Copa do Marketing #3 – Copa da Adidas

Por Ramón Muñoz, do El País

A Argentina poderia ter ganhado. No final, venceu a Alemanha, embora com sofrimento e na prorrogação. Mas antes da disputa da partida já havia um vencedor absoluto da Copa do Brasil: a Adidas. Os dois adversários da final vestiam suas camisetas junto a outras sete equipes no campeonato, incluindo a Espanha.

“Foi um sucesso extraordinário. Os campeões do mundo vestiram Adidas. Nossas vendas em futebol estão em nível recorde”, destacou um eufórico Herbert Hainer, presidente da Adidas. A vitória da seleção da Alemanha, onde tem sua sede e principal mercado da marca das três faixas, foi o melhor catalisador para a multinacional.

A Nike, sua principal rival, apesar de ter apostado forte vestindo 10 seleções, caiu nas semifinais e foi marcada pela humilhação do Brasil, seu maior ativo no campeonato. A marca norte-americana se propôs a ganhar terreno no único território onde a companhia alemã mostra suas cores. Por isso, para a Adidas, esta Copa foi um alívio. A fortaleza do euro e a depreciação das moedas dos países emergentes —onde registra metade de suas vendas— como a Rússia, estão minando seus resultados. E a vitória teutônica no Maracanã pode ajudar a empresa a retomar o voo e cumprir com a ambiciosa previsão de faturar dois bilhões de euros (cerca de seis bilhões de reais) em produtos relacionados ao futebol.

Por enquanto, apenas uns poucos 250.000 torcedores que se aglomeravam nesta terça-feira no Portão de Brandemburgo, em Berlim, comemorando a vitória de Joachim Löw e sua equipe, podiam gabar-se de vestir a camisa com as quatro estrelas da tetracampeã. A Adidas já solucionou o problema. Desde a madrugada de domingo, milhares de trabalhadores do setor têxtil asiático trabalham sob encomenda nas novas camisetas para atender a demanda patriótica dos alemães.

A companhia estimava vender este ano mais de oito milhões de camisetas de todas as equipes, muito mais do que na Copa de 2010, na qual vendeu 6,5 milhões. A empresa já comercializou dois milhões de camisetas apenas da seleção nacional alemã, 30% a mais do que em 2006, quando o Mundial foi realizado na Alemanha, mas espera que as quatro estrelas disparem as vendas. A Adidas prevê vender também mais de 14 milhões de unidades da Brazuca, a bola oficial da Copa do Brasil, superando em um milhão de unidades a Jabulani em 2010, na África do Sul.

Heiner, que havia previsto em março, em uma entrevista ao EL PAÍS, que sua final preferida seria Alemanha-Argentina (ou Espanha-Argentina, para seu pesar), não se conforma com a Copa para tentar conter o avanço da Nike. Acaba de levar o clube mais popular da Inglaterra, graças ao maior contrato assinado no mundo do futebol. O Manchester United usará Adidas pelas próximas 10 temporadas, a partir de 2015/2016, em troca de 300 milhões de reais anuais, uma cifra que supera de longe os 168 milhões de reais do londrino Chelsea e os 120 milhões de reais recebidos pelo Real Madrid.

As ações da Adidas subiram 3% ao calor das duas boas notícias. E consultorias como a Equinet estimam um potencial de alta de 20% nos próximos 12 meses para os papéis. A Adidas espera que o impulso da Copa ajude sua ambiciosa meta de faturar 51 bilhões de reais em 2015.

A guerra comercial travada pelas duas marcas esportivas se reflete nas estrelas. Muitos analistas e jornalistas apontam diretamente que a única razão pela qual Messi teria levado o troféu de melhor jogador da Copa é pelo fato de pertencer à Adidas. O nome oficial do troféu —Adidas Golden Ball— dá alguma pista a respeito. E vale a pena lembrar que a Adidas roubou o astro argentino da Nike em 2006, com direito a processo judicial.

Os torcedores não conseguem entender. Porque os astros mais brilhantes do futebol traem suas marcas quando jogam com suas equipes. Lionel Messi é patrocinado pela Adidas, mas a Nike é a marca do Barça, enquanto Cristiano Ronaldo assinou um contrato com a empresa norte-americana, mas o Real Madrid é território da fabricante de artigos esportivos alemã.

Para finalizar… O vídeo que um dia depois da final da copa foi divulgado, como sendo a mostra do grande troféu que foi a Copa do Mundo para a Adidas

Copa do Marketing #2 – Contos de uma TV Quebrada

Por Epoca Negócios Online

Rafael Gambarim, 30 anos, não imaginou que quebrar uma televisão lhe renderia tanta fama – e presentes. O empresário paranaense, morador do município de Umuarama, no Paraná, ficou famoso na internet no dia 28 de junho, após sua tia Marli Gambarim Benhossi, divulgar um vídeo no Facebook. A gravação mostra o momento em que ele, emocionado, quebra uma TV de plasma com um tapa após uma defesa do goleiro brasileiro Júlio César, durante o jogo entre Brasil e Chile. Ele precisou correr para a vizinha para conseguir assistir ao final da partida. Foi dormir sem esperar a repercussão do vídeo que rapidamente viralizou na internet. Teve mais de 60 mil compartilhamentos no Facebook e foi replicado por várias pessoas no YouTube.

