A Coca-Cola Perdeu o Gás?

Por Mike Esterl, para o Wall Street Journal – Tradução minha.


Apesar da evolução nos gostos dos consumidores, o CEO da Coca-Cola, Muhtar Kent quer vender mais refrigerante. Qual seria a melhor saída?

Em uma visita a uma engarrafadora da Coca-Cola na cidade de Pensacola, Florida, em janeiro, o CEO Muhtar Kent puxou um pequeno chip vermelho e ergueu-o para um novo caminhão de entrega. Para o olho destreinado, parecia a marca da Coca-Cola, mas era apenas um papel vermelho, da cor da marca.

Isso pode não ser uma coisa tão representativa para a maioria das pessoas, mas é para Kent. Por onde passa ao redor do mundo – engarrafadoras, bodegas, supermercados – ele pega seu chip vermelho e compara-o com garrafas, latas, máquinas de Coca-Cola. Gestão, diz ele, deve estar continuamente “polida como um diamante”. Isto é verdade, especialmente agora, que o mundo pode estar com um cansaço de Coca-Cola crescente. Em fevereiro do ano passado, a Coca-Cola confirmou ter ficado aquém da sua meta de crescimento de volume anual em 3% a 4%, o que aconteceu pela primeira vez em quase uma década. Kent chamou isso de “lombada”(quebra-molas) e prometeu aos investidores que seria “o ano da execução”.

Em outubro o CEO reconheceu que a Coca-Cola não só não alcançaria suas metas de receita e lucro em 2014, como também isto aconteceria em 2015. Mês passado, a Coca-Cola informou uma queda de receita em 2%, para US$ 46 bilhões, e o lucro caiu (!) 17%, para US$ 7,1 bilhões, desde o ano passado.

Mudança anual no volume de vendas

A estratégia de risco de Muhtar Kent: vender mais refrigerante. O CEO de 62 anos diz que tem uma série de planos – tais como o aumento dos gastos com marketing e uma revisão da rede de distribuição, principalmente nos EUA, que vai ajudar a retornar aos rendimentos padrão em 2016. “Acredito que nós teremos uma grande estrada à nossa frente”, diz Kent. Mas ultimamente as promessas estão difíceis de cumprir.

O consumo de Diet Coke caiu 15% nos dois últimos anos. O volume de vendas de outros refrigerantes, como Sprite e Fanta, cresceu apenas 1% em cada um dos dois últimos anos a nível mundial. No último verão, 63% dos americanos disseram em uma pesquisa do instituto Gallup que eles estavam evitando refrigerante. Nos EUA, a quantidade de refrigerante consumida vem caindo há 10 anos consecutivos. As vendas de Coca-Cola estão caindo em todo o mundo. Varejistas, como a Whole Foods, não a vendem mais.

Apesar das estatísticas assustadoras, Muhtar Kent permanece irredutível como uma Coca-Cola gelada. Com refrigerantes gerando cerca de 70% das receitas, ele insiste em dizer que eles são o “oxigênio” da companhia. A companhia, acredita ele, tem “exatamente os ingredientes certos” para crescer rapidamente, incluindo aí um portfólio de 20 bilhões de dólares só em marcas. Quatorze delas são bebidas, incluindo aí as águas “Dasani” e os sucos de laranja “Minute Maid”.

“Bebidas gasosas têm sido sempre um prazer, e nós temos que redescobrir isto”, disse Kent em uma entrevista recente. Mas se a Coca-Cola pode voltar ao destaque com novas iniciativas de crescimento, ainda não está claro.

