“Tudo com a Paçoca”

O amor é uma coisa difícil de explicar. E quando nós vemos o “amor” que determinadas pessoas tem por marcas, parece ainda mais difícil explicar. Não para o marketing…

A Paçoquita, marca da empresa Santa Helena, líder do mercado nacional de doces e confeitos à base de amendoim, também é a mais antiga e mais lembrada marca de paçoca do país. Possui legiões de fãs e virou até sinônimo de coisa barata mas que cumpre seu papel. Tem presença em quase todo território nacional e conseguiu a proeza de ser conhecida e admirada por pessoas de todas as idades. Acabou se tornando uma espécie de “BomBril” ou “Friboi” dos doces de amendoim, um sinônimo de produto de alto padrão dentro de um mercado commoditizado.

Só por tal cenário, já poderíamos incluir a Paçoquita como um case de sucesso brazuca, na questão de comprometimento emocional dos consumidores para com uma marca relevante. Mas a Santa Helena foi adiante. Muito provavelmente percebendo o nível de atitude positiva para com a sua marca de paçocas, “leu” o seu mercado consumidor e criou um produto, acima de tudo, empolgante: a Paçoquita Cremosa.

Vídeos pululavam na internet sobre como fazer uma espécie de “Peanut Butter” de paçoca, com as mais diversas receitas, mas sempre usando a Paçoquita como ingrediente principal. E não é que a Santa Helena captou a mensagem? Com o apelo quase sem intenção do público, a marca fez o dever de casa de todo profissional de marketing que tem um produto estabelecido na área de maturidade no seu ciclo de vida: criou uma outra forma de utilização do mesmo.

Unindo isso a um brand equity mais que favorável, só restava para a marca montar uma estratégia que valorizasse os aspectos de um bom relacionamento de marketing: qualidade percebida, confiança do consumidor, comprometimento afetivo e emocional, além de uma comunicação efetiva. O resultado não poderia ser mais perfeito: a Paçoquita Cremosa se tornou um fenômeno em seu lançamento na primeira semana de julho de 2014. O que motivou a campanha “Caça ao Tesouro”, dando um ar de lenda urbana para o produto, incitando ainda mais o público a tentar encontrar o danado. Até um fã fez um site onde, dentro de uma janela do Google Maps, se indicava os locais onde o produto foi visto sendo vendido. Que loucura!

A inundação que rolou sobre o tema nas mídias sociais nas semanas seguintes foi estarrecedora. Era muita gente mesmo falando sobre o produto. Digo que vi poucas coisas parecidas, em se tratando de um bem de consumo, com o burburinho que gerou o produto desde o seu lançamento. Foi muito legal de se ver. Em tempo: diferente do que se pode pensar, ao indicar que paçoca é um doce para gente mais velha, o maior engajamento nas mídias sociais da Paçoquita é do público entre 13 e 17 anos. Ponto pra ela!

A Paçoquita ganhou o rótulo de “Nutella Brasileiro”, numa clara menção ao doce de avelã que é sinônimo de iguaria superior. Não tenho dúvida de que a Santa Helena vai continuar surfando nesta nova onda e não deixará a peteca cair, em se tratando de valorizar ainda mais o vínculo emocional do público com seu produto. Podemos dizer que a Paçoquita está seguindo os passos das grandes marcas ao tratar o consumidor mais como um parceiro do que um simples cliente.

A gerente de marketing da marca, Luciana Persoli, indica que o objetivo do produto é de estar cada vez mais presente na vida do brasileiro. Não tenho dúvidas de que vai conseguir. Paçoquita Cremosa está estabelecendo uma lovemark no Brasil. Acredito que, assim como diz o nome das contas oficiais da marca no Twitter e no YouTube (Amo Paçoquita), vamos continuar amando a Paçoquita! E não estou falando simplesmente do produto…


Algumas menções na mídia:

FOLHA DE S.PAULO – Paçoquita Cremosa vira febre nas redes sociais e gera filas
EXAME – Por que você não acha Paçoquita Cremosa no seu supermercado
EXTRA – Busca por Paçoquita Cremosa vira ‘caça ao tesouro’
BUZFEED – Tudo que você quer saber sobre Paçoquita Cremosa / Homem consegue comprar Paçoquita Cremosa e faz unboxing no Twitter (ESTE EU RECOMENDO DEMAIS)


Ainda não experimentei a Paçoquita Cremosa… alguma dúvida de que aguardo ansiosamente?rs… Chega logo na Bahia!!!!

