Esqueça X, Y e Z: bem-vindo à “Geração Curiosa”

por Omaid Hiwaizi, presidente do app Blippar, para a Marketing Magazine UK

Olhando para as pessoas vivendo o seu cotidiano, algo me chamou a atenção: se estamos viajando, fazendo compras, indo ao cinema ou a um jogo de futebol, ou simplesmente em nosso tempo livre, vemos pessoas que estão constantemente curiosos. Gastamos nosso tempo “caçando”, comparando, aprendendo, explorando. E os celulares são os catalisadores disso tudo.

“Mais curioso e mais curioso!”, Alice gritou enquanto vagava no País das Maravilhas e agora a curiosidade é o comportamento mais importante, único que nos define como criativamente criaturas inteligentes. Nós não somos ensinados a sermos curiosos, nós nascemos curiosos; e, sem dúvida, isto nos colocou em nossa posição de comando entre outros animais na Terra.

Mais curioso e mais curioso
No resumo de sua pesquisa acadêmica “Curiosidade e busca de informação no comportamento animal e humano“, o professor Wojciech Pisula conclui: “Curiosidade – um desejo de compreender vários fenômenos e uma busca pelo conhecimento – é uma das principais forças motrizes do progresso. A fome de informações sobre o mundo que nos rodeia é frequentemente citada como um fator que determina o nosso lugar na natureza”. Dicas de situações de língua são os momentos em que a curiosidade impulsiona o comportamento mais poderosamente – temos de saber um pouco da história para saber que há mais que não sabemos.

Einstein e muitos outros líderes intelectuais e culturais têm afirmado que a curiosidade é o traço fundamental do gênio. Nós todos experimentamos isto cognitivamente, mas também experimentamos fisicamente e socialmente. Ela se estende aos nossos sentidos e molda o nosso córtex cerebral – e quando estamos privados de curiosidade, o desenvolvimento do cérebro decai. O que talvez seja mais interessante é como essa curiosidade inata tão poderosamente nos move quando somos crianças mas, conforme o tempo passa, ela vai para o plano de fundo. Nós não agimos sobre a curiosidade – nós a vivemos em nossos hábitos e no nosso conhecimento atual.

Tecnologias nos molda como humanos
Por que então nós perdemos esta forma intuitiva de ‘navegar’ no mundo? Talvez seja porque a língua e a cultura assume o controle da gente e que de alguma forma nós perdemos esta capacidade de navegação intuitiva e essencial.

A tecnologia tem sempre nos moldado como seres humanos – temos sido capazes de identificar novas formas de fazer as coisas e novos usos para os nossos recursos. Mais recentemente, o “Google Effect” foi identificado. Ele mostra como já estamos terceirizando nossa memória de curto prazo para esta plataforma, o que tem moldado nosso cérebro e a forma como pensamos.

Moldando a mídia e a cultura
Mídia e cultura mudou nesta direção há décadas – a aceleração como nos relacionamos com o conteúdo e com o nosso próximo. Fomos de de edições mais rápidas em filmes e vídeos de música para os Vines de seis segundos. Cartas se tornaram e-mails e, em seguida, mensagens de texto. Fotografias compostas se transformaram em snaps rápidos nas câmeras digitais e agora são selfies no Snapchat. Emoticons e emojis reduzem ainda mais a comunicação com gestos emocionais instantâneos e a pesquisa mostra que nossos cérebros já estão aprendendo a reagir a eles fisiologicamente, da mesma forma como rostos reais.

Também temos visto um comportamento fascinante com o app Blippar, nos quatro anos que a plataforma tem sido executada. Entre os bilhões de blipps que têm sido registados, alguns padrões muito interessantes surgiram nos dados, que revelam a nossa curiosidade inata e as peculiaridades de nosso comportamento que mudam de acordo com ela.

Blippar, aplicativo que tem ajudado a alterar a forma como as pessoas pesquisam o mundo na internet

Demograficamente contra-intuitivo
Um exemplo é a forma como curiosidade não segue os padrões demográficos que se poderia esperar. Por exemplo, 30% dos leitores mais velhos da revista Gardener’s World blipparam regularmente suas páginas para ver vídeos do canto dos pássaros e obter dicas sobre horticultura. Em outro lugar, imediatamente após Robin van Persie marcar o seu ‘Gol Superman’ na Copa do Mundo de 2014, blipps na marca Pepsi com o Van Persie (garoto propaganda da marca em uma campanha específica na Copa do Mundo) atingiram o pico na Holanda, mostrando que a excitação dos fãs dirigiu a sua curiosidade naquele exato momento. Na verdade, quase 8% das latas de Pepsi distribuídas na Holanda foram blippadas durante esse período.