Desafio dos Baby-Boomers

CEO da Coca-Cola, Muhtar Kent

Muitas empresas de bens de consumo embalados que eram amados pelos baby-boomers – da sopa Campbell’s à McDonald’s – têm perdido sua magia. Os consumidores de hoje querem itens mais saudáveis, mais saborosos, mais originais. E menos mercado de massa. As mudanças repentinas e profundas nas preferências do consumidor causaram recentemente perdas financeiras para Kellog’s e Kraft Foods, e vêm corroendo vendas e lucros de uma meia dúzia de outros gigantes da indústria alimentícia e de bebidas embaladas. Estes deslizes causaram a perda do emprego dos CEOs da Kraft e do McDonald’s – sendo este último um cliente-chave da Coca-Cola.

Tais mudanças colocaram Kent em uma posição complicada, estrategicamente falando: quanto e quão rápido diversificar? Do lado da Pepsico, o CEO Indra Nooyi tentou resolver o enigma, mas ficou sob fogo dos investidores em 2011, após a empresa emitir um alerta de baixo lucro. No ano anterior, Diet Coke superou a Pepsi como segunda marca de refrigerante mais vendida nos EUA, atrás apenas da Coca-Cola padrão. Analistas e investidores de Wall Street disse que a Pepsi estava muito envolvida em diversificação para além dos refrigerantes e batatas-fritas.

Kent é um executivo operacional experiente como qualquer outro. Filho de diplomata turco, começou na Coca-Cola em 1978, montando caminhões de entrega em lugares como Lubbock, Texas. Foi gerente-geral para a Ásia Central, abriu fábricas na ex-União Soviética e montou a maior engarrafadora da Coca-Cola na Europa, antes de assumir o papel de CEO em 2008. Como parte de sua atual estratégia, entre outras coisas, ele tem intensificado a publicidade. Ano passado, reservou um adicional de US$ 1 bilhão até 2016, após ter gasto US$ 3,3 bilhões em 2013. Ele está apostando em uma nova fonte de refrigerante, a Freestyle, que permite aos consumidores de misturar e combinar mais de 100 sabores de bebidas com uma tecnologia de micro-dosagem desenvolvida pela indústria médica. Há agora mais de 27 mil máquinas espalhadas por redes de fast-foods nos EUA, como Wendy e Burger King, um aumento de 50% em um ano.

Campanha “Compartilhe uma Coca-Cola”: sobrevida nas vendas

Neste dias, o CEO da Coca-Cola passa três quartos do seu tempo na estrada, encontrando varejistas, engarrafadoras e chefes de Estado. Ele diz que fica com síndrome de abstinência se não visitar uma loja em poucos dias. Ele também está profundamente envolvido nos detalhes concernentes ao merchandising da Coca-Cola, com uma estratégia chamada OBPPC (Occasion, Brand, Price, Pack, Channel), que coincide os tamanhos das embalagens dos refrigerantes para cerca de 30 ocasiões de consumo, desde o “me dê um que tenho que ir” até o “refeição familiar”.

Além de sua atual linha de tamanhos de refrigerantes (latas e garrafas), a empresa também planeja começar a vender produtos Coca-Cola até o fim deste ano em uma máquina de casa, sendo desenvolvida pela Keurig Green Mountain Inc., a mais recente tentativa da Coca-Cola de colocar seu produto da há muito tempo conhecida “alcance da mão do desejo”. Os americanos (e consumidores em todo o mundo) compraram mais Coca-Cola no último verão, quando a empresa espalhou nomes desde Adão até Zack em garrafas e latas. A campanha “compartilhe uma Coca” galvanizou os consumidores a comprar Coca-Colas para si, bem como amigos e famílias.

Sam Nunn, líder dos diretores independentes, diz que o conselho ainda vê o refrigerante como uma “área de crescimento muito forte” a nível mundial, e Muhtar Kent como uma “força da natureza em termos de suas capacidades de liderança”. Mas vários altos executivos e gestores que trabalharam com Kent dizem que enquanto ele está confortável, navegando no cerne da questão (refrigerantes), ele está perdendo a visão total da figura. O CEO nega. “Eu tenho tido muitas discussões robustas e intelectuais sobre nossa estrutura, sobre nossa companhia, sobre nossos negócios, sobre para onde estamos indo”, disse o CEO em uma entrevista.

