Cannes Lions 2015 – Highlights

O maior evento mundial da publicidade está acontecendo. O Cannes Lions este ano está recheado de campanhas muito legais (e outras surreais), debates bem interessantes, entre outras coisas.

Mais pra frente, como em todos os anos, farei uma análise das campanhas premiadas e apresentarei aqui para vocês. Por hora, confira os highlights do evento, vendo o que aconteceu de mais legal em cada um dos dias.

DIA 1 – Fundador do Tinder, SY Lau, a artista Emilie Baltz and BrandOpus.

DIA 2 – Marilyn Manson, Evan Spiegel, Jessica Walsh and Syl Saller

DIA 3 – Clipes do Pharrell Williams, Jamie Oliver, Tim Berners-Lee and Sir David Brailsford

DIA 4 – Sir Martin Sorrell, R/GA, Julia Louis-Dreyfus and Kim Kardashian West

Evento de altíssimo nível. Vai muito além do que a premiação. As discussões sempre muito bons! Enjoy it!

Segmentação ao Extremo

Vi este post no LinkedIn, escrito pelo especialista em Social Media e Marketing Digital, Hilário Júnior. Achei que seria interessante para os visitantes do blog! Compartilho o texto do Hilário na íntegra:


Facebook e Serasa fecham parceria para anúncios segmentados por renda

Essa é pra deixar muito defensor da privacidade dos dados de cabelo em pé:Facebook e Serasa estão em fins de fechar uma parceria onde, até o final do ano, a rede social vai ter acesso ao vasto banco de dados da empresa de cadastro financeiro, a partir daí nós (profissionais de social media) vamos conseguir segmentar por faixa salarial os anúncios através da plataforma de anúncios da rede de Menlo Park.

A notícia chegou até mim através de uma fonte que compareceu ontem ao Facebook Track, novo evento do facebook, dessa vez voltado para o mercado Mobile. “Basicamente meu queixo caiu e foi até o chão. Achei fantástico e ao mesmo tempo invasivo” disse a fonte.

Essa história da Serasa fazer parceria com empresas e plataformas de anúncios não é nova, já faz algum tempo que a empresa do Grupo Experian mantém uma parceria com a rede de anúncios da Microsoft e seus portais, no entanto o alcance e robustez do Facebook Ads é bem diferente, não é mesmo?

Essa segmentação através da renda já acontece na plataforma nos EUA e promete mudar consideravelmente a forma como enxergamos determinados tipos de anúncio através do facebook e suas redes parceiras/proprietárias. A frente do Google que, por enquanto só consegue segmentar através de renda familiar média baseado em dados demográficos, o Face já sai. É esperar para ver.

UPDATE: 

A fonte me falou agora que até o final do ano será possível também aqui no Brasil fazer anúncios precisos a partir de endereços. Ou seja: Você quer anunciar apenas para pessoas que morem/trabalhem na Avenida Paulista e tenham renda superior a $ 4.000,00? Sim, vai ser possível.


Se, de fato, isto acontecer, entraremos numa nova era de anúncios segmentados. E vejo cada vez mais as verbas indo para o Facebook e outras mídias digitais e deixando as tradicionais a ver navios!

Filas ou Cliques?

Recentemente, estive no 12th CONTECSI – Conferência Internacional sobre Sistemas de Informação e Gestão de Tecnologia, evento acadêmico anual que trata das pesquisas mais recentes na área de gestão tecnológica. Apresentei um trabalho em co-autoria com uma aluna, Jessica Brandão dos Santos. O tema: o cenário de adoção de internet banking por pequenos e médios empresários.

É fácil entender a relevância deste tema para o marketing das instituições bancárias. É fato que TODAS os bancos tem diretrizes estratégicas indicando de forma categórica que quer retirar cada vez mais clientes de dentro das agências. Querem transformar o ciberespaço, por motivo de redução de custos, na primordial direção dos seus clientes. As agências, só em último caso. Obvio que ainda estamos longe deste cenário. As agências ainda andam abarrotadas (principalmente os caixas eletrônicos), provocando uma eterna onda de insatisfação com atendimento. Este também é um ponto que pode ser solucionado através do esvaziamento da agência em detrimento do ciberespaço.