Nós também observamos que quando as pessoas blippam uma lata de refrigerante, um anúncio de imprensa ou um cartaz para um filme, ou uma revista, sua curiosidade é aguçada e eles vão imediatamente tentar e blippar outros objetos no mundo em torno deles.

Pudemos perceber que este novo comportamento da “Geração Curiosa” estava surgindo. Nós, então, recriamos o mecanismo de reconhecimento de imagem do Blippar para que este reconhecesse todos os objetos e otimizasse algoritmos de inteligência artificial para o fornecimento de uma gama de conteúdo relevante – com base no indivíduo e no contexto dele (até este ponto, tinha sido experiências em Realidade Aumentada). Estamos treinando o sistema para reconhecer o mundo – um grande esforço.

Reconectar com nossa criança interior
Então, como a nova tecnologia está trazendo à tona os nossos lados curiosos? Em minha opinião, é tudo sobre o quão perto a tecnologia pode nos integrar – o tanto que ela pode ser personalizada, prever nossas necessidades e interesses que podemos acessar sem pensar, ou mesmo fazer qualquer tipo de pedido. Mesmo algo tão aparentemente natural como uma pesquisa na web nos obriga a saber as palavras para descrever o que estamos procurando. A “Geração Curiosa” quer apenas apontar e descobrir.

Portanto, ao contrário das gerações X, Y ou Z, a “Geração Curiosa” tem sempre estado conosco. É um comportamento inato que fica mascarado assim que nós crescemos. A tecnologia digital agora permite nos reconectarmos com os curiosos, seres intuitivos que nós éramos quando crianças e que ainda permanecem no nosso interior.


Texto original em http://www.marketingmagazine.co.uk/article/1355380/forget-x-y-z-welcome-generation-curious

Cannes Lions 2015 – Highlights

O maior evento mundial da publicidade está acontecendo. O Cannes Lions este ano está recheado de campanhas muito legais (e outras surreais), debates bem interessantes, entre outras coisas.

Mais pra frente, como em todos os anos, farei uma análise das campanhas premiadas e apresentarei aqui para vocês. Por hora, confira os highlights do evento, vendo o que aconteceu de mais legal em cada um dos dias.

DIA 1 – Fundador do Tinder, SY Lau, a artista Emilie Baltz and BrandOpus.

DIA 2 – Marilyn Manson, Evan Spiegel, Jessica Walsh and Syl Saller

DIA 3 – Clipes do Pharrell Williams, Jamie Oliver, Tim Berners-Lee and Sir David Brailsford

DIA 4 – Sir Martin Sorrell, R/GA, Julia Louis-Dreyfus and Kim Kardashian West

Evento de altíssimo nível. Vai muito além do que a premiação. As discussões sempre muito bons! Enjoy it!

Segmentação ao Extremo

Vi este post no LinkedIn, escrito pelo especialista em Social Media e Marketing Digital, Hilário Júnior. Achei que seria interessante para os visitantes do blog! Compartilho o texto do Hilário na íntegra:


Facebook e Serasa fecham parceria para anúncios segmentados por renda

Essa é pra deixar muito defensor da privacidade dos dados de cabelo em pé:Facebook e Serasa estão em fins de fechar uma parceria onde, até o final do ano, a rede social vai ter acesso ao vasto banco de dados da empresa de cadastro financeiro, a partir daí nós (profissionais de social media) vamos conseguir segmentar por faixa salarial os anúncios através da plataforma de anúncios da rede de Menlo Park.

A notícia chegou até mim através de uma fonte que compareceu ontem ao Facebook Track, novo evento do facebook, dessa vez voltado para o mercado Mobile. “Basicamente meu queixo caiu e foi até o chão. Achei fantástico e ao mesmo tempo invasivo” disse a fonte.

Essa história da Serasa fazer parceria com empresas e plataformas de anúncios não é nova, já faz algum tempo que a empresa do Grupo Experian mantém uma parceria com a rede de anúncios da Microsoft e seus portais, no entanto o alcance e robustez do Facebook Ads é bem diferente, não é mesmo?

Essa segmentação através da renda já acontece na plataforma nos EUA e promete mudar consideravelmente a forma como enxergamos determinados tipos de anúncio através do facebook e suas redes parceiras/proprietárias. A frente do Google que, por enquanto só consegue segmentar através de renda familiar média baseado em dados demográficos, o Face já sai. É esperar para ver.

UPDATE: 

A fonte me falou agora que até o final do ano será possível também aqui no Brasil fazer anúncios precisos a partir de endereços. Ou seja: Você quer anunciar apenas para pessoas que morem/trabalhem na Avenida Paulista e tenham renda superior a $ 4.000,00? Sim, vai ser possível.