Depois de anos de lobby, executivos o convenceram a realizar uma reunião de alta cúpula no Vale do Silício – a ideia era trocar ideias com o pessoal do Google e Facebook, entre outros. Mas a conexão “digital” nunca aconteceu. Kent cancelou de forma constrangedora as reuniões semanas antes, dizendo que o pessoal da Coca-Cola precisava se concentrar nos resultados trimestrais ao invés de realizar as reuniões. Em entrevista, Kent explicou sua lógica: Coca-Cola precisa se equipar com a “tecnologia certa”, disse ele. “Mas não podemos, você sabe, ir e sonhar com LalaLand”. Coca-Cola poderia alcançar os mesmos objetivos de forma mais eficiente, trazendo o Vale do Silício para Atlanta, disse ele.

Projeções de Aumento de vendas de bebidas não-alcóolicas a nível mundial.

A despeito de sua posição dominante em bebidas, a empresa – que recentemente roubou market share da rival PepsiCo. – está fazendo com que alguns de Wall Street estejam perdendo a paciência. Investidores têm se reunido com a PepsiCo., cuja exposição do refrigerante é casada com seus snacks. Nos últimos dois anos, o preço das ações da Coca-Cola aumentou 4,7%, enquanto a PepsiCo. ganhou 23%, enquanto os índices Dow Jones e o S&P 500 subiram 25% e 35%, respectivamente. “O grande erro é não perceber que o mundo mudou”, diz John Faucher, analista de bebida no JP Morgan.

Muhtar Kent não tolera muito debate e dissidências. Vários ex-executivos dizem que ele se cercou de pessoas que só falam “sim” e que amortecem o debate. Nas reuniões, Kent “pode ser realmente rude, encerrar discussões e fazer com que tudo fique constrangedor” se alguém questionar seus planos, diz um ex-executivo. Kent diz que o debate interno é bem-vindo: “toda grande decisão, eu digo, vamos levá-la ao comitê operacional e discuti-la”.

Quando o ex-diretor para Américas Steve Cahillane argumentou que a manutenção dos alvos de volume de vendas e lucro da Coca-Cola eram irreais em uma reunião da alta administração em 2013, Kent rapidamente encerrou a discussão, de acordo com pessoas presentes na reunião. Cahillane, considerado forte candidato a suceder Kent, resignou ao cargo semanas depois, sob forte pressão. Sandy Douglas, um veterando da Coca-Cola que substitutiu Cahillane disse que discutir estratégias com Kent é “um esporte de alto contato”. Mesmo assim, ele diz que Kent “lhe dá espaço”.

Sem Sucessor Óbvio

O zelo operacional de Kent tem causado preocupação e especulação dentro e fora da empresa, porque ela não tem n.º 2 ou um sucessor óbvio claro. Além das funções de CEO e chairman, ele, de fato, é o COO. Kent não acha que isto seja um problema. Ele diz que, efetivamente, tem três COOs internacionais, não apenas um. Ahmet Bozer, da área de operações internacionais, Irial Finan, da área de engarrafamento; e Sandy Douglas, das operações norte-americanas. “Acredito que temos a estrutura adequada. Penso nisso ao ter três COOs”, diz Kent.

Embora a empresa continue a diversificar seus produtos – recentemente adquiriu uma marca de leite – refrigerantes permanecem no centro. Analistas como Fraucher, bem como ex altos executivos da Coca-Cola, argumentam que a empresa deve fazer mais aquisições para mudar seu portfólio de produtos. Esforços neste sentido têm se misturado. Sob a batuta de Kent, foi arquitetado o mais caro processo de diversificação – a aquisição da Energy Brands Inc., fabricante do Glaceau Vitaminwater, por US$ 4,1 bilhões em 2007. O acordo foi criticado após o fraco crescimento e o preço de compra ter sido considerado muito caro.