Contudo, será que esta é uma realidade também no interior do país? E mais: é uma realidade para o público específico das pessoas jurídicas de pequeno porte destas regiões? Em miúdos, será que os pequenos e médios empresários estão “curtindo” a ideia de usar o internet banking mais do que a agência? Este foi o problema da pesquisa do estudo.

Usando como referencial o modelo de adoção de Internet Banking de Hernandez & Mazzon (2008), alguns resultados interessantes foram encontrados. Mas foi na caracterização da amostra dos pequenos e médios empresários de uma região do interior do estado da Bahia que apareceu a primeira incógnita que deve perseguir a gestão de marketing dos bancos: mesmo todos os respondentes se dizendo usuários frequentes de internet, 83,3% deles diziam ainda preferir os serviços da agência física! E mais: a utilização que fazem da internet, mais da metade são pra coisas obrigatórias, como o pagamento de taxas e impostos, que tem sido direcionado exclusivamente ao ciberespaço pelos governos.

Já tratando dos aspectos relativos à adoção, o primeiro ponto avaliado foi a questão da inovação tecnológica do internet banking. Ao contrário do que vem sendo mencionado pela literatura, a pesquisa mostrou que os pequenos e médios empresários do interior brasileiro não enxergam Vantagens Relativas em questões como Conveniência, Segurança, Controle (Privacidade) e Testagem. Enquanto a literatura fala sobre isso de forma positiva na influência em adoção de internet banking para usuários, os pesquisados não demonstraram sofrer influência destas questões, o que não deixa de ser um dado muito relevante.

O segundo aspecto estudado foi o da influência das “Normas Subjetivas”, que são as percepções dos consumidores referentes aos padrões e intenções de uso no circulo de influencias. Sendo uma relação positiva entre as normas subjetivas e as intenções na obtenção de informações por parte do fornecedor. Este aspecto teve os piores resultados, com percepção de importantes scores, como a influência de terceiros na utilização do internet banking. Também diferente do que aparece na literatura, este item não apresentou influência para a adoção de internet banking para os pequenos e médios empresários.

O último aspecto analisado foi o do “Controle Comportamental Percebido”. Este foi o único item que deu um posicionamento similar ao que a literatura indica, que também é de influência positiva. No caso da pesquisa, os indicadores relativos ao suporte que o banco dá para os usuários, deram positivo. —Quando se fala de suporte tecnológico, há uma tendência positiva de aceitação. A —Auto-eficácia, tida por Hernandez & Mazzon (2008) como uma característica intrínseca ao indivíduo de ter uma atitude positiva ante à inovação, não houve concordância. —Parece haver concordância, no entanto, de que os bancos fazem sua parte em dar suporte à utilização do ciberespaço bancário, mas não há muita atitude para usufruir dos serviços do mesmo.

O resultado desta pesquisa, mostrado aqui de forma bem sucinta, mostra que há importantes implicações gerenciais de marketing para as instituições bancárias. São elas:

– —Papel importante dos bancos e das agências em facilitar e incentivar ainda mais o acesso ao ciberespaço bancário e auxiliar aos seus correntistas a entender o funcionamento e suas possibilidades. Em um contexto de interior, onde o a agência bancária está próxima à empresa ou à casa e há uma facilidade de se manter um relacionamento com a gerência da agência, talvez as questões de conveniência não sejam tão relevantes quanto à literatura indica.

– —Campanhas devem ser realizadas com o intuito de promover o ciberespaço bancário como uma possibilidade de Vantagem Relativa. Esperar por uma simples influência social não vai levar à utilização do mesmo.

– —Ainda há muito espaço para crescimento do uso cotidiano do internet banking, pois a pesquisa mostrou que estes usuários só o acessam para realizar pagamentos.

Se você deseja conhecer o trabalho completo, baixe o artigo clicando aqui.

Um Jardim (nada) Secreto

“Faz alguns dias que está esgotado. Nosso último pedido foi de 400 exemplares. Não durou nem dois dias. E agora o fornecedor não consegue entregar no prazo normal. Então, o jeito é a senhora encomendar o pedido e nós entraremos em contato avisando que ele chegou. É o popular ‘tem mas acabou'”.