A reação emocionada de Rafael diz muito sobre o que os torcedores brasileiros sentiram durante a vitória apertada e dificílima contra o Chile. Rafael virou “celebridade” e interagiu no Twitter com redes de TV e foi procurado até por veículos de mídia estrangeiros – da BBC a uma televisão do Japão. “O engraçado dessa história é que de repente todo mundo me conhecia. Recebi mais de 800 solicitações no Facebook. Vivo uma vida tranqüila, em uma cidade com só 100 mil habitantes. Minha vida é trabalhar, pescar e jogar bola. De repente, não consigo ir ao bar que o pessoal fica tirando foto”, afirmou Rafael. Com tanta repercussão, algumas empresas correram rapidamente para criar ações de marketing.

A primeira delas foi a Sony que, sem fazer muito alarde, deu a ele uma TV de 40 polegadas. Em seguida, apareceu a Magazine Luiza. Com o perfil oficial da rede no Twitter – que interage com os seguidores através da personagem virtual e porta-voz da marca, “Lu” – a empresa publicou no dia 3 de julho o link do vídeo perguntando para seus mais de 90 mil seguidores se eles haviam assistido. O próprio Rafael Gambarim respondeu contando que “seus amigos queriam amarrá-lo para que ele não quebrasse” nada no próximo jogo do Brasil. Foi então que “Lu” o presenteou com um projetor multimídia. “Desta forma, Rafael poderá torcer ao máximo, sem correr o risco de quebrar outra TV”, afirmou o Magazine Luiza, em nota. Com o projetor, Rafael reuniu a família no último jogo do Brasil e teve seus batimentos cardíacos monitorados pela empresa – que prometeu, no Twitter, uma oferta especial a quem acertasse o número exato. Mais de 970 pessoas participaram da ação. Rafael afirmou que durante o primeiro gol do Brasil o medidor apontou 171 batimentos por minuto.

Quem também apareceu na história foi a Samsung, patrocinadora oficial da Seleção Brasileira, que entregou na cidade do paranaense uma televisão de 46 polegadas. E ele ainda ganhou uma TV do Extra, do Grupo Pão de Açúcar. Além disso, três empresas já o procuraram convidando- o para estrelar comerciais na TV.  “TV não vai faltar agora. Tem para todo o lado. O pior é que estou tão nervoso para a próxima partida quanto estava naquele jogo. Mas não quero fazer nenhuma besteira dessa vez”, tranquilizou o empresário. A dúvida de Rafael agora é qual dos novos equipamentos lhe trará sorte na semi-final, que acontece amanhã contra a Alemanha. Ele ainda está decidindo onde verá – e em qual televisão nova. A emoção ele já provou que não consegue controlar muito.

E aí, além de Rafael, quem saiu ganhando nessa história toda?

Copa do Marketing #1 – Uniformes Puma e a Diferenciação

Por Mirela Portugal, Revista Exame

De todos os uniformes das seleções da Copa, nenhum alcançou um sucesso que salta aos olhos como os fabricados pela marca Puma. O estilo escolhido para as peças, chamado “slim fit” – o caimento justo, colado ao corpo dos jogadores – chamou atenção do público e transformou as camisas nas mais comentadas do mundial. Foi uma virada de mesa para a não-patrocinadora da FIFA, que lutava na guerra por visibilidade no torneio contra Nike e Adidas, líderes do setor de artigos esportivos.

A estratégia que roubou a cena não é novidade, mas não é fácil: apostar em produtos originais. A preocupação era, desde o princípio, desenvolver peças que se sobressaissem, explica João Diago, responsável pela área de futebol da Puma no Brasil. Ainda que tenha sido o lado fashionista das roupas a destacá-las, a marca afirma que a motivação do visual apertado é tecnológica. As peças possuem um dispositivo que comprime e massageia certos músculos durante a partida, as chamadas fitas ACTV.

Mario Balotelli, da Itália

Uma vez em campo, as camisas fizeram barulho espontâneo e os estoques começaram a desaparecer, conta Diago. “A meta era entregar um produto de alta performance para nossos jogadores. O que talvez tenha sido uma grata surpresa foi esse apelo para os consumidores, principalmente o público feminino, por conta do visual que deixou os jogadores fortes”, explica. A Puma não fala em números de vendas. “A receita fez sucesso porque, além de apostaram num produto forte, ele está sendo exibido para 3,5 bilhões de pessoas no mundo inteiro, tendo o Brasil como cenário. Até do ponto de vista esportivo há vantagens, porque impede que jogadores puxem os adversários”, analisa Clarisse Setyon, coordenadora do núcleo de marketing esportivo da ESPM.