Monster Energy Drink, onde a Coca-Cola tem participação

Seus mais recentes esforços de ramificação a partir dos refrigerantes têm sido mais cauteloso. Ignorando as pressões para mergulhar no mercado de bebidas energéticas, de rápido crescimento, Kent esperou até último agosto para chegar a um acordo para comprar uma participação de 16,7% da Monster Beverage Corp. Até então, no entanto, o preço das ações da Monster tinha quintuplicado. Coca-Cola também construiu uma participação de 16% na Keurig, em etapas, desde o ano passado. No caso da Monster, pessoas familiarizadas com o processo dizem que Kent e o conselho da Coca-Cola estavam preocupados com questões de regulação e proibições de marketing para o mercado de bebidas energéticas.

A maior aquisição da história da Coca-Cola, a compra em 2010 da maior parte das operações norte-americanas de engarrafamento e distribuição, em um acordo de US$ 12 bilhões, foi desenhado para dar à empresa mobilidade, melhorando sua fabricação e distribuição. Mas a empresa ainda não alcançou isto. O diretor financeiro, Kathy Walter, reconheceu que a Coca-Cola não vai ver nem nesta década o retorno sobre este investimento.

O conselho da Coca-Cola, um grupo conservador e tradicionalmente fortemente integrado, continua a apoiar a abordagem de Kent, dando-lhe um robusto dividendo. A Coca-Cola disse no mês passado que iria aumentar o seu dividendo em 8% por ação em 2015, o 53º aumento anual seguido. Porém, o fluxo de caixa da empresa está estagnado nos últimos três anos, levantando questões sobre quanto tempo os generosos pagamentos poderão continuar.

Membros do conselho de longa data estão se aposentando. Até o fim de abril, sete dos seus 15 membros terão entrado a partir de 2011. Um dos mais jovens é Robert Kotick, de 52 anos, CEO da fabricante de videogames, Activision Blizzard. Com a velha guarda do conselho sendo substituída por diretores mais jovens, há uma injeção de grandes incertezas na estratégia atual da Coca-Cola.

Warren Buffett e Jorge Paulo Lemann, da 3G Capital, sócios na compra da Heinz. 3G de olho na Coca-Cola?

Na verdade, a Coca-Cola é tema de rumores de que ela é um possível alvo de aquisição da empresa brasileira de investimentos, a 3G Capital Partners LP, cujos fundadores são acionistas controladores na cervejaria Anheuser-Busch Inbev NV. Porta-vozes das empresas se recusaram a comentar. Após a aquisição em 2013 da Heinz pela 3G e pela Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, maior acionista da Coca-Cola, Kent circulou um artigo entre os altos executivos. O assunto: a redução de custos e as demissões na empresa de alimentos. “Se não fizermos o que temos que fazer rapidamente, de forma eficaz, executando 100%, alguém vai vir aqui e fazer isso conosco”, disse Kent aos seus executivos.

Até agora, o único investidor ativista da Coca-Cola tem sido a Wintergreen Advisors LLC, sediada em Mountain Lakes, NJ, que no final de 2014 possuía cerca de 2,5 milhões de ações da Coca-Cola, ou 0,06%, uma ninharia em comparação com os 9,2% de participação da Berkshire Hathaway. David Winters, CEO da Wintergreen, tem satirizado publicamente a Coca-Cola, chamando a atenção publicamente para um plano de remuneração de executivos que também foi criticado por Warren Buffett ano passado. Winters foi tão longe que ligou à Kent e ao conselho de diretores pedindo para ser substituído.