A frase acima foi ouvida pela minha esposa e tantas outras pessoas que estão indo às livrarias aos borbotões em busca do atual santo graal do mercado editorial: o livro de pintura “Jardim Secreto”. Verdadeira febre, principalmente entre o público feminino, o produto vem categoricamente sumindo das prateleiras, principalmente dos centros mais distantes dos fornecedores e atravessadores. Como é o caso de Salvador-BA, cidade onde aconteceu o diálogo de onde foi retirado o excerto que iniciou este texto.

“Jardim Secreto: livro de colorir e caça ao tesouro antiestresse”, é uma obra criada pela ilustradora escocesa Johanna Basford, autodenominada “Evangelista da Tinta”. A autora diz que o livro é uma espécie de detox. Esta atividade “analógica” transformou o livro num dos maiores sucessos de venda dos últimos tempos no Brasil, gerando até um novo volume, o “Floresta Encantada”.

O produto, que começou claramente voltado para um nicho de mercado, se massificou e conquistou consumidores entre os mais variados públicos. Entrou em estágio de crescimento e abriu os olhos de concorrentes, que estão pululando aos montes. Uns são cópias baratas dos originais, quase que uma pirataria mesmo. Outros buscaram diferenciação, principalmente, na temática. Cenários urbanos, pessoas e até com conotação sexual podem ser achados nas livrarias. Um verdadeiro sucesso que fez a editora que trouxe o livro ao Brasil, a Sextante, rir à toa com um produto inicialmente de composição de portfólio se transformasse numa estrela.

A autora Johanna Basford

Mas o impressionante do sucesso repentino de um produto, até então inexistente (ou não-procurado), é o que ele fez com toda a supply chain envolvida. O caso mais claro é o do produto inseparável do livro de pintura: o lápis de cor. Os produtos de melhor qualidade (únicos que “aguentam o tranco” da pintura detalhista que o Jardim exige) estão, literalmente, sumidos das lojas, grandes e pequenas! A Faber-Castell está num dilema tremendo, onde nunca teria imaginado que o seu produto mais premium (caixas com maior variedade de cores) seria tão procurado quanto os mais simples que fazem parte das listas de material escolar país afora. A subsidiária da empresa alemã está vibrando, pois conseguiu entrar em um mercado sonhado e nunca antes alcançado: o de adultos. Você pode ver mais detalhes na reportagem da Exame, clicando aqui.

O papel pólen, que é um tipo mais agradável à vista e ideal para o trabalho de pintura também tem tirado o fôlego dos fornecedores. Com a febre dos livros para colorir, a fabricação tem sido acelerada para dar conta da demanda das editoras que se amplia cada vez mais. Antes, este tipo de papel, na gramatura que o livro para colorir exige, tinha uma saída muito restrita.

Mamíferos Parmalat: Campanha de sucesso acabou sendo prejudicial à empresa, que teve sérios problemas de distribuição dos bichinhos

Este cenário deve fomentar uma delícia de papo entre profissionais e estudantes da área de logística, supply chain, marketing e gestão. É um baita de um estudo de caso acontecendo embaixo do nosso nariz. Por mais que hajam “fórmulas” as mais diversas, ferramentas e estratégias que podem antever cenários como estes, obvio que tudo o que se fala é especulação. Quem, em sã consciência, acreditaria num boom de vendas de livros de colorir para adultos? Estaria nos planos das empresas de lápis, das editoras, das fábricas de papel a previsão para este cenário. Obviamente que não.

Em muitos casos similares, o sucesso foi uma verdadeira desgraça para empresas. Não conseguiram entregar seus produtos e foram engolidas pelos concorrentes que apareceram já cauterizados das lições que o mercado mostrou. Parmalat, Tampico, só pra citar algumas, sofreu muito com isso.

Este caso mostra que um problema de marketing deve ser solucionado com parcerias internas estratégicas importantes de diversas áreas. Até quando vai se manter esta demanda latente de livros e lápis de cor? Ninguém sabe, mas um bom sistema de inteligência vai ajudar nesta resposta. E o sucesso dessas organizações depende disso. Vale o investimento para que o Jardim Secreto, continue cada vez menos secreto!