A recepção positiva também resume a tendência que catapultou jogadores de futebol a ícones da moda. Entre tanquinhos e tatuagens, e a bordo de uma popularidade global, os atletas são habitualmente disputados por grifes que tentam se associar à sua imagem. “Tem ficado mais claro nos últimos anos que jogadores de futebol têm o porte corporal ideal para serem modelos de moda. É a matéria-prima perfeita para marcas com posicionamento fashion, como a Puma”, complementa Clarisse.

Não é novidade para a fabricante alemã se promover apostando em design. A identidade da marca é conhecida por misturar esporte, estilo de vida e moda. Outro exemplo na Copa de 2014 é o das chuteiras: todos os jogadores das 8 seleções vestidas pela Puma (Itália, Uruguai, Chile, Suíça, Costa do Marfim, Camarões, Gana e Argélia) entram em campo na Copa com uma chuteira de cada cor – um rosa e um azul.

Unilever na frente

Por Lauro Jardim – Coluna “Radar”, revista “Veja”.

unilever

Certamente por uma mudança de estratégia por parte do novo controlador, o Casino, a Casas Bahia perdeu a posição de maior anunciante do Brasil, após onze anos. O dado é do ranking Agências & Anunciantes, que o Meio & Mensagem tornará público na segunda-feira.

O novo líder é a Unilever, que investiu 1,546 bilhão de reais em propaganda em 2013.

Outra surpresa do levantamento é o ainda desconhecido laboratório mexicano Genoma, que desembarcou no Brasil há apenas quatro anos. Já é o terceiro maior anunciante, com 989 milhões de reais em investimentos, uma cifra 279% maior que a do ano anterior, quando ocupava um modesto 24º lugar entre os maiores.

Entre as agências, a Y&R confirmou sua liderança pelo 12ª ano consecutivo, seguida pela Borghi Lowe, que pulou do quinto para o segundo lugar.

O maior salto do ranking, quem deu, entretanto, foi a paranaense Heads, que aumentou 241% o volume de compra de mídia em 2013 em comparação com 2012 (passou de 75 milhões de reais para 255 milhões de reais).

As dez empresas que mais anunciaram em 2013:

1)    Unilever: 1, 546 bilhão de reais

2)    Casas Bahia: 1,145 bilhão de reais

3)    Genomma: 989 milhões de reais

4)    Caixa: 584,7 milhões de reais

5)    Ambev: 563,8 milhões de reais

6)    Petrobras: 498 milhões de reais

7)    Hypermarcas: 454,6 milhões de reais

8)    Volkswagen: 376,2 milhões de reais

9)    Reckitt Benckiser: 367,1 milhões de reais

10)  Telefonica: 365 milhões de reais

 

As dez agências de publicidade que mais investiram em compra de mídia em 2013:

1)    Y&R: 2,4 bilhões de reais

2)    Borghi Lowe: 1,2 bilhão de reais

3)    Ogilvy e Mather Brasil: 1,1 bilhão de reais

4)    Almap BBDO: 1 bilhão de reais

5)    WMcCann: 908,4 milhões de reais

6)    Publicis PBC Comunicação: 731 milhões de reais

7)    NBS: 730,1 milhões de reais

8)    F/Nazca S&S: 667,7 milhões de reais

9)    JWT: 665 milhões de reais

10)  Africa: 622 milhões de reais

Mad X-Men: Timing no Storytelling

Acabou de sair um vídeo sensacional que conseguiu atrair públicos amantes de diferentes franquias de cinema e televisão. Numa paródia deliciosa, surgiu o Mad X-Men, história que mistura a fantasia mutante dos X-Men, com o drama primoroso da série Mad Men, considerada uma das melhores de todos os tempos.

Os personagens se mesclaram. Don Draper conversando com Wolverine; Magneto interagindo com Peggy Olson… O resultado foi sensacional e chamou logo a atenção na rede nas últimas horas. Confira:

 

E aí está o segredo da coisa. O storytelling utilizado por uma rede de fast-food americana, a Quiznos. Buscando seu espaço entre as grandes marcas, nesse mercado impressionantemente concorrido, a grande sacada da empresa foi atrair um público mais cosmopolita, através de dois grandes retratos deste público: as tais séries. Objetivo: lançar um novo produto.

O que mais gostei nesta história (além do uso de franquias que, particularmente, eu adoro!) é o TIMING. Foi perfeitamente lançada unindo dois grandes momentos das séries: o Lançamento do esperadíssimo novo filme dos X-Men e a última temporada de Mad Men. Obviamente, a atenção dos amantes de cada série (ou das duas, como eu) é retida na hora!

Cada vez mais, estamos na era do storytelling na comunicação de marketing. Porém o esquema será achar o timing correto. De nada adiantará uma história bem contada, na hora errada. Está lançado o desafio. E o Mad X-Men é um caso de como acertar o timing! Parabéns para a Quiznos!