Em sua carta anual aos acionistas da Berkshire, mês passado, Buffett disse que seus investimentos nos “Big Four” – American Express, Coca-Cola, IBM e Wells Fargo – “possuíam excelentes negócios e são geridas por administradores talentosos e orientados para os acionistas”. Tal confiança de um aliado de tão longas datas não é suficiente para fazer o trabalho da Coca-Cola mais fácil, ou poupá-la das dores de crescimento. Em outubro passado, Kent anunciou um programa de corte de custos de US$ 3 bilhões, incluindo mais de 1.500 demissões. Os avisos começaram a ser enviados em janeiro. Enquanto isso, Kent mantém seus funcionários conscientes dos seus interesses. A mensagem é constante: execute – ou execute mais!


Fiz a tradução deste texto sensacional publicado no The Wall Street Journal pois o enxergo como uma aula de diversas áreas da administração, tanto para alunos como para gestores, de qualquer nível. Fala abertamente de questões concernentes ao Marketing, Estratégia, Logística, Operações… Sente-se falta deste nível de aprofundamento jornalístico nos periódicos especializados aqui no Brasil. 

E você, se fosse gestor da Coca-Cola… como imaginaria sair desta situação?

Link para o texto original: http://www.wsj.com/articles/what-is-coke-ceos-solution-for-lost-fizz-more-soda-1426727708

 

Cervejas do Mundo: as mais populares do mais popular

A The Economist publicou essa semana um mapa-mundi, feito pela VinePair, com as marcas de cerveja mais consumidas em cada país. Mesmo que você não goste de cerveja, a curiosidade em torno das marcas é mais forte!rs

Abaixo o mapa:

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Como é evidenciado, cerveja talvez seja o produto onde há uma reminiscência de segmentação geográfica intocável. Parece que ela se torna a identidade de uma localidade/região/país. E isso se torna um ponto crucial para todo: relacionamento com o público; acerto no apelo e nas campanhas; construção de brand equity feita com o mínimo de imperfeições…

Enfim, as cervejarias são sempre ótimos cases de marketing, qualquer que seja o lugar do mundo onde estejam!


Quero aqui ressaltar o meu descontentamento com a falta do logo da Cerveja Cuca, em nome dos meus amigos angolanos!

Procura-se Analista de Marketing

por Jack Neff, da Advertising Age – Publicado em Meio e Mensagem

As vagas de analista de marketing têm sido difíceis de preencher há muito tempo, e a demanda crescente por analistas vinda de empresas de mídia digital procurando aparelhar departamentos que possam provar aos anunciantes o retorno sobre os investimentos só piorou as coisas.

“Há uma verdadeira escassez das pessoas que possuem as habilidades necessárias”, disse Sunny Garga, CEO da empresa de análise (m)Phasize, unidade da Sapient, do Publicis Groupe. “Nós entrevistamos candidatos que, no passado, poderíamos contratar facilmente, mas que acabaram indo para o Google, o Facebook ou o Twitter”. Poucas faculdades têm currículo para treinar analistas de marketing, diz Garga, contando que ele estava em uma conferência no início deste mês com membros das principais universidades discutindo o problema. Wharton, Northwestern e UCLA estão elaborando tais programas curriculares, ele completa, “mas vai demorar para que eles sejam implantados”.

Por causa da demanda, os salários cresceram entre 10% e 30% recentemente, dependendo do nível, de acordo com Garga, com os salários de analista sênior crescendo mais rapidamente. O executivo afirma que ele também se tornou mais agressivo recrutando gente de fora e contratou recém-formados com habilidade de análise e então os treinou em marketing ou pontos mais sofisticados da disciplina de análise.

A crise de talentos é parte de um problema mais amplo surgindo graças ao crescimento de todas as formas de análise de big data, de acordo com a McKinsey & Co., a qual recentemente fez uma projeção de que, sozinhos, os Estados Unidos poderiam encarar uma falta de 140 a 190 mil profissionais com “habilidades profundas de análise”, assim como, de maneira mais ampla, prevê a falta de 1,5 milhão de gerentes e analistas “com know-how para usar análise” até 2018.