Eu Também

Memes pululam pela internet. A maioria deles advém de temas cotidianos como novelas, política, esportes.

Para marketing, o pior é você ter um meme ligado a uma campanha publicitária ou estratégia de marketing ruim da sua empresa. Foi o que aconteceu com o CIETEC, escola técnica privada do Rio de Janeiro. Olha o estilo da propaganda veiculada na televisão carioca:

Não há nem muito o que dizer. Mas, por favor: não diga “EU TAMBÉM”!

Copa do Marketing #3 – Copa da Adidas

Por Ramón Muñoz, do El País

A Argentina poderia ter ganhado. No final, venceu a Alemanha, embora com sofrimento e na prorrogação. Mas antes da disputa da partida já havia um vencedor absoluto da Copa do Brasil: a Adidas. Os dois adversários da final vestiam suas camisetas junto a outras sete equipes no campeonato, incluindo a Espanha.

“Foi um sucesso extraordinário. Os campeões do mundo vestiram Adidas. Nossas vendas em futebol estão em nível recorde”, destacou um eufórico Herbert Hainer, presidente da Adidas. A vitória da seleção da Alemanha, onde tem sua sede e principal mercado da marca das três faixas, foi o melhor catalisador para a multinacional.

A Nike, sua principal rival, apesar de ter apostado forte vestindo 10 seleções, caiu nas semifinais e foi marcada pela humilhação do Brasil, seu maior ativo no campeonato. A marca norte-americana se propôs a ganhar terreno no único território onde a companhia alemã mostra suas cores. Por isso, para a Adidas, esta Copa foi um alívio. A fortaleza do euro e a depreciação das moedas dos países emergentes —onde registra metade de suas vendas— como a Rússia, estão minando seus resultados. E a vitória teutônica no Maracanã pode ajudar a empresa a retomar o voo e cumprir com a ambiciosa previsão de faturar dois bilhões de euros (cerca de seis bilhões de reais) em produtos relacionados ao futebol.

Por enquanto, apenas uns poucos 250.000 torcedores que se aglomeravam nesta terça-feira no Portão de Brandemburgo, em Berlim, comemorando a vitória de Joachim Löw e sua equipe, podiam gabar-se de vestir a camisa com as quatro estrelas da tetracampeã. A Adidas já solucionou o problema. Desde a madrugada de domingo, milhares de trabalhadores do setor têxtil asiático trabalham sob encomenda nas novas camisetas para atender a demanda patriótica dos alemães.

A companhia estimava vender este ano mais de oito milhões de camisetas de todas as equipes, muito mais do que na Copa de 2010, na qual vendeu 6,5 milhões. A empresa já comercializou dois milhões de camisetas apenas da seleção nacional alemã, 30% a mais do que em 2006, quando o Mundial foi realizado na Alemanha, mas espera que as quatro estrelas disparem as vendas. A Adidas prevê vender também mais de 14 milhões de unidades da Brazuca, a bola oficial da Copa do Brasil, superando em um milhão de unidades a Jabulani em 2010, na África do Sul.

Heiner, que havia previsto em março, em uma entrevista ao EL PAÍS, que sua final preferida seria Alemanha-Argentina (ou Espanha-Argentina, para seu pesar), não se conforma com a Copa para tentar conter o avanço da Nike. Acaba de levar o clube mais popular da Inglaterra, graças ao maior contrato assinado no mundo do futebol. O Manchester United usará Adidas pelas próximas 10 temporadas, a partir de 2015/2016, em troca de 300 milhões de reais anuais, uma cifra que supera de longe os 168 milhões de reais do londrino Chelsea e os 120 milhões de reais recebidos pelo Real Madrid.