A Coca-Cola Perdeu o Gás?

Por Mike Esterl, para o Wall Street Journal – Tradução minha.


Apesar da evolução nos gostos dos consumidores, o CEO da Coca-Cola, Muhtar Kent quer vender mais refrigerante. Qual seria a melhor saída?

Em uma visita a uma engarrafadora da Coca-Cola na cidade de Pensacola, Florida, em janeiro, o CEO Muhtar Kent puxou um pequeno chip vermelho e ergueu-o para um novo caminhão de entrega. Para o olho destreinado, parecia a marca da Coca-Cola, mas era apenas um papel vermelho, da cor da marca.

Isso pode não ser uma coisa tão representativa para a maioria das pessoas, mas é para Kent. Por onde passa ao redor do mundo – engarrafadoras, bodegas, supermercados – ele pega seu chip vermelho e compara-o com garrafas, latas, máquinas de Coca-Cola. Gestão, diz ele, deve estar continuamente “polida como um diamante”. Isto é verdade, especialmente agora, que o mundo pode estar com um cansaço de Coca-Cola crescente. Em fevereiro do ano passado, a Coca-Cola confirmou ter ficado aquém da sua meta de crescimento de volume anual em 3% a 4%, o que aconteceu pela primeira vez em quase uma década. Kent chamou isso de “lombada”(quebra-molas) e prometeu aos investidores que seria “o ano da execução”.

Em outubro o CEO reconheceu que a Coca-Cola não só não alcançaria suas metas de receita e lucro em 2014, como também isto aconteceria em 2015. Mês passado, a Coca-Cola informou uma queda de receita em 2%, para US$ 46 bilhões, e o lucro caiu (!) 17%, para US$ 7,1 bilhões, desde o ano passado.

Mudança anual no volume de vendas

A estratégia de risco de Muhtar Kent: vender mais refrigerante. O CEO de 62 anos diz que tem uma série de planos – tais como o aumento dos gastos com marketing e uma revisão da rede de distribuição, principalmente nos EUA, que vai ajudar a retornar aos rendimentos padrão em 2016. “Acredito que nós teremos uma grande estrada à nossa frente”, diz Kent. Mas ultimamente as promessas estão difíceis de cumprir.

O consumo de Diet Coke caiu 15% nos dois últimos anos. O volume de vendas de outros refrigerantes, como Sprite e Fanta, cresceu apenas 1% em cada um dos dois últimos anos a nível mundial. No último verão, 63% dos americanos disseram em uma pesquisa do instituto Gallup que eles estavam evitando refrigerante. Nos EUA, a quantidade de refrigerante consumida vem caindo há 10 anos consecutivos. As vendas de Coca-Cola estão caindo em todo o mundo. Varejistas, como a Whole Foods, não a vendem mais.

Apesar das estatísticas assustadoras, Muhtar Kent permanece irredutível como uma Coca-Cola gelada. Com refrigerantes gerando cerca de 70% das receitas, ele insiste em dizer que eles são o “oxigênio” da companhia. A companhia, acredita ele, tem “exatamente os ingredientes certos” para crescer rapidamente, incluindo aí um portfólio de 20 bilhões de dólares só em marcas. Quatorze delas são bebidas, incluindo aí as águas “Dasani” e os sucos de laranja “Minute Maid”.

“Bebidas gasosas têm sido sempre um prazer, e nós temos que redescobrir isto”, disse Kent em uma entrevista recente. Mas se a Coca-Cola pode voltar ao destaque com novas iniciativas de crescimento, ainda não está claro.

Desafio dos Baby-Boomers

CEO da Coca-Cola, Muhtar Kent

Muitas empresas de bens de consumo embalados que eram amados pelos baby-boomers – da sopa Campbell’s à McDonald’s – têm perdido sua magia. Os consumidores de hoje querem itens mais saudáveis, mais saborosos, mais originais. E menos mercado de massa. As mudanças repentinas e profundas nas preferências do consumidor causaram recentemente perdas financeiras para Kellog’s e Kraft Foods, e vêm corroendo vendas e lucros de uma meia dúzia de outros gigantes da indústria alimentícia e de bebidas embaladas. Estes deslizes causaram a perda do emprego dos CEOs da Kraft e do McDonald’s – sendo este último um cliente-chave da Coca-Cola.