Se, de fato, isto acontecer, entraremos numa nova era de anúncios segmentados. E vejo cada vez mais as verbas indo para o Facebook e outras mídias digitais e deixando as tradicionais a ver navios!

Filas ou Cliques?

Recentemente, estive no 12th CONTECSI – Conferência Internacional sobre Sistemas de Informação e Gestão de Tecnologia, evento acadêmico anual que trata das pesquisas mais recentes na área de gestão tecnológica. Apresentei um trabalho em co-autoria com uma aluna, Jessica Brandão dos Santos. O tema: o cenário de adoção de internet banking por pequenos e médios empresários.

É fácil entender a relevância deste tema para o marketing das instituições bancárias. É fato que TODAS os bancos tem diretrizes estratégicas indicando de forma categórica que quer retirar cada vez mais clientes de dentro das agências. Querem transformar o ciberespaço, por motivo de redução de custos, na primordial direção dos seus clientes. As agências, só em último caso. Obvio que ainda estamos longe deste cenário. As agências ainda andam abarrotadas (principalmente os caixas eletrônicos), provocando uma eterna onda de insatisfação com atendimento. Este também é um ponto que pode ser solucionado através do esvaziamento da agência em detrimento do ciberespaço.

Contudo, será que esta é uma realidade também no interior do país? E mais: é uma realidade para o público específico das pessoas jurídicas de pequeno porte destas regiões? Em miúdos, será que os pequenos e médios empresários estão “curtindo” a ideia de usar o internet banking mais do que a agência? Este foi o problema da pesquisa do estudo.

Usando como referencial o modelo de adoção de Internet Banking de Hernandez & Mazzon (2008), alguns resultados interessantes foram encontrados. Mas foi na caracterização da amostra dos pequenos e médios empresários de uma região do interior do estado da Bahia que apareceu a primeira incógnita que deve perseguir a gestão de marketing dos bancos: mesmo todos os respondentes se dizendo usuários frequentes de internet, 83,3% deles diziam ainda preferir os serviços da agência física! E mais: a utilização que fazem da internet, mais da metade são pra coisas obrigatórias, como o pagamento de taxas e impostos, que tem sido direcionado exclusivamente ao ciberespaço pelos governos.

Já tratando dos aspectos relativos à adoção, o primeiro ponto avaliado foi a questão da inovação tecnológica do internet banking. Ao contrário do que vem sendo mencionado pela literatura, a pesquisa mostrou que os pequenos e médios empresários do interior brasileiro não enxergam Vantagens Relativas em questões como Conveniência, Segurança, Controle (Privacidade) e Testagem. Enquanto a literatura fala sobre isso de forma positiva na influência em adoção de internet banking para usuários, os pesquisados não demonstraram sofrer influência destas questões, o que não deixa de ser um dado muito relevante.

O segundo aspecto estudado foi o da influência das “Normas Subjetivas”, que são as percepções dos consumidores referentes aos padrões e intenções de uso no circulo de influencias. Sendo uma relação positiva entre as normas subjetivas e as intenções na obtenção de informações por parte do fornecedor. Este aspecto teve os piores resultados, com percepção de importantes scores, como a influência de terceiros na utilização do internet banking. Também diferente do que aparece na literatura, este item não apresentou influência para a adoção de internet banking para os pequenos e médios empresários.

O último aspecto analisado foi o do “Controle Comportamental Percebido”. Este foi o único item que deu um posicionamento similar ao que a literatura indica, que também é de influência positiva. No caso da pesquisa, os indicadores relativos ao suporte que o banco dá para os usuários, deram positivo. —Quando se fala de suporte tecnológico, há uma tendência positiva de aceitação. A —Auto-eficácia, tida por Hernandez & Mazzon (2008) como uma característica intrínseca ao indivíduo de ter uma atitude positiva ante à inovação, não houve concordância. —Parece haver concordância, no entanto, de que os bancos fazem sua parte em dar suporte à utilização do ciberespaço bancário, mas não há muita atitude para usufruir dos serviços do mesmo.

O resultado desta pesquisa, mostrado aqui de forma bem sucinta, mostra que há importantes implicações gerenciais de marketing para as instituições bancárias. São elas:

– —Papel importante dos bancos e das agências em facilitar e incentivar ainda mais o acesso ao ciberespaço bancário e auxiliar aos seus correntistas a entender o funcionamento e suas possibilidades. Em um contexto de interior, onde o a agência bancária está próxima à empresa ou à casa e há uma facilidade de se manter um relacionamento com a gerência da agência, talvez as questões de conveniência não sejam tão relevantes quanto à literatura indica.

– —Campanhas devem ser realizadas com o intuito de promover o ciberespaço bancário como uma possibilidade de Vantagem Relativa. Esperar por uma simples influência social não vai levar à utilização do mesmo.