As ações da Adidas subiram 3% ao calor das duas boas notícias. E consultorias como a Equinet estimam um potencial de alta de 20% nos próximos 12 meses para os papéis. A Adidas espera que o impulso da Copa ajude sua ambiciosa meta de faturar 51 bilhões de reais em 2015.

A guerra comercial travada pelas duas marcas esportivas se reflete nas estrelas. Muitos analistas e jornalistas apontam diretamente que a única razão pela qual Messi teria levado o troféu de melhor jogador da Copa é pelo fato de pertencer à Adidas. O nome oficial do troféu —Adidas Golden Ball— dá alguma pista a respeito. E vale a pena lembrar que a Adidas roubou o astro argentino da Nike em 2006, com direito a processo judicial.

Os torcedores não conseguem entender. Porque os astros mais brilhantes do futebol traem suas marcas quando jogam com suas equipes. Lionel Messi é patrocinado pela Adidas, mas a Nike é a marca do Barça, enquanto Cristiano Ronaldo assinou um contrato com a empresa norte-americana, mas o Real Madrid é território da fabricante de artigos esportivos alemã.

Para finalizar… O vídeo que um dia depois da final da copa foi divulgado, como sendo a mostra do grande troféu que foi a Copa do Mundo para a Adidas

Copa do Marketing #2 – Contos de uma TV Quebrada

Por Epoca Negócios Online

Rafael Gambarim, 30 anos, não imaginou que quebrar uma televisão lhe renderia tanta fama – e presentes. O empresário paranaense, morador do município de Umuarama, no Paraná, ficou famoso na internet no dia 28 de junho, após sua tia Marli Gambarim Benhossi, divulgar um vídeo no Facebook. A gravação mostra o momento em que ele, emocionado, quebra uma TV de plasma com um tapa após uma defesa do goleiro brasileiro Júlio César, durante o jogo entre Brasil e Chile. Ele precisou correr para a vizinha para conseguir assistir ao final da partida. Foi dormir sem esperar a repercussão do vídeo que rapidamente viralizou na internet. Teve mais de 60 mil compartilhamentos no Facebook e foi replicado por várias pessoas no YouTube.

A reação emocionada de Rafael diz muito sobre o que os torcedores brasileiros sentiram durante a vitória apertada e dificílima contra o Chile. Rafael virou “celebridade” e interagiu no Twitter com redes de TV e foi procurado até por veículos de mídia estrangeiros – da BBC a uma televisão do Japão. “O engraçado dessa história é que de repente todo mundo me conhecia. Recebi mais de 800 solicitações no Facebook. Vivo uma vida tranqüila, em uma cidade com só 100 mil habitantes. Minha vida é trabalhar, pescar e jogar bola. De repente, não consigo ir ao bar que o pessoal fica tirando foto”, afirmou Rafael. Com tanta repercussão, algumas empresas correram rapidamente para criar ações de marketing.

A primeira delas foi a Sony que, sem fazer muito alarde, deu a ele uma TV de 40 polegadas. Em seguida, apareceu a Magazine Luiza. Com o perfil oficial da rede no Twitter – que interage com os seguidores através da personagem virtual e porta-voz da marca, “Lu” – a empresa publicou no dia 3 de julho o link do vídeo perguntando para seus mais de 90 mil seguidores se eles haviam assistido. O próprio Rafael Gambarim respondeu contando que “seus amigos queriam amarrá-lo para que ele não quebrasse” nada no próximo jogo do Brasil. Foi então que “Lu” o presenteou com um projetor multimídia. “Desta forma, Rafael poderá torcer ao máximo, sem correr o risco de quebrar outra TV”, afirmou o Magazine Luiza, em nota. Com o projetor, Rafael reuniu a família no último jogo do Brasil e teve seus batimentos cardíacos monitorados pela empresa – que prometeu, no Twitter, uma oferta especial a quem acertasse o número exato. Mais de 970 pessoas participaram da ação. Rafael afirmou que durante o primeiro gol do Brasil o medidor apontou 171 batimentos por minuto.