Tais mudanças colocaram Kent em uma posição complicada, estrategicamente falando: quanto e quão rápido diversificar? Do lado da Pepsico, o CEO Indra Nooyi tentou resolver o enigma, mas ficou sob fogo dos investidores em 2011, após a empresa emitir um alerta de baixo lucro. No ano anterior, Diet Coke superou a Pepsi como segunda marca de refrigerante mais vendida nos EUA, atrás apenas da Coca-Cola padrão. Analistas e investidores de Wall Street disse que a Pepsi estava muito envolvida em diversificação para além dos refrigerantes e batatas-fritas.

Kent é um executivo operacional experiente como qualquer outro. Filho de diplomata turco, começou na Coca-Cola em 1978, montando caminhões de entrega em lugares como Lubbock, Texas. Foi gerente-geral para a Ásia Central, abriu fábricas na ex-União Soviética e montou a maior engarrafadora da Coca-Cola na Europa, antes de assumir o papel de CEO em 2008. Como parte de sua atual estratégia, entre outras coisas, ele tem intensificado a publicidade. Ano passado, reservou um adicional de US$ 1 bilhão até 2016, após ter gasto US$ 3,3 bilhões em 2013. Ele está apostando em uma nova fonte de refrigerante, a Freestyle, que permite aos consumidores de misturar e combinar mais de 100 sabores de bebidas com uma tecnologia de micro-dosagem desenvolvida pela indústria médica. Há agora mais de 27 mil máquinas espalhadas por redes de fast-foods nos EUA, como Wendy e Burger King, um aumento de 50% em um ano.

Campanha “Compartilhe uma Coca-Cola”: sobrevida nas vendas

Neste dias, o CEO da Coca-Cola passa três quartos do seu tempo na estrada, encontrando varejistas, engarrafadoras e chefes de Estado. Ele diz que fica com síndrome de abstinência se não visitar uma loja em poucos dias. Ele também está profundamente envolvido nos detalhes concernentes ao merchandising da Coca-Cola, com uma estratégia chamada OBPPC (Occasion, Brand, Price, Pack, Channel), que coincide os tamanhos das embalagens dos refrigerantes para cerca de 30 ocasiões de consumo, desde o “me dê um que tenho que ir” até o “refeição familiar”.

Além de sua atual linha de tamanhos de refrigerantes (latas e garrafas), a empresa também planeja começar a vender produtos Coca-Cola até o fim deste ano em uma máquina de casa, sendo desenvolvida pela Keurig Green Mountain Inc., a mais recente tentativa da Coca-Cola de colocar seu produto da há muito tempo conhecida “alcance da mão do desejo”. Os americanos (e consumidores em todo o mundo) compraram mais Coca-Cola no último verão, quando a empresa espalhou nomes desde Adão até Zack em garrafas e latas. A campanha “compartilhe uma Coca” galvanizou os consumidores a comprar Coca-Colas para si, bem como amigos e famílias.

Sam Nunn, líder dos diretores independentes, diz que o conselho ainda vê o refrigerante como uma “área de crescimento muito forte” a nível mundial, e Muhtar Kent como uma “força da natureza em termos de suas capacidades de liderança”. Mas vários altos executivos e gestores que trabalharam com Kent dizem que enquanto ele está confortável, navegando no cerne da questão (refrigerantes), ele está perdendo a visão total da figura. O CEO nega. “Eu tenho tido muitas discussões robustas e intelectuais sobre nossa estrutura, sobre nossa companhia, sobre nossos negócios, sobre para onde estamos indo”, disse o CEO em uma entrevista.