A Marketing Evolution, uma empresa de gestão de ROI, está enfrentando essa escassez automatizando o máximo de tarefas possível e enfatizando “contratações de qualidade em vez de contratações em quantidade”, o que significa fornecer papéis mais desafiadores do que o padrão “marketing mix” da indústria”, disse o presidente John Matthews.

Um fator-chave para isso é fazer da informação “parte do trabalho de todo mundo da companhia”, disse Jeff Kauflin, vice-presidente associado de gestão de talentos na Marketing Evolution, para que os analistas não passem o tempo todo produzindo relatórios para clientes.


Sempre falo para os meus alunos, que se colocam como interessados em atuar na área de marketing, que a porta de entrada e cinto de segurança para uma carreira promissora na área é ser um bom analista de marketing. Ele é peça-chave em qualquer departamento de marketing minimamente efetivo. Entender de Comportamento do Consumidor, Pesquisa de Marketing, ser um minerador de dados internos da empresa, uma pessoa antenada, com um raciocínio lógico e analítico de alta performance… tudo isso faz um bom analista. Busque estes itens e você já tem um bom início de jornada!

As propagandas do Super Bowl XLIX

University of Phoenix Stadium, palco do Super Bowl XLIX. Na foto, o Show do Intervalo, patrocinado pela Pepsi.

Último domingo (01/02/2015) foi dia do SuperBowl XLIX, a final do campeonato de Futebol Americano. Claro, lá estava eu assistindo, mais um ano grudado na ESPN, com os craques Everaldo Marques e Paulo Antunes. Foi um jogaço, sem dúvida. O evento, um espetáculo que é difícil de descrever em palavras.

Mas, obviamente, como profissional de marketing, o SuperBowl tem pra mim uma outra face tão empolgante quanto o jogo em si. Sem dúvida, esta é a maior vitrine publicitária do mundo. As empresas se esmeram em criar os mais empolgantes spots, na certeza que milhões de pessoas verão, julgarão, se emocionarão (ou não) com a sua marca. Este ano, a NBC foi o canal de televisão que transmitiu a partida. Cada spot de 30″ teve um custo na casa de US$ 4,5 milhões. Já adiantei aqui no blog como estava o cenário para os intervalos do programa (clique aqui e veja o post).

Como o evento transmitido pela ESPN Brasil não mostra os comerciais originais (que lástima!), o jeito é correr pro YouTube para ver os comerciais. Assisti algumas vezes todas os quase 70 comerciais transmitidos no SuperBowl e posso dizer que a grande maioria é muito legal de ver e tem um bom gosto e bom humor interessantíssimos.

Como é muito difícil eleger as melhores (como disse, são muito boas), elegi as cinco melhores e faço uma análise destas campanhas que, na minha opinião, foram campeãs. Ou seja, conseguem transmitir bem o posicionamento de marca, tem uma mensagem de fácil assimilação, passam emoção (seja ela qual for) à audiência e se vinculam com o padrão de comunicação da marca. Eis elas:

– Real Life PacMan – Bud Light

Já poderia ser o vencedor na categoria Storytelling. A Bud Light criou um tabuleiro gigante que reproduzia exatamente o arcade “Pac Man” (ou come-come, como chamávamos no Brasil). O vídeo mostra um consumidor aleatoriamente escolhido para viver o bichinho no jogo real, com direito a plateia e muita música. A campanha foi um sucesso e teve mais de 100 milhões de visualizações e um monte de gente pedindo para a marca fazer o arcade gigante em mais cidades.

– #LikeaGirl – Always

A marca brincou com o estereótipo “mulherzinha” e conseguiu um recall fantástico. Entrou pro time de marcas como a Dove, que consegue conversar com o público feminino através de campanhas cada vez mais emocionais.

– #RealStrenght – Dove Men+Care

Essa tocou meu coração…(risos). Dove sendo Dove. E conseguiu levar a sempre tão enfatizada Vida Real para o público masculino também. Show em vínculo com público e posicionamento de marca.