Quem também apareceu na história foi a Samsung, patrocinadora oficial da Seleção Brasileira, que entregou na cidade do paranaense uma televisão de 46 polegadas. E ele ainda ganhou uma TV do Extra, do Grupo Pão de Açúcar. Além disso, três empresas já o procuraram convidando- o para estrelar comerciais na TV.  “TV não vai faltar agora. Tem para todo o lado. O pior é que estou tão nervoso para a próxima partida quanto estava naquele jogo. Mas não quero fazer nenhuma besteira dessa vez”, tranquilizou o empresário. A dúvida de Rafael agora é qual dos novos equipamentos lhe trará sorte na semi-final, que acontece amanhã contra a Alemanha. Ele ainda está decidindo onde verá – e em qual televisão nova. A emoção ele já provou que não consegue controlar muito.

E aí, além de Rafael, quem saiu ganhando nessa história toda?

Copa do Marketing #1 – Uniformes Puma e a Diferenciação

Por Mirela Portugal, Revista Exame

De todos os uniformes das seleções da Copa, nenhum alcançou um sucesso que salta aos olhos como os fabricados pela marca Puma. O estilo escolhido para as peças, chamado “slim fit” – o caimento justo, colado ao corpo dos jogadores – chamou atenção do público e transformou as camisas nas mais comentadas do mundial. Foi uma virada de mesa para a não-patrocinadora da FIFA, que lutava na guerra por visibilidade no torneio contra Nike e Adidas, líderes do setor de artigos esportivos.

A estratégia que roubou a cena não é novidade, mas não é fácil: apostar em produtos originais. A preocupação era, desde o princípio, desenvolver peças que se sobressaissem, explica João Diago, responsável pela área de futebol da Puma no Brasil. Ainda que tenha sido o lado fashionista das roupas a destacá-las, a marca afirma que a motivação do visual apertado é tecnológica. As peças possuem um dispositivo que comprime e massageia certos músculos durante a partida, as chamadas fitas ACTV.

Mario Balotelli, da Itália

Uma vez em campo, as camisas fizeram barulho espontâneo e os estoques começaram a desaparecer, conta Diago. “A meta era entregar um produto de alta performance para nossos jogadores. O que talvez tenha sido uma grata surpresa foi esse apelo para os consumidores, principalmente o público feminino, por conta do visual que deixou os jogadores fortes”, explica. A Puma não fala em números de vendas. “A receita fez sucesso porque, além de apostaram num produto forte, ele está sendo exibido para 3,5 bilhões de pessoas no mundo inteiro, tendo o Brasil como cenário. Até do ponto de vista esportivo há vantagens, porque impede que jogadores puxem os adversários”, analisa Clarisse Setyon, coordenadora do núcleo de marketing esportivo da ESPM.

A recepção positiva também resume a tendência que catapultou jogadores de futebol a ícones da moda. Entre tanquinhos e tatuagens, e a bordo de uma popularidade global, os atletas são habitualmente disputados por grifes que tentam se associar à sua imagem. “Tem ficado mais claro nos últimos anos que jogadores de futebol têm o porte corporal ideal para serem modelos de moda. É a matéria-prima perfeita para marcas com posicionamento fashion, como a Puma”, complementa Clarisse.

Não é novidade para a fabricante alemã se promover apostando em design. A identidade da marca é conhecida por misturar esporte, estilo de vida e moda. Outro exemplo na Copa de 2014 é o das chuteiras: todos os jogadores das 8 seleções vestidas pela Puma (Itália, Uruguai, Chile, Suíça, Costa do Marfim, Camarões, Gana e Argélia) entram em campo na Copa com uma chuteira de cada cor – um rosa e um azul.