Depois de anos de lobby, executivos o convenceram a realizar uma reunião de alta cúpula no Vale do Silício – a ideia era trocar ideias com o pessoal do Google e Facebook, entre outros. Mas a conexão “digital” nunca aconteceu. Kent cancelou de forma constrangedora as reuniões semanas antes, dizendo que o pessoal da Coca-Cola precisava se concentrar nos resultados trimestrais ao invés de realizar as reuniões. Em entrevista, Kent explicou sua lógica: Coca-Cola precisa se equipar com a “tecnologia certa”, disse ele. “Mas não podemos, você sabe, ir e sonhar com LalaLand”. Coca-Cola poderia alcançar os mesmos objetivos de forma mais eficiente, trazendo o Vale do Silício para Atlanta, disse ele.

Projeções de Aumento de vendas de bebidas não-alcóolicas a nível mundial.

A despeito de sua posição dominante em bebidas, a empresa – que recentemente roubou market share da rival PepsiCo. – está fazendo com que alguns de Wall Street estejam perdendo a paciência. Investidores têm se reunido com a PepsiCo., cuja exposição do refrigerante é casada com seus snacks. Nos últimos dois anos, o preço das ações da Coca-Cola aumentou 4,7%, enquanto a PepsiCo. ganhou 23%, enquanto os índices Dow Jones e o S&P 500 subiram 25% e 35%, respectivamente. “O grande erro é não perceber que o mundo mudou”, diz John Faucher, analista de bebida no JP Morgan.

Muhtar Kent não tolera muito debate e dissidências. Vários ex-executivos dizem que ele se cercou de pessoas que só falam “sim” e que amortecem o debate. Nas reuniões, Kent “pode ser realmente rude, encerrar discussões e fazer com que tudo fique constrangedor” se alguém questionar seus planos, diz um ex-executivo. Kent diz que o debate interno é bem-vindo: “toda grande decisão, eu digo, vamos levá-la ao comitê operacional e discuti-la”.

Quando o ex-diretor para Américas Steve Cahillane argumentou que a manutenção dos alvos de volume de vendas e lucro da Coca-Cola eram irreais em uma reunião da alta administração em 2013, Kent rapidamente encerrou a discussão, de acordo com pessoas presentes na reunião. Cahillane, considerado forte candidato a suceder Kent, resignou ao cargo semanas depois, sob forte pressão. Sandy Douglas, um veterando da Coca-Cola que substitutiu Cahillane disse que discutir estratégias com Kent é “um esporte de alto contato”. Mesmo assim, ele diz que Kent “lhe dá espaço”.

Sem Sucessor Óbvio

O zelo operacional de Kent tem causado preocupação e especulação dentro e fora da empresa, porque ela não tem n.º 2 ou um sucessor óbvio claro. Além das funções de CEO e chairman, ele, de fato, é o COO. Kent não acha que isto seja um problema. Ele diz que, efetivamente, tem três COOs internacionais, não apenas um. Ahmet Bozer, da área de operações internacionais, Irial Finan, da área de engarrafamento; e Sandy Douglas, das operações norte-americanas. “Acredito que temos a estrutura adequada. Penso nisso ao ter três COOs”, diz Kent.

Embora a empresa continue a diversificar seus produtos – recentemente adquiriu uma marca de leite – refrigerantes permanecem no centro. Analistas como Fraucher, bem como ex altos executivos da Coca-Cola, argumentam que a empresa deve fazer mais aquisições para mudar seu portfólio de produtos. Esforços neste sentido têm se misturado. Sob a batuta de Kent, foi arquitetado o mais caro processo de diversificação – a aquisição da Energy Brands Inc., fabricante do Glaceau Vitaminwater, por US$ 4,1 bilhões em 2007. O acordo foi criticado após o fraco crescimento e o preço de compra ter sido considerado muito caro.

Monster Energy Drink, onde a Coca-Cola tem participação

Seus mais recentes esforços de ramificação a partir dos refrigerantes têm sido mais cauteloso. Ignorando as pressões para mergulhar no mercado de bebidas energéticas, de rápido crescimento, Kent esperou até último agosto para chegar a um acordo para comprar uma participação de 16,7% da Monster Beverage Corp. Até então, no entanto, o preço das ações da Monster tinha quintuplicado. Coca-Cola também construiu uma participação de 16% na Keurig, em etapas, desde o ano passado. No caso da Monster, pessoas familiarizadas com o processo dizem que Kent e o conselho da Coca-Cola estavam preocupados com questões de regulação e proibições de marketing para o mercado de bebidas energéticas.