– Pay With Lovin’ – McDonald’s

Foi um vídeo para divulgar alguns primeiros resultados da campanha “Pay With Lovin'”, onde o sistema POS do restaurante escolhe aleatoriamente um consumidor que, se fizer alguma coisa amorosa previamente escolhida, não pagará nada pelo seu pedido. O vídeo, em si, não é um primor da cinematografia, mas é o que mais motiva à ação entre todos o veiculados no SuperBowl (que faz o consumidor querer imediatamente ir à loja), o que é extremamente importante. Em um próximo post, conversarei mais sobre esta fantástica campanha.

Menções Honrosas: Invisible Mindy Kaling, da NationWide / Because Burrito, da GrubHub / Big Game, da Coca-Cola / Lost Dog, da Budweiser / Revenge, do Clash of Clans

Bola Dentro Total: Pepsi e o patrocínio ao estupendo show da Kate Perry no interval.

Troféu Peba: Sprint. O pior comercial que vi nos últimos tempos.

Outros Pontos interessantes:
– Quatro spots tiveram o mesmo tema: Relacionamento com o Pai (dad).
– Foi o SuperBowl das empresas de pedido de comida pela internet. GrubHub e Eat24 apareceram pela primeira vez. O Vix.Com fez um comercial enfocando empresas que vendem comida pela internet também.
– Os comerciais de automóveis foram decepcionantes.
– Me surpreendeu a quantidade de seguradoras que anunciaram este ano.

Para você que está ansioso para ver os comerciais, é só assistir na Playlist abaixo, que botou os spots na ordem em que foram veiculados. Enjoy it!

“Nós Escutamos”

Você alguma vez já viu uma empresa falando abertamente que escutou os clientes e mudou alguma coisa? Provavelmente já. Mas, quantas vezes a empresa “matou a cobra e mostrou o pau”, indicando quais mudanças foram essas, feitas a partir do mando popular?

O FourSquare foi um aplicativo que arrebatou multidões faz algum tempo. Depois de captar a lealdade do consumidor, criando uma comunidade forte e com direito à “Super Users” que faziam a sintonia fina das venues do programa, do nada houve uma ruptura. Para concorrer com outros aplicativos de indicações, como TripAdvisor e Yelp!, o FourSquare dividiu suas funções em dois: um, com o nome original, para a comunidade indicar e avaliar venues, dando notas para pontos de interesse como restaurantes e bares; e outro, chamado Swarm, para continuar com o joguinho de check-ins, grande propagador do sucesso do aplicativo.

O problema é que foi justamente a “gameficação” do aplicativo que ficou fraca. Acabaram as badges (condecorações), os pontos por quantidade e tipos diferentes de check-ins. O programa começou a ficar deixado de lado, e a galera, ávida por check-ins, começou a usar o próprio Facebook para fazê-lo. E o aplicativo perdeu relevância.

9 entre 10 empresas de internet se perdem neste exato momento. Não olham para o princípio mais básico, o conceito mais central do marketing: necessidades e desejos. O pessoal queria o FourSquare de volta. E eles ouviram…

Recebi um email do FourSquare no dia 11 de dezembro. Assunto: “Vocês Falaram, nós escutamos e fizemos algumas mudanças”. Eis o email que todos os inscritos no aplicativo receberam:

Foursquare

 

Nem precisa dizer que as mudanças não eram intensamente complicadas e difíceis de se fazer. Simples. Mas era o que o “povo” queria. Principalmente no Brasil, que tinha a maior quantidade de usuários e de “SuperUsers” do programa.

Não se sabe se o FourSquare terá o mesmo patamar de uso de antes. Só sei que o programa continua muito bom, uso constantemente e tem me dado muitas alegrias, principalmente nos resultados da busca de bons locais para comer e me divertir. Mas vamos ver como será o futuro neste oceano cada vez mais vermelho.