da sua marca com este último. Eles pensam de sua empresa apenas como uma outra pessoa online. Ninguém vai “tirar você para dançar” se você se sentar junto à parede. Envolva-os e entregue resultados muito superiores para eles.

Infográfico – Marcas Brasileiras no Facebook

O GraphMonitor, ferramenta de análise e monitoramento de mídias sociais desenvolvida pela Dito, fez um levantamento das marcas que mais se destacaram no Facebook no ano de 2012. O infográfico é tremendamente completo e instrutivo. Acompanhe abaixo:

Vale uma “olhada” mais a fundo:

- A Brahma, com sua estratégia de patrocínio virtual aos clubes, bombou. Sacada fantástica!
- O engajamento de empresas de segmentos bem definidos é destaque. Vejam como Risqué, Bebestore, Baby.com.br, Dafiti. Não precisa ser gigante para estar bem engajada!

Facebook e Twitter: Usuários Diferentes

A Digital Surgeons lançou um infográfico interessante, comparando os usuários do Twitter e do Facebook. A realidade é bem americanizada, mas dá pra se ter uma noção do tipo de usuário que acessa cada rede social. Confira:

De olho nas informações relevantes para o marketing: Quem segue alguma marca e pretende comprar aquela marca; Quem acessa via mobile; Quem acessa diariamente. Em todas, o Facebook leva vantagem, embora o Twitter parece ter um público mais segmentado. Faça suas considerações!

Mídias Sociais – Relevante?

Caiu como uma bomba a saída de algumas empresas do Facebook, encerrando suas atividades de marketing na rede social. Vou escrever um pouco sobre este assunto mas, antes, acho interessante publicar este vídeo, que mostra a relevância das redes sociais para a vida cotidiana dos seres humanos de hoje! É um ótimo começo de papo!

Este vídeo foi criado por Erik Qualmann, que é autor do best-seller Socialnomics. Mostra que as redes sociais são a mola que move a comunicação e a interação social no mundo. Não vê quem não quer! Não é?