A maior aquisição da história da Coca-Cola, a compra em 2010 da maior parte das operações norte-americanas de engarrafamento e distribuição, em um acordo de US$ 12 bilhões, foi desenhado para dar à empresa mobilidade, melhorando sua fabricação e distribuição. Mas a empresa ainda não alcançou isto. O diretor financeiro, Kathy Walter, reconheceu que a Coca-Cola não vai ver nem nesta década o retorno sobre este investimento.

O conselho da Coca-Cola, um grupo conservador e tradicionalmente fortemente integrado, continua a apoiar a abordagem de Kent, dando-lhe um robusto dividendo. A Coca-Cola disse no mês passado que iria aumentar o seu dividendo em 8% por ação em 2015, o 53º aumento anual seguido. Porém, o fluxo de caixa da empresa está estagnado nos últimos três anos, levantando questões sobre quanto tempo os generosos pagamentos poderão continuar.

Membros do conselho de longa data estão se aposentando. Até o fim de abril, sete dos seus 15 membros terão entrado a partir de 2011. Um dos mais jovens é Robert Kotick, de 52 anos, CEO da fabricante de videogames, Activision Blizzard. Com a velha guarda do conselho sendo substituída por diretores mais jovens, há uma injeção de grandes incertezas na estratégia atual da Coca-Cola.

Warren Buffett e Jorge Paulo Lemann, da 3G Capital, sócios na compra da Heinz. 3G de olho na Coca-Cola?

Na verdade, a Coca-Cola é tema de rumores de que ela é um possível alvo de aquisição da empresa brasileira de investimentos, a 3G Capital Partners LP, cujos fundadores são acionistas controladores na cervejaria Anheuser-Busch Inbev NV. Porta-vozes das empresas se recusaram a comentar. Após a aquisição em 2013 da Heinz pela 3G e pela Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, maior acionista da Coca-Cola, Kent circulou um artigo entre os altos executivos. O assunto: a redução de custos e as demissões na empresa de alimentos. “Se não fizermos o que temos que fazer rapidamente, de forma eficaz, executando 100%, alguém vai vir aqui e fazer isso conosco”, disse Kent aos seus executivos.

Até agora, o único investidor ativista da Coca-Cola tem sido a Wintergreen Advisors LLC, sediada em Mountain Lakes, NJ, que no final de 2014 possuía cerca de 2,5 milhões de ações da Coca-Cola, ou 0,06%, uma ninharia em comparação com os 9,2% de participação da Berkshire Hathaway. David Winters, CEO da Wintergreen, tem satirizado publicamente a Coca-Cola, chamando a atenção publicamente para um plano de remuneração de executivos que também foi criticado por Warren Buffett ano passado. Winters foi tão longe que ligou à Kent e ao conselho de diretores pedindo para ser substituído.

Em sua carta anual aos acionistas da Berkshire, mês passado, Buffett disse que seus investimentos nos “Big Four” – American Express, Coca-Cola, IBM e Wells Fargo – “possuíam excelentes negócios e são geridas por administradores talentosos e orientados para os acionistas”. Tal confiança de um aliado de tão longas datas não é suficiente para fazer o trabalho da Coca-Cola mais fácil, ou poupá-la das dores de crescimento. Em outubro passado, Kent anunciou um programa de corte de custos de US$ 3 bilhões, incluindo mais de 1.500 demissões. Os avisos começaram a ser enviados em janeiro. Enquanto isso, Kent mantém seus funcionários conscientes dos seus interesses. A mensagem é constante: execute – ou execute mais!


Fiz a tradução deste texto sensacional publicado no The Wall Street Journal pois o enxergo como uma aula de diversas áreas da administração, tanto para alunos como para gestores, de qualquer nível. Fala abertamente de questões concernentes ao Marketing, Estratégia, Logística, Operações… Sente-se falta deste nível de aprofundamento jornalístico nos periódicos especializados aqui no Brasil. 

E você, se fosse gestor da Coca-Cola… como imaginaria sair desta situação?

Link para o texto original: http://www.wsj.com/articles/what-is-coke-ceos-solution-for-lost-fizz-more-soda-1426727708