– —Ainda há muito espaço para crescimento do uso cotidiano do internet banking, pois a pesquisa mostrou que estes usuários só o acessam para realizar pagamentos.

Se você deseja conhecer o trabalho completo, baixe o artigo clicando aqui.

Um Jardim (nada) Secreto

“Faz alguns dias que está esgotado. Nosso último pedido foi de 400 exemplares. Não durou nem dois dias. E agora o fornecedor não consegue entregar no prazo normal. Então, o jeito é a senhora encomendar o pedido e nós entraremos em contato avisando que ele chegou. É o popular ‘tem mas acabou'”.

A frase acima foi ouvida pela minha esposa e tantas outras pessoas que estão indo às livrarias aos borbotões em busca do atual santo graal do mercado editorial: o livro de pintura “Jardim Secreto”. Verdadeira febre, principalmente entre o público feminino, o produto vem categoricamente sumindo das prateleiras, principalmente dos centros mais distantes dos fornecedores e atravessadores. Como é o caso de Salvador-BA, cidade onde aconteceu o diálogo de onde foi retirado o excerto que iniciou este texto.

“Jardim Secreto: livro de colorir e caça ao tesouro antiestresse”, é uma obra criada pela ilustradora escocesa Johanna Basford, autodenominada “Evangelista da Tinta”. A autora diz que o livro é uma espécie de detox. Esta atividade “analógica” transformou o livro num dos maiores sucessos de venda dos últimos tempos no Brasil, gerando até um novo volume, o “Floresta Encantada”.

O produto, que começou claramente voltado para um nicho de mercado, se massificou e conquistou consumidores entre os mais variados públicos. Entrou em estágio de crescimento e abriu os olhos de concorrentes, que estão pululando aos montes. Uns são cópias baratas dos originais, quase que uma pirataria mesmo. Outros buscaram diferenciação, principalmente, na temática. Cenários urbanos, pessoas e até com conotação sexual podem ser achados nas livrarias. Um verdadeiro sucesso que fez a editora que trouxe o livro ao Brasil, a Sextante, rir à toa com um produto inicialmente de composição de portfólio se transformasse numa estrela.

A autora Johanna Basford

Mas o impressionante do sucesso repentino de um produto, até então inexistente (ou não-procurado), é o que ele fez com toda a supply chain envolvida. O caso mais claro é o do produto inseparável do livro de pintura: o lápis de cor. Os produtos de melhor qualidade (únicos que “aguentam o tranco” da pintura detalhista que o Jardim exige) estão, literalmente, sumidos das lojas, grandes e pequenas! A Faber-Castell está num dilema tremendo, onde nunca teria imaginado que o seu produto mais premium (caixas com maior variedade de cores) seria tão procurado quanto os mais simples que fazem parte das listas de material escolar país afora. A subsidiária da empresa alemã está vibrando, pois conseguiu entrar em um mercado sonhado e nunca antes alcançado: o de adultos. Você pode ver mais detalhes na reportagem da Exame, clicando aqui.

O papel pólen, que é um tipo mais agradável à vista e ideal para o trabalho de pintura também tem tirado o fôlego dos fornecedores. Com a febre dos livros para colorir, a fabricação tem sido acelerada para dar conta da demanda das editoras que se amplia cada vez mais. Antes, este tipo de papel, na gramatura que o livro para colorir exige, tinha uma saída muito restrita.

Mamíferos Parmalat: Campanha de sucesso acabou sendo prejudicial à empresa, que teve sérios problemas de distribuição dos bichinhos

Este cenário deve fomentar uma delícia de papo entre profissionais e estudantes da área de logística, supply chain, marketing e gestão. É um baita de um estudo de caso acontecendo embaixo do nosso nariz. Por mais que hajam “fórmulas” as mais diversas, ferramentas e estratégias que podem antever cenários como estes, obvio que tudo o que se fala é especulação. Quem, em sã consciência, acreditaria num boom de vendas de livros de colorir para adultos? Estaria nos planos das empresas de lápis, das editoras, das fábricas de papel a previsão para este cenário. Obviamente que não.

Em muitos casos similares, o sucesso foi uma verdadeira desgraça para empresas. Não conseguiram entregar seus produtos e foram engolidas pelos concorrentes que apareceram já cauterizados das lições que o mercado mostrou. Parmalat, Tampico, só pra citar algumas, sofreu muito com isso.

Este caso mostra que um problema de marketing deve ser solucionado com parcerias internas estratégicas importantes de diversas áreas. Até quando vai se manter esta demanda latente de livros e lápis de cor? Ninguém sabe, mas um bom sistema de inteligência vai ajudar nesta resposta. E o sucesso dessas organizações depende disso. Vale o investimento para que o Jardim Secreto, continue cada vez menos